A Polícia Penal impediu a entrada de materiais proibidos levados por um drone, que sobrevoava a penitenciária Major PM Eldo de Sá Correia, em Rondonópolis, na manhã desta quinta-feira (13.11). Na ação, a equipe antidrone da unidade localizou e interceptou o aparelho aéreo que sobrevoava rumo ao raio 3 da Penitenciária. Os policiais penais apreenderam o drone que transportava cinco celulares, uma fonte de carregador, dois fones de ouvido, um isqueiro, cigarros eletrônicos e uma serra. A direção da Penitenciária da Mata Grande atua constantemente na vigilância dos perímetros interno e externo da unidade, com o objetivo de impedir e capturar materiais e aparelhos proibidos. Na semana passada, as equipes da Polícia Penal do município impediram que 16 celulares, encontrados em pacotes levados por drones, chegassem às mãos dos custodiados na unidade prisional. *Com supervisão da jornalista Raquel Teixeira
Executor e mandantes de duplo homicídio no Shopping Popular são condenados a mais de 70 anos de prisão
Três envolvidos em um duplo homicídio, ocorrido em novembro de 2023 no Shopping Popular de Cuiabá, foram condenados por homicídio triplamente qualificado em sessão do Tribunal do Júri, realizada nesta quinta-feira (13.11). As penas impostas variam entre 23 e 25 anos de reclusão. Somadas, as penas ultrapassam 70 anos de prisão. A condenação teve como base as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que identificou mãe e filho como mandantes, assim como o executor do crime. Vanderlei Barreiro da Silva, apontado como um dos mandantes, e Sílvio Júnior Peixoto, identificado como o autor da execução das vítimas, foram sentenciados a 23 anos e quatro meses de prisão. Já Jocilene Barreiro da Silva, também identificada como mandante, foi condenada a 25 anos de reclusão. Eles foram condenados pelo crime de homicídio triplamente qualificado mediante promessa de recompensa, por meio cruel ou que possa resultar em perigo comum e por traição ou outro recurso que dificultou a defesa da vítima. Os crimes, que vitimaram Gersino Rosa dos Santos e Cleyton de Oliveira de Souza Paulino, de 43 e 27 anos, ocorreram no dia 23 de novembro de 2023, dentro do Shopping Popular de Cuiabá. As investigações da DHPP apontaram que mãe e filho contrataram Sílvio Júnior Peixoto para matar o comerciante Gersino. A outra vítima, Cleyton, não era alvo, porém foi atingida no momento da execução pelo mesmo disparo. Motivação Dias antes do duplo homicídio, um filho da mandante, Girlei Silva da Silva, de 31 anos, conhecido pelo apelido de “Maranhão”, foi morto no bairro Santa Laura, em Cuiabá. A família da vítima atribuiu a Gersino Rosa a encomenda da morte de Maranhão. Eles decidiram, então, matar o comerciante como vingança. Prisões O executor do duplo homicídio teve o mandado de prisão cumprido em março de 2024, após ser localizado na cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Mãe e filho foram presos em abril de 2024, na cidade de Campo Grande (MS). No endereço dos alvos, os policiais civis apreenderam três armas de fogo, sendo dois revólveres de calibre 38 e uma pistola 9 mm, que é, provavelmente, a arma usada nos homicídios do shopping. Uma quarta arma, letal, em formato de caneta, também foi apreendida com os investigados.
Caso Andreson Gonçalves: o peso da seletividade e o silêncio de quem também deveria responder
Por Alex Rabelo | MT Urgente News O nome de Andreson de Oliveira Gonçalves voltou a ocupar espaço nos noticiários e nas conversas de bastidores em Mato Grosso. Acusado de atuar como lobista e intermediário em um suposto esquema de venda de sentenças, ele se tornou o principal alvo de um caso que expõe as fragilidades e contradições do sistema de Justiça. Mas, entre tantas acusações, uma pergunta continua sem resposta: por que apenas ele está sendo punido? “Se ele não deu as sentenças, quem deu? E quem comprou?” A investigação mostra que Andreson não tinha poder para conceder decisões judiciais. Ele não “deu” sentenças — mas alguém deu. E, se houve uma suposta venda, alguém comprou. Essa é a pergunta que mais se repete entre juristas, advogados e pessoas próximas ao caso: quem são os outros envolvidos? Documentos obtidos pela imprensa nacional revelam que o suposto esquema envolvia advogados, clientes e até servidores de gabinetes de instâncias superiores, que tinham acesso antecipado a minutas de decisões. Mesmo assim, só um nome se tornou público, sofreu punições e foi exposto de forma implacável: o de Andreson Gonçalves. “Ele pode ter errado, mas não foi o único” Em entrevista ao MT Urgente News, familiares de Andreson afirmam que vivem dias de sofrimento e perplexidade diante da seletividade da Justiça. “Estamos destruídos. E ele está pagando sozinho por investigação da polícia federal que o próprio relator questiona.E pede que sejam conclusivos. A Justiça precisa ser igual pra todos”, disse um parente. Outro membro da família reforçou: “Nem nós e nem ele fugimos de nada. Desde o começo, ele sempre colaborou com as investigações, nunca se negou a esclarecer nada. Ele quer mostrar a verdade, mas precisa ter condições de saúde pra isso.” O desabafo vem acompanhado de indignação: “Será que tudo isso é porque ele é preto? Porque o peso da mão da Justiça, nesse caso, parece ser só pra um lado.” O lado humano que muitos ignoram Os laudos médicos anexados ao processo comprovam que Andreson sofre de síndrome restritiva e disabsortiva, resultado de um procedimento bariátrico realizado há alguns anos. A cirurgia, conhecida como bypass gástrico, altera o funcionamento do sistema digestivo, reduzindo a capacidade de absorção de nutrientes e exigindo alimentação especial e suplementação intravenosa periódica. De acordo com os documentos, Andreson precisa receber vitaminas, aminoácidos e minerais a cada 15 dias, pois o organismo não consegue reter os nutrientes ingeridos de forma natural. A falta desse tratamento pode causar anemia profunda, fraqueza extrema, depressão e até risco de morte. Além da condição física, os laudos também apontam abalo psicológico grave, com sintomas de ansiedade e estresse pós-traumático, agravados pelos meses em regime fechado. Os relatórios alertam que o retorno ao ambiente prisional representa risco real à integridade física e mental do paciente. Doenças reais, não forjadas Diferente do que alguns veículos chegaram a sugerir, os exames e relatórios médicos descartam qualquer simulação ou fingimento. A chamada “greve de fome” atribuída a Andreson nunca foi um ato de rebeldia — mas sim consequência direta da incapacidade do organismo de absorver nutrientes após a cirurgia. Trata-se de um quadro clínico complexo, que exige acompanhamento médico e suplementação constante para garantir a sobrevivência. Quem responde e quem se cala Enquanto Andreson enfrenta os processos, as dores e o peso de uma exposição pública devastadora, os nomes dos supostos beneficiados pelas sentenças permanecem em silêncio. As investigações mostram que havia um sistema que não funcionava sozinho, mas até agora, apenas um personagem tem sido punido. “Não buscamos impunidade. Queremos justiça — mas uma justiça completa, que alcance todos os lados”, disse uma das pessoas próximas à família. Por trás do nome, uma história de dor e desigualdade Por trás das manchetes e das acusações, existe um homem doente, uma família em sofrimento e uma pergunta que ecoa com força: até quando a Justiça vai escolher a quem punir e a quem proteger? O caso Andreson Gonçalves vai além das fronteiras do processo. Ele se tornou um espelho incômodo de uma verdade que muitos evitam encarar: a Justiça brasileira ainda pesa de forma desigual — e, muitas vezes, escolhe o lado mais fraco para fazer exemplo. 📍Reportagem Especial – MT Urgente News Por Alex Rabelo – Jornalista e Analista Político