O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, fez um alerta público e direto sobre a realidade dos empréstimos consignados contratados por servidores estaduais. Segundo levantamento do órgão, mais de 62 mil servidores públicos – entre ativos, aposentados e pensionistas – possuem empréstimos ativos com empresas consignatárias. Durante Mesa Técnica realizada nesta quinta-feira (13), Sérgio Ricardo apresentou números preocupantes: Mais de 20 mil servidores comprometem mais de 35% de sua renda com dívidas; Cerca de 7.800 ultrapassam o limite de 70% da renda comprometida. “São 62 mil servidores com empréstimo consignado. É um número muito alto. Muitos estão comprometendo grande parte da renda, o que gera um impacto social grave”, destacou o presidente. Plataforma digital vai reunir todos os contratos Durante a reunião, o presidente explicou que o TCE-MT ainda não tem o valor total das dívidas contratadas, pois os contratos estão espalhados entre diversas empresas. Para mudar isso, o tribunal está criando uma plataforma digital, onde as instituições financeiras deverão registrar todos os contratos ativos. “Vamos criar uma plataforma. As empresas pediram prazo para enviar os dados de forma digital. Terão até o dia 30 de junho para entregar tudo. Só assim teremos clareza total da situação”, disse Sérgio Ricardo. Empresas ausentes serão notificadas Outro ponto destacado pelo presidente foi a falta de compromisso da maioria das empresas que operam com consignado no Estado. Das mais de 20 empresas credenciadas, apenas 6 compareceram à reunião, entre elas: Capital Consig Banco Daycoval S.A. Eagle Sociedade de Crédito Direto S.A. Cartus Sociedade de Crédito Direto S.A. Taormina Soluções Financeiras S.A. Pix Card Serviços Tecnológicos e Financeiros LTDA. As demais empresas, segundo Sérgio Ricardo, serão questionadas quanto à sua regularidade e podem ser excluídas do sistema de consignações se não apresentarem os contratos até o fim do mês. “Essas empresas foram convidadas, notificadas e simplesmente não vieram. Nós nem sabemos se todas existem de fato. Se não comparecem para prestar contas, não devem continuar recebendo dinheiro do servidor público. Vamos recomendar ao governador a suspensão dos repasses para essas empresas até que regularizem a situação”, afirmou. TCE-MT amplia seu papel em defesa do servidor A atuação do presidente Sérgio Ricardo reforça o compromisso do TCE-MT em proteger o servidor público de abusos financeiros e garantir transparência nos contratos que impactam diretamente a renda de milhares de famílias. O trabalho da Corte está sendo realizado em parceria com a Assembleia Legislativa, sindicatos e empresas. “O servidor tem o direito de saber para onde vai seu dinheiro, e o Estado tem o dever de zelar pela legalidade desses contratos”, finalizou Sérgio Ricardo.
Prefeito de Pontal do Araguaia relata fuga de Israel em meio a ataques: “Fomos os últimos a sair”
Em meio ao crescente conflito entre Israel e Irã, o prefeito de Pontal do Araguaia, Adelcino Lopo (MDB), viveu momentos de tensão ao deixar o território israelense com sua esposa, a empresária Adriana Lima, durante uma viagem à Terra Santa. O casal estava em peregrinação religiosa e celebração pelos 32 anos de casamento, quando os bombardeios se intensificaram na região. Nesta sexta-feira (13), o prefeito publicou um vídeo em suas redes sociais relatando o episódio. Segundo ele, conseguiram embarcar no último voo antes do fechamento do espaço aéreo de Israel. “Amigos, o negócio está tenso aqui em Israel. Saímos de Tel Aviv ontem, no último voo. Fecharam o espaço aéreo. Estamos agora nos Emirados Árabes, vamos pegar um avião com destino a São Paulo. Fomos os últimos a sair”, contou. O gestor informou ainda que ele e Adriana estão em segurança, já em conexão nos Emirados Árabes Unidos, de onde partiriam em um voo de retorno ao Brasil. Viagem marcada por fé e emoção Antes da crise se agravar, o casal viveu momentos marcantes na Terra Santa. Adriana, em suas redes sociais, compartilhou a renovação dos votos de casamento no Santuário das Bodas de Caná da Galileia, local bíblico que simboliza a celebração do amor e da fé. “Amor que resiste ao tempo, às diferenças e se fortalece com fé, risadas e companheirismo”, escreveu Adriana. Ela também aproveitou a estadia para renovar seu batismo no Rio Jordão, descrevendo a experiência como única: “Coração cheio de paz, alma leve e muita gratidão!” Tensão internacional: Israel e Irã em confronto direto A viagem, no entanto, coincidiu com a escalada da tensão no Oriente Médio. Após uma série de ataques israelenses contra alvos militares e nucleares iranianos, o Irã retaliou com o lançamento de centenas de mísseis contra o território de Israel, atingindo inclusive Tel-Aviv e Jerusalém, cidades por onde o casal brasileiro passou. Segundo as autoridades israelenses, mais de 200 alvos foram atingidos em território iraniano nos últimos dias. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra sete pontos em Tel-Aviv e anunciou que “atingiu alvos com força e precisão”, incluindo instalações militares e de defesa. Sirene de ataque aéreo soaram em Jerusalém e uma explosão foi ouvida à distância durante uma coletiva de imprensa. As forças israelenses pediram à população que buscasse abrigo imediatamente. O conflito se intensificou após o ataque à instalação nuclear de Natanz, além do bombardeio de Isfahan, centro do programa nuclear iraniano. O governo iraniano confirmou a morte de cientistas e militares seniores nos ataques israelenses. Retorno ao Brasil e alívio O prefeito e sua esposa devem desembarcar em São Paulo ainda neste final de semana. O retorno à cidade de Pontal do Araguaia marca o fim de uma viagem que começou como celebração e terminou como fuga. Apesar do susto, o prefeito reforçou que está bem e grato por ter conseguido deixar o país a tempo. “Logo mais estaremos nas terras do Pontal do Araguaia”, disse, aliviado.
Corpo de Bombeiros realiza Congresso Internacional de Gestão de Incêndios Florestais a partir de segunda-feira (16)
O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) realiza no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, o ForestFire 2025 – Congresso Internacional de Gestão de Incêndios Florestais, evento inédito no Brasil e que reunirá especialistas de 10 países, pesquisadores e comandantes dos 27 Corpos de Bombeiros Militares do país, entre os dias 16 e 18 de junho. A programação conta com palestras técnicas, minicursos e uma feira de expositores com entrada gratuita e aberta ao público. Estarão presentes representantes e palestrantes de países como Portugal, Estados Unidos, Canadá, México, Nova Zelândia, Espanha, Chile, Irlanda, França e Brasil. Durante os três dias de evento, os participantes terão acesso a palestras com autoridades internacionais, workshops práticos, painéis de discussão e exposição de tecnologias inovadoras voltadas à prevenção, monitoramento e combate a incêndios florestais. Além de comandantes e especialistas estrangeiros, o congresso reúne também bombeiros, gestores ambientais e profissionais envolvidos no manejo e combate a incêndios florestais de diversas partes do mundo, promovendo a troca de experiências e o fortalecimento da cooperação internacional na gestão de incêndios. Sugestão de Pauta Evento: ForestFire 2025 – Congresso Internacional de Gestão de Incêndios Florestais Data e horário: 16 a 18 de junho de 2025; 08h às 18h. Local: Centro de Eventos do Pantanal – Cuiabá/MT.
Flagrante, dinheiro, santinhos e… absolvição: a Justiça considerou insuficientes as provas de compra de votos em Jauru
Uma candidata presa em flagrante com dinheiro e material de campanha. Santinhos apreendidos. Relatos de eleitores que receberam quantias em espécie. Cheques em branco assinados. Uma investigação robusta e repleta de elementos. Mesmo diante de todos esses fatos, a Justiça Eleitoral da 41ª Zona de Araputanga decidiu julgar improcedente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida contra a chapa eleita em Jauru, composta por Valdeci José de Souza (“Passarinho”) e Enércia Monteiro dos Santos, prefeitos eleitos em 2024. A sentença, assinada em 13 de junho de 2025 pelo juiz Dimitri Teixeira Moreira dos Santos, reconhece que houve provas, mas entende que não foram suficientemente robustas para justificar a cassação dos mandatos. E aí fica a pergunta: Houve ou não houve compra de votos? E se houve, por que não houve condenação? O que foi apresentado na ação? A coligação “Por um Jauru Melhor” acusou a chapa adversária de ter praticado abuso de poder econômico e compra de votos. Os principais pontos da acusação incluíram: A prisão em flagrante da vice-prefeita eleita Enércia Monteiro, dias antes da eleição, com R$ 500,00 em espécie e santinhos de campanha; A apreensão de cheques em branco assinados por Enércia; O depoimento da eleitora Valdirene, que afirmou ter recebido o dinheiro diretamente das mãos da candidata, prometendo apoio e voto em troca; A operação policial que apreendeu valores e materiais na casa de Enércia, onde outras pessoas também estavam com dinheiro vivo. O que decidiu a Justiça? Na sentença, o juiz reconhece que houve fatos relevantes, mas entendeu que a acusação não conseguiu comprovar o “nexo direto” entre o dinheiro entregue e a intenção de comprar votos. Segundo a decisão: O valor entregue à eleitora poderia estar relacionado a trabalho de campanha — o que, embora irregular, não caracteriza necessariamente compra de votos; A quebra de sigilo bancário de Enércia não demonstrou movimentações incompatíveis com sua renda ou que indicassem abuso de poder econômico; O uso de dinheiro vivo na região rural de Jauru é culturalmente comum, segundo testemunhas. A Justiça, então, se baseou no princípio do “pro sufrágio” — que orienta a manutenção dos mandatos eletivos quando há dúvida quanto à gravidade ou à prova das acusações. O que diz a Lei Eleitoral? Para cassar um mandato por compra de votos (art. 41-A da Lei nº 9.504/97), é necessário: Que o candidato tenha oferecido, prometido ou entregue algum bem ou vantagem pessoal; Que haja intenção clara de obter o voto (dolo); Que a conduta tenha ocorrido durante o período eleitoral; E que seja possível comprovar a ligação entre o benefício e o eleitorado. No caso de Jauru, o juiz entendeu que não havia elementos suficientes para preencher todos esses requisitos. Assim, optou por manter o resultado das urnas. Mas… e a prisão da candidata? E os cheques em branco? E o dinheiro? A sentença reconhece os fatos. O que se questiona é se eles, individualmente, seriam suficientes para provar o crime eleitoral com a “robustez exigida pela jurisprudência do TSE”. O juiz admite que a situação é grave, mas sustenta que não basta a suspeita — é preciso certeza jurídica. E isso, segundo ele, não ficou configurado nos autos. Fica então a pergunta: houve ou não houve? A candidata foi presa. Havia dinheiro, material de campanha e testemunhas. Mas a Justiça não viu provas suficientes. A denúncia existiu. O flagrante aconteceu. Mas a decisão foi pela absolvição. Em que ponto a linha entre o ético e o ilegal se torna invisível?Quando a dúvida protege o voto — ou protege o abuso? E agora? Com a improcedência da ação, os mandatos de Passarinho e Enércia estão mantidos. A coligação denunciante ainda pode recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso. Até lá, a pergunta continua ecoando entre os eleitores de Jauru: Se não houve, por que ela foi presa? E se houve, por que não foi punida?
Mato Grosso é segundo estado do país que mais apreendeu cocaína em 2024, aponta Mapa da Segurança Pública
Mato Grosso subiu para a segunda colocação entre os estados brasileiros que mais apreenderam cocaína em 2024, segundo dados do Mapa da Segurança Pública de 2025, divulgado pelo Ministério da Justiça nesta quarta-feira (11.6). Conforme dados do mapa, as ações das forças de segurança estaduais apreenderam 23,6 toneladas de cloridrato de cocaína e de pasta base de cocaína. O total representa um aumento de 3,8 toneladas em relação a 2023, quando Mato Grosso apreendeu 19,8 toneladas. Mato Grosso ficou atrás apenas de São Paulo, que retirou 47,9 toneladas de circulação. Na edição do mapa de 2023, o estado mato-grossense despontou em terceiro lugar, com 19,8 toneladas de cocaína apreendida. O Mapa da Segurança Pública apontou também que Mato Grosso ficou na oitava colocação entre os estados que mais apreenderam maconha no ano passado. No total, foram 17,6 toneladas. Somando cocaína e maconha, as apreensões representam um volume total de 41,2 toneladas de entorpecente, o que significa um prejuízo estimado em R$ 554 milhões às facções criminosas. O volume é 57% maior do que foi apreendido em 2023, quando 26,2 toneladas de drogas foram retiradas de circulação. Para o secretário adjunto de Integração Operacional (Saiop), coronel PM Fernando Augustinho, os estudos divulgados reconhecem os esforços do Governo de Mato Grosso no combate ao tráfico de drogas e às ações das facções criminosas, que têm sido o foco da atual gestão. “O aumento das apreensões demonstra os esforços do Estado no combate às facções criminosas e ao tráfico. Outro exemplo de dedicação do Estado contra o crime é o programa Tolerância Zero, que vem reduzindo crimes e aumentando ainda mais as apreensões de drogas. O tráfico é o pilar financeiro dos grupos criminosos. Quando conseguimos apreender, estamos quebrando um ciclo financeiro das facções criminosas, descapitalizando o crime e, consequentemente, contribuindo para a redução dos índices de criminalidade”, concluiu.