A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (19), uma nova fase da Operação Tacada Final, voltada a desarticular um grupo criminoso responsável pelo transporte de grandes cargas de cocaína pelas rodovias de Mato Grosso.Ao menos quatro pessoas foram presas preventivamente durante o cumprimento de mandados em endereços de Várzea Grande. A ação tem como base duas apreensões realizadas no ano passado, que somam quase uma tonelada de droga. Quadrilha usava compartimentos modificados para ocultar a droga Segundo a PF, o grupo atuava de forma estruturada: veículos eram adaptados com compartimentos ocultos, permitindo que grandes quantidades de cocaína fossem transportadas de forma disfarçada pelas rodovias que cortam o estado. Os investigadores apontam que a quadrilha movimentava cargas expressivas e utilizava rotas estratégicas para tentar driblar a fiscalização. Primeira apreensão: 441 kg de cocaína na BR-070 A investigação começou a avançar em julho de 2024, quando agentes federais interceptaram um caminhão-guincho carregado com 441 kg de cocaína.A droga estava escondida de maneira profissional no veículo, apreendido na BR-070. A apreensão chamou atenção pela forma como a carga estava preparada, indicando alto nível de organização. Segunda apreensão: 552 kg de cocaína em casa abandonada Em outubro de 2024, outra etapa da investigação resultou na apreensão de 552 kg de cocaína encontrados dentro de um imóvel abandonado no bairro Residencial Jacarandá, também em Várzea Grande. O local funcionava como “depósito temporário” usado pela quadrilha para armazenar a droga antes do transporte. Operação desta quarta: prisões e apreensão de veículos e eletrônicos Na operação desta quarta-feira, a PF cumpriu: 4 mandados de prisão preventiva mandados de busca e apreensão em vários endereços ligados aos investigados Além das prisões, foram apreendidos: aparelhos eletrônicos documentos veículos utilizados pela quadrilha Um vídeo divulgado pela PF mostra o momento em que os agentes entram em um dos imóveis alvos da operação. Investigação continua A Polícia Civil também participa da apuração, dando suporte às análises e possíveis desdobramentos relacionados ao tráfico interestadual e à lavagem de dinheiro. A Operação Tacada Final segue em andamento para identificar outros envolvidos no esquema e mapear toda a cadeia de logística usada pelos criminosos.
ALMT aprova reajuste de 6,8% aos servidores do TJMT após semanas de embate com o governo Mauro Mendes
Em uma sessão marcada por tensão, articulação política e forte presença dos servidores do Judiciário, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou, na manhã desta quarta-feira (19), em segunda votação, o projeto de lei que concede reajuste salarial de 6,8% aos servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O tema abriu o grande expediente e dominou a pauta da Casa. As galerias ficaram completamente lotadas, com servidores que acompanharam cada passo da votação — que já vinha se arrastando desde outubro. A primeira votação ocorreu no dia 22 de outubro. Semanas de conflito entre governo e parlamentares A aprovação encerra um dos mais intensos confrontos recentes entre o governo Mauro Mendes (União Brasil) e a Assembleia. O Executivo atuou firmemente nos bastidores para impedir o reajuste, alegando risco ao equilíbrio das contas públicas. Durante semanas, deputados ligados ao governo utilizaram o mecanismo de pedido de vistas para adiar o avanço da matéria. O movimento irritou servidores e desgastou a própria base aliada. Ao abrir a sessão desta quarta, o presidente da Assembleia, Max Russi (PSB), foi direto: “Não cabem mais pedidos de vistas.” Com essa declaração, Max encerrou a principal ferramenta usada para travar o projeto. Última manobra foi neutralizada por articulação interna Ainda havia uma possibilidade: o sobrestamento, recurso que paralisa todas as votações enquanto houver vetos pendentes. Prevendo a estratégia, Max Russi articulou antecipadamente com deputados governistas e com a Casa Civil para evitar que o pedido chegasse à mesa. E funcionou. “A base não usou esse instrumento e a Casa Civil também não. Muitos não entenderiam esse movimento, que poderia trancar a pauta e impedir a votação deste projeto”, disse Max, ao justificar o acordo. Sem mecanismos de obstrução, a votação foi imediata — e rápida. Governo tentou barrar reajuste com discurso fiscal O governador Mauro Mendes atuou contra o reajuste, afirmando que o aumento poderia comprometer o equilíbrio fiscal do Estado.Sua posição foi reforçada pela Portaria nº 165/2025, publicada em 11 de novembro, que: determinou o contingenciamento de R$ 852,2 milhões no Executivo; reforçou a narrativa de austeridade; serviu como argumento para tentar impedir o avanço do reajuste. Mesmo assim, a maioria dos parlamentares se posicionou ao lado dos servidores. O que está em jogo A aprovação do reajuste: demonstra a força do Judiciário e sua capacidade de mobilização; expõe um desgaste real entre o Executivo e parte da sua própria base na Assembleia; mostra que o presidente Max Russi conseguiu administrar a pressão política e conduzir a votação sem rupturas. Agora, o projeto segue para sanção ou veto do governador, que tem 15 dias para decidir.
Força Tática prende homem por tráfico de drogas e apreende porções de cocaína e maconha
O homem é monitorado por meio de tornozeleira eletrônica e já possui passagem criminal Policiais militares da Força Tática do 1º Comando Regional prenderam um homem, de 25 anos, por tráfico ilícito de drogas, nesta terça-feira (18.11), em Várzea Grande. Com o suspeito, foram apreendidas dez porções de maconha e 14 porções de cocaína, e uma quantia de R$375,00 em dinheiro. Durante patrulhamento tático, os policiais receberam uma denúncia da equipe de inteligência de que um homem estava comercializando entorpecentes em frente a uma residência no bairro Mapim. Os militares se deslocaram até o endereço e localizaram o suspeito. Na abordagem, foram encontradas duas porções de maconha e três porções de cocaína e uma quantia em dinheiro. Questionado sobre as drogas, o suspeito confirmou a venda e que possuía mais quantidades escondidas em um terreno baldio ao lado da residência. Durante as buscas pelo local, os policiais encontraram mais oito porções de maconha e 11 porções de cocaína, além de material para preparo. O homem é monitorado por meio de tornozeleira eletrônica e a equipe identificou que ele já possui passagem criminal por tráfico de drogas. Diante dos fatos, o suspeito foi conduzido para a Central de Flagrantes de Várzea Grande, com o material apreendido, para as providências que o caso requer. Disque-denúncia A sociedade pode contribuir com as ações da Polícia Militar de qualquer cidade do Estado, sem precisar se identificar, por meio do 190 ou 0800.065.3939. *Sob supervisão Wellyngton Souza
Assembleia deve aprovar reajuste do Judiciário mesmo sob pressão do governo Mauro Mendes
A pressão do Governo do Estado não deve impedir a aprovação, pela segunda vez, do projeto que concede reajuste real de 6,8% aos servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso. A votação está marcada para esta quarta-feira (19), e 16 dos 24 deputados estaduais já confirmaram que votarão a favor da proposta — número suficiente para garantir a aprovação. O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (PSB), afirma que só votaria em caso de empate, mas já adiantou seu posicionamento: “Se precisasse, meu voto seria com os servidores. Mas, pelo que estou ouvindo, a maioria está consolidada.” Base governista rachada O governo Mauro Mendes (União) vinha tentando articular para barrar o reajuste, alegando risco de impacto nos investimentos. Mesmo assim, parte da própria base rompeu a orientação do Paiaguás. Entre eles: Dr. Eugênio (PSB) – votou contra na 1ª votação, pediu vista na CCJ, mas agora declara voto a favor; Paulo Araújo (PP) – se absteve na primeira votação como forma de protesto, agora confirma voto favorável; Silvano Amaral (MDB) – suplente que assumiu no lugar de Juca do Guaraná, votará a favor. Também já declararam votos favoráveis: Lúdio Cabral (PT), Janaina Riva (MDB), Valdir Barranco (PT), Eduardo Botelho (União), Wilson Santos (PSD), Júlio Campos (União), Gilberto Cattani (PL), Faissal Calil (Cidadania), Dr. João (MDB), Diego Guimarães (Republicanos), Valmir Moretto (Republicanos), Carlos Avallone (PSDB) e Fábio Tardin (PSB). Quem ainda resiste O líder do governo, Dilmar Dal Bosco (União), afirmou que não pretende obstruir a sessão. Questionado se orientará a bancada governista a votar contra, não respondeu. O vice-líder, Beto 2 a 1 (União), reafirmou que manterá o voto contrário. Deputados que não responderam: Sebastião Rezende (União) Nininho (Republicanos) Thiago Silva (MDB) Elizeu Nascimento (PL) Já o deputado Chico Guarnieri (PSD), que pediu vista, informou que ainda discute com sua equipe jurídica qual posicionamento tomará. Irregularidades podem se repetir? Entenda o que está em votação O projeto foi enviado pelo próprio Tribunal de Justiça, que defende o reajuste como necessário para recompor perdas inflacionárias. Caso seja aprovado, o governador Mauro Mendes terá 15 dias para sancionar ou vetar o texto. Mesmo com o aumento de tensão entre Executivo e Legislativo, a votação tende a ser rápida e sem obstruções, marcando uma das maiores derrotas do governo na atual legislatura — caso o resultado previsto se confirme.
TCE-MT aponta irregularidades gravíssimas nas contas de Cuiabá de 2024; julgamento é suspenso após pedido de vista
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) interrompeu, nesta terça-feira (18), o julgamento das contas anuais da Prefeitura de Cuiabá referentes ao exercício de 2024, último ano da gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD). O conselheiro Valter Albano pediu vista do processo após o relator, José Carlos Novelli, votar pela não aprovação das contas e apontar uma série de irregularidades consideradas de alta gravidade. Relator recomenda reprovação das contas de Emanuel Pinheiro Em seu voto, Novelli destacou que a situação fiscal da capital piorou significativamente em relação a 2023. Ele classificou o cenário como de “grave desequilíbrio financeiro”, com impacto direto na continuidade dos serviços públicos e na estabilidade do regime próprio de previdência dos servidores municipais. “As irregularidades são gravíssimas e refletem danos à qualidade dos serviços públicos e à sustentabilidade fiscal do município. Diante disso, voto pela emissão de parecer prévio contrário à aprovação das contas de 2024 da Prefeitura de Cuiabá sob responsabilidade de Emanuel Pinheiro”, afirmou o relator. O que o relatório técnico encontrou A análise preliminar da 5ª Secretaria de Controle Externo identificou 17 irregularidades, sendo: 9 gravíssimas 5 graves 3 moderadas Após defesa do ex-prefeito e reavaliação técnica, foram sanadas: 1 irregularidade gravíssima, 2 graves, 2 moderadas, mas 6 irregularidades gravíssimas permaneceram. Entre os principais problemas, o relator citou: ❌ 1. Falta de aplicação mínima na Educação O município não aplicou o mínimo constitucional de 25% na manutenção e desenvolvimento do ensino público. ❌ 2. Contas classificadas como “conceito C” A gestão de 2024 foi enquadrada como “em dificuldade”, segundo os critérios técnicos do TCE. ❌ 3. Déficit orçamentário e financeiro crescente Déficit de execução orçamentária: R$ 64 milhões Déficit financeiro: R$ 806 milhões Disponibilidade financeira negativa ❌ 4. Assunção de despesas sem caixa nos últimos quadrimestres Foram identificados R$ 579,1 milhões em despesas assumidas sem disponibilidade financeira — conduta vedada pela Lei de Responsabilidade Fiscal. ❌ 5. Restos a pagar sem cobertura financeira O município acumulou R$ 682 milhões em restos a pagar sem lastro financeiro. ❌ 6. Gastos sem controle de legalidade O relator apontou que houve despesas autorizadas sem o devido controle jurídico e sem observância às normas de transparência, reforçando que delegar competência a secretários não exclui a responsabilidade do chefe do Executivo. Irregularidades afastadas após defesa Foram retiradas do processo: Suposto aumento irregular de subsídios na PGM (concluiu-se que não houve favorecimento). Repasse acima do limite constitucional para a Câmara Municipal (valores extras devolvidos ainda em 2024). Ausência de previsão de aposentadoria especial para agentes comunitários (irregularidade sanada). Pedido de vista interrompe julgamento Após o voto do relator, o conselheiro Valter Albano solicitou vista, afirmando que precisa analisar o processo com “o tempo necessário”. O conselheiro Antônio Joaquim adiantou voto e acompanhou o relator, afirmando que as contas de 2024 apresentam quadro ainda mais grave do que 2023. Os conselheiros Sérgio Ricardo, Campos Neto e Waldir Teis aguardam o retorno do processo após a análise de Albano.