A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (9) para condenar a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) a 10 anos de prisão em regime fechado, perda do mandato e pagamento de indenização milionária. Ela e o hacker Walter Delgatti Neto foram responsabilizados pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em um episódio considerado pelos ministros como um atentado à integridade do Poder Judiciário. A decisão foi tomada em sessão virtual, com votos favoráveis do relator Alexandre de Moraes, além dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin. Ainda faltam os votos de dois magistrados para a conclusão do julgamento, previsto para encerrar na próxima sexta-feira (16). A condenação também inclui uma multa de R$ 2 milhões por danos morais e coletivos, valor a ser dividido entre os dois réus. Crimes e motivação da condenação Zambelli e Delgatti foram condenados por invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou a dupla por orquestrar a falsificação de documentos oficiais, entre eles um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, com o objetivo de desacreditar o Judiciário e fomentar atos antidemocráticos. No voto, Moraes destacou que Zambelli foi a mandante do crime, agindo como instigadora e financiadora, com a intenção clara de desestabilizar as instituições democráticas. “A atuação vil de uma deputada que representa o povo brasileiro causou danos duradouros à credibilidade das instituições”, disse o ministro. O hacker Walter Delgatti foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão. Ele já cumpre prisão preventiva. Contexto e ligação com os atos golpistas de 8 de janeiro Os ministros apontaram que os crimes ocorreram pouco antes dos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas por manifestantes golpistas. Zanin afirmou que os atos de Zambelli e Delgatti “se inserem em um contexto mais amplo de tentativa de ruptura da ordem constitucionalmente estabelecida”. Reações e impacto político A defesa da deputada afirmou que irá recorrer, alegando desproporcionalidade da pena e ausência de provas. Em nota, Zambelli disse ser alvo de perseguição política e afirmou que “o julgamento se baseia em sua postura firme e não em ações concretas”. Com a confirmação da condenação após os recursos, a Câmara dos Deputados será responsável por declarar a perda do mandato de Zambelli. A decisão também a torna inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.
Ações do Gefron geram prejuízo de 230 milhões às facções criminosas com Tolerância Zero
As ações do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), entre janeiro de abril deste ano, provocaram um prejuízo de quase R$ 230 milhões às facções criminosas envolvidas com o tráfico de drogas na região fronteira de Mato Grosso com a Bolívia. O valor é 70% maior do que o montante contabilizado no mesmo período do ano passado, quando as operações levaram a uma perda de R$ 135 mil. Se comparado ao ano de 2022, o acréscimo chega a ser de 95%. Para o secretário adjunto de Integração Operacional (Saiop), tenente coronel PM, Fernando Augustinho, esses números são resultados alcançados após o lançamento do programa Tolerância Zero, em novembro do ano passado. “Esses números e valores compõe o valioso resultado decorrente do programa Tolerância Zero, que vem apresentando uma resposta de grande qualidade e impacto à toda sociedade. E seguindo as ordens do Governador Mauro Mendes e do nosso Secretário de Segurança Pública Cel. PM Roveri, continuaremos firmes no combate às facções criminosas e suas modalidades de atuação ilícita”, destacou. O coordenador do Gefron, tenente coronel PM Manoel Bugalho, destacou que o aumento do prejuízo provocado às facções criminosas está relacionado diretamente à ampliação das operações realizadas a partir do programa Tolerância Zero. “Com o programa tolerância pudemos investir e ampliar as ações de segurança na região de fronteira. O investimento em efetivos da Polícia Civil e Militar, fortaleceu e ampliou muitas de nossas ações que são realizadas de forma integrada com forças de segurança estaduais e federais”, explicou. A maior parte do prejuízo está relacionado a apreensão de drogas que contabilizou 8,3 toneladas, equivalente a R$ 212 milhões. O volume supera em 66% a quantidade apreendida no mesmo período de 2024, quando foram localizadas 5 toneladas de entorpecentes. Também fazem parte do prejuízo, 66 veículos de diversos modelos, três aeronaves, 15 armas e 441 munições utilizados para dar apoio ao tráfico de drogas e que foram apreendidos no primeiro quadrimestre de 2025. Tolerância Zero O Tolerância Zero Contra Facções Criminosas foi lançado em 25 de novembro de 2024 e trouxe diversas medidas para o fortalecimento da segurança no combate às facções criminosas, dentre elas a nomeação de 94 policiais civis, 55 policiais penais e convocação de 245 militares aprovados em concurso.