A vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia, deu uma demonstração clara de que não ocupa um cargo meramente simbólico na administração municipal. Após a retirada de sua autonomia orçamentária — medida que gerou forte repercussão política e críticas públicas —, Vânia não se calou, não recuou e tampouco aceitou ser colocada em segundo plano. O resultado foi a devolução da autonomia, em um movimento que evidenciou força política, independência e compromisso com a gestão pública. A decisão do prefeito Abilio Brunini de restabelecer o orçamento da Vice-Prefeitura ocorre após o posicionamento firme de Vânia, que deixou claro que não aceitaria ser tratada como figura decorativa dentro da administração. A reação não foi apenas institucional, mas política: mostrou que a vice-prefeita conhece seus direitos, entende o papel que exerce e está disposta a defendê-lo. Com uma trajetória marcada pela disciplina, liderança e experiência administrativa, Coronel Vânia construiu sua carreira muito antes de chegar à política eleitoral. Coronel da reserva, com atuação reconhecida na área da segurança pública e gestão, ela carrega um perfil técnico, estratégico e, ao mesmo tempo, sensível às demandas sociais de uma capital que enfrenta desafios históricos. Diferente de figuras que entram na política apenas para compor chapas ou cumprir acordos eleitorais, Vânia tem demonstrado que não aceita o papel de “vice de fachada”. Sua postura reforça uma mensagem importante no cenário político atual: cargos eletivos exigem protagonismo, responsabilidade e participação efetiva nas decisões. Nos bastidores, a leitura é clara. Ao enfrentar a situação de forma direta e transparente, a vice-prefeita consolidou sua posição dentro da gestão e ampliou seu respeito político. Não se trata apenas de orçamento, mas de autonomia para trabalhar, planejar ações e contribuir de forma concreta para o desenvolvimento de Cuiabá. A reação também ecoou positivamente entre lideranças políticas e setores da sociedade, que enxergam em Coronel Vânia um perfil raro: alguém que não se submete a jogos de poder, não aceita ser usada apenas como peça eleitoral e não abre mão de suas convicções. O episódio reforça que Cuiabá tem hoje uma vice-prefeita com voz própria, experiência de gestão e disposição para enfrentar desafios. Mais do que isso, mostra que Coronel Vânia ainda tem muito a contribuir com a cidade — e que seu espaço na política não foi conquistado para ser ocupado de forma passiva, mas para gerar resultados.
Às vésperas do júri da morte de sua filha, deputado Gilberto Cattani desabafa: “Não acredito mais em Justiça”
A pouco mais de um mês do julgamento dos dois acusados de assassinar sua filha, Raquel Maziero Cattani, de 26 anos, o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) concedeu uma das declarações mais duras e emocionais desde o crime que abalou Mato Grosso. Com o Júri Popular marcado para 22 de janeiro de 2026, na comarca de Nova Mutum, o parlamentar afirma estar desacreditado do sistema de Justiça, expondo um sentimento compartilhado por muitas famílias que, assim como ele, enfrentam a perda violenta de uma mulher vítima de feminicídio. “Não acredito mais em Justiça”: fala de Cattani ecoa a dor de milhares de famílias Em tom firme e carregado de emoção, Cattani desabafou que não deposita mais esperança no desfecho do julgamento, apesar do entusiasmo de sua esposa, Sandra Maziero Cattani, que deve acompanhar presencialmente toda a sessão. “Eu não creio em justiçamento. Não acredito muito em Justiça mais. O que for feito, vai ser feito. Da minha parte, não tenho expectativa, é só esperar o que vai acontecer.” O parlamentar descreveu um sentimento de profunda frustração com o funcionamento do Judiciário, criticando especialmente o modelo que, segundo ele, não protege as vítimas e ainda garante, com recursos públicos, a defesa de acusados de crimes brutais. “No nosso país não há Justiça mais. A defensoria pública defende, com nosso dinheiro, quem tira a vida de cidadão honesto. A única Justiça que eu conheço é quando a vítima é atendida e o agressor é punido da mesma forma. Hoje ficam órfãos meus netos, e as demais vítimas de feminicídio que não são assistidas pelo Estado.” As declarações de Cattani ganham força pelo simbolismo de sua trajetória: um pai que perdeu a filha de maneira brutal, mas que tem transformado a dor em luta política, propondo leis e cobrando mudanças estruturais na proteção às mulheres e aos órfãos de feminicídio. O crime que chocou o Estado Raquel Maziero Cattani foi assassinada em 18 de julho de 2024, no Rancho PH, no Assentamento Pontal do Marape, em Nova Mutum. De acordo com o Ministério Público, o crime foi motivado pelo inconformismo de Romero Xavier Mengarde, ex-marido da vítima, que não aceitava o fim do relacionamento após 10 anos de casamento. Segundo a denúncia: Romero teria oferecido R$ 4 mil ao irmão, Rodrigo Xavier Mengarde, para cometer o assassinato; Rodrigo teria aguardado Raquel dentro da casa e a atacado com golpes de arma branca; A perícia apontou múltiplas lesões, caracterizando meio cruel e extrema brutalidade; Após o crime, Rodrigo ainda teria furtado pertences da vítima e fugido na motocicleta dela. Ambos irão a julgamento por: Feminicídio Motivo torpe Emboscada Promessa de recompensa Homicídio qualificado Julgamento será presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski A magistrada determinou: réus presentes no plenário em roupas civis, sem algemas; apresentação de objetos e armas usadas no crime; oitiva de testemunhas de acusação e defesa, incluindo a mãe da vítima; plenário integralmente presencial. Raquel Cattani: a jovem produtora que transformou a queijaria da família em referência nacional Raquel era fundadora da Queijaria Cattani, onde produzia queijos artesanais premiados. Aos 26 anos, era reconhecida nacionalmente pela qualidade dos produtos e pela dedicação ao trabalho. Sua morte interrompeu uma trajetória promissora e deixou dois filhos pequenos, que hoje inspiram Cattani a seguir lutando. Uma fala que representa milhares O desabafo do deputado revela mais do que a dor de um pai: expõe um sistema que, muitas vezes, falha com as vítimas e com quem fica. Sua fala ecoa o sentimento de famílias que enfrentam os mesmos traumas, processos lentos, sensação de impunidade e um Estado que ainda não consegue proteger plenamente mulheres em situação de risco — nem amparar as crianças que ficam órfãs. À medida que o julgamento se aproxima, cresce não apenas a expectativa pela condenação, mas pela reflexão: quantas Raquéis ainda precisarão morrer para que o sistema funcione?
TCE-MT forma lista tríplice para vaga de Valter Albano; Alisson Alencar desponta como favorito para assumir cadeira histórica
Os conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) definiram, em sessão extraordinária realizada na manhã desta terça-feira (23), a lista tríplice que será encaminhada ao governo estadual para escolha do substituto do conselheiro Valter Albano, que se aposenta após mais de duas décadas de atuação. O procurador de Contas Alisson Carvalho de Alencar foi o nome mais indicado pelos membros da Corte e aparece como o favorito para assumir a vaga. Albano se aposenta, mas permanece atuando Apesar da aposentadoria, Valter Albano continuará contribuindo com o Tribunal. O presidente da Corte, Sérgio Ricardo, explicou que Albano seguirá colaborando em comissões internas — um caso considerado atípico dentro das Cortes de Contas pelo país. “O conselheiro Valter vai se aposentar e não vai embora. Ele continuará trabalhando nas comissões, talvez até mais do que antes”, afirmou Sérgio Ricardo. A permanência reforça o peso institucional de Albano, que ingressou no Tribunal em 2001, indicado pelo então governador Dante de Oliveira. Sua trajetória inclui passagens por secretarias estaduais, pela Secretaria de Fazenda e pelo Incra, além de ser reconhecido como uma das vozes mais influentes na modernização do sistema de controle externo em Mato Grosso. Como ficou a lista tríplice A votação seguiu a ordem de preferência dos conselheiros. A lista enviada pelo Ministério Público de Contas já havia indicado, por ordem: Alisson Carvalho de Alencar Gustavo Coelho Deschamps William de Almeida Brito Júnior Apenas os conselheiros Guilherme Malouf e Domingos Campos Neto divergiram da ordem original. No computado geral, Alisson foi o mais votado entre os membros do Tribunal. A composição final será agora enviada ao Governo do Estado. Como o governador Mauro Mendes está de férias, caberá ao governador em exercício, Otaviano Pivetta, escolher um dos nomes e encaminhá-lo para sabatina na Assembleia Legislativa (ALMT). Após aprovação dos deputados, o indicado retorna ao Executivo para nomeação e posse. Momento histórico para o Tribunal A sucessão de Albano foi tratada como um marco institucional. Para diversos conselheiros, a vaga representa uma mudança significativa porque, pela primeira vez em décadas, um membro oriundo do Ministério Público de Contas pode assumir uma cadeira no Pleno. O conselheiro Antônio Joaquim ressaltou que a composição atual do TCE-MT praticamente não conta com membros vindos das carreiras internas: “É uma sessão histórica. O Tribunal de Contas de Mato Grosso é um dos únicos do país que não tem, no seu plenário, representantes das carreiras internas. Essa é a primeira vaga aberta desde que fomos indicados pelo governador Dante. A contribuição do Valter Albano é imensa.” Valdir Júlio Teis também destacou o legado do colega: “O Valter modernizou o Tribunal. Ele deixa um legado enorme. Mesmo aposentado, continuará sendo chamado de conselheiro.” Favorito reconhece responsabilidade Durante a sessão, Alisson Alencar agradeceu a indicação e destacou a responsabilidade de ocupar a vaga de Albano: “É uma honra e uma extrema responsabilidade assumir uma cadeira tão desejada. A responsabilidade é ainda maior por ser a vaga de alguém que sempre foi inspiração, tanto pelo senso de justiça quanto pela qualidade técnica.” O conselheiro Guilherme Malouf também reforçou o perfil conciliador do procurador: “O doutor Alisson tem papel harmonizador importante e qualifica as ações do tribunal. Sua vinda é de grande importância.” Quem é Valter Albano Poderia permanecer no cargo até agosto de 2027 (aposentadoria compulsória). Ingressou em 2001, indicado por Dante de Oliveira. Já foi secretário estadual de Educação, secretário municipal de Administração, secretário adjunto de Fazenda e superintendente do Incra. É reconhecido nacionalmente como referência no controle externo. Próximos passos Lista tríplice segue para o governador em exercício, Otaviano Pivetta. Pivetta escolhe um dos nomes. Indicado passa por sabatina na Assembleia Legislativa. Após aprovação, nome retorna ao Executivo para nomeação. Novo conselheiro toma posse no TCE-MT. A escolha é considerada uma das mais relevantes dos últimos anos para a Corte de Contas e definirá o perfil técnico-institucional do Tribunal para a próxima década.
ALMT aprova pacote fiscal após articulação de Max Russi e garante redução de impostos, incentivos econômicos e segurança jurídica para 2026
Alex RabeloJornalista e analista político A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) encerrou o ano legislativo com uma pauta robusta e decisiva para a economia do estado. Após intensa articulação conduzida pelo presidente Max Russi (PSB), os deputados aprovaram um conjunto de projetos enviados pelo governo Mauro Mendes (União) e que serão sancionados pelo governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos). A votação só foi possível depois que o Poder Executivo cumpriu integralmente o compromisso de empenhar todas as emendas parlamentares, independentemente de serem ou não impositivas. Ao todo, foram R$ 1,019 bilhão empenhados, sendo R$ 785,7 milhões liquidados e R$ 757,8 milhões já pagos. Com o impasse solucionado, a ALMT destravou a agenda e aprovou medidas que impactam diretamente empresários, contribuintes, municípios e setores estratégicos. Protagonismo da ALMT e liderança de Max Russi A condução política da pauta reforçou o protagonismo da Assembleia Legislativa. Max Russi destacou que as medidas aprovadas representam “responsabilidade fiscal, diálogo e compromisso com o desenvolvimento do estado”. Segundo o presidente: “O objetivo é garantir segurança jurídica, aliviar o setor produtivo, incentivar o turismo e melhorar a vida das pessoas. São ações que refletem maturidade institucional e fortalecem a economia mato-grossense.” Perdão de débitos da TACIN e isenção total em 2026 Entre as medidas mais aguardadas está o perdão dos débitos acumulados da Taxa de Segurança Contra Incêndio (TACIN) referentes a todos os exercícios até 31 de dezembro de 2025. Além do perdão, foi aprovada: ✔ isenção total da TACIN para 2026. A iniciativa atende empresários que ficaram anos sob insegurança jurídica, já que a taxa passou por longos questionamentos até ser considerada constitucional pelo STF em 2025. Regularização do ITCD com reduções expressivas O pacote também cria um programa especial de regularização do ITCD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), prevendo: redução de até 80% das multas e 100% dos juros para pagamento à vista; parcelamento com redução de 70% das multas e 100% dos juros; atualização obrigatória do valor de bens e cotas declaradas abaixo do mercado. A regulamentação será definida por decreto. Voe MT reestruturado: alíquota do QAV poderá cair a 2,72% Outro ponto central do pacote é a reestruturação do Voe MT, programa de incentivo à aviação regional. A proposta aprovada pela ALMT permite uma redução progressiva da alíquota do ICMS sobre o querosene de aviação (QAV), podendo chegar a 2,72%, desde que empresas ampliem voos e atendam mais municípios. Max Russi destacou o impacto econômico: “O turismo movimenta mais de 50 atividades econômicas. Fortalecer a aviação regional é aproximar cidades, abrir mercado e gerar emprego.” Representantes do setor hoteleiro e empresarial também elogiaram a medida. Incentivo às microcervejarias O limite de produção anual das microcervejarias foi ampliado de 3 milhões para 5 milhões de litros. O objetivo é: estimular pequenos produtores; acompanhar políticas adotadas por outros estados; dar competitividade às marcas artesanais de Mato Grosso. Medidas de segurança jurídica e novas prorrogações tributárias O pacote aprovado inclui ainda: prorrogação, até 2032, dos benefícios do COMEX/MT; isenções para Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), biogás e biorrefinarias; incentivos ao setor de panificação industrial; confirmação de convênios nacionais de ICMS. Todas as medidas foram acompanhadas de estudo técnico e respeitam os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Indústria, comércio e turismo celebram os avanços O vice-presidente da FIEMT, Sérgio Antunes, afirmou que as medidas vão impulsionar investimentos e gerar reflexos positivos ao consumidor: “O governo e a Assembleia entregam um pacote que incentiva quem produz e traz benefícios diretos ao cidadão.” O primeiro-secretário da ALMT, Dr. João José (MDB), também ressaltou a importância das iniciativas: “Toda ação que melhora a vida das pessoas e facilita o trabalho do setor produtivo tem o meu apoio. Esse pacote é importante para o desenvolvimento do estado.” ALMT fecha o ano fortalecida e com entregas estratégicas O pacote fiscal aprovado reforça: o papel estruturante da ALMT; a capacidade de articulação de Max Russi; a sintonia institucional entre Legislativo e Executivo; e o compromisso com políticas de incentivo econômico, equilíbrio fiscal e modernização tributária. As medidas passam a valer a partir de 2026 após sanção de Otaviano Pivetta.