Por Alex Rabelo – Jornalista e Analista Político Poucos nomes da história recente do Brasil provocaram tamanha transformação no comportamento político da população quanto Jair Messias Bolsonaro. Mais do que presidente, Bolsonaro se tornou um marco geracional, um divisor de águas entre um Brasil apático politicamente e um país que voltou a discutir poder, Estado, liberdade, valores e identidade nacional. Das Forças Armadas à política Jair Bolsonaro nasceu em 21 de março de 1955, em Glicério, interior de São Paulo. Ingressou na carreira militar, formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e chegou ao posto de capitão do Exército Brasileiro. Ainda na vida militar, já demonstrava perfil crítico, direto e avesso a hierarquias políticas tradicionais. Sua entrada na política ocorreu no final dos anos 1980, em um Brasil recém-saído da ditadura e mergulhado em instabilidade institucional. Vereador e deputado federal por quase três décadas Em 1988, Bolsonaro foi eleito vereador do Rio de Janeiro, exercendo mandato entre 1989 e 1990. No ano seguinte, deu início a uma longa trajetória no Congresso Nacional. De 1991 a 2018, Jair Bolsonaro foi deputado federal por sete mandatos consecutivos, representando o estado do Rio de Janeiro. Durante quase 30 anos, construiu uma imagem de parlamentar combativo, defensor das Forças Armadas, da segurança pública, da liberdade individual e crítico do sistema político tradicional. Por muitos anos foi tratado como figura marginal no Congresso. Mas o que parecia isolamento político revelou-se, com o tempo, conexão direta com uma parcela silenciosa da sociedade brasileira. A eleição de 2018 e a facada que mudou o país O ano de 2018 entrou para a história. Durante a campanha presidencial, Bolsonaro crescia nas pesquisas com um discurso duro contra corrupção, sistema político, aparelhamento do Estado e criminalidade. Em 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora (MG), Jair Bolsonaro foi vítima de um atentado a faca, em um episódio que chocou o Brasil e o mundo. A tentativa de assassinato quase lhe custou a vida. Foram múltiplas cirurgias, internações prolongadas e sequelas que ele carrega até hoje. A facada não interrompeu sua candidatura — impulsionou um movimento popular. Milhões de brasileiros passaram a ver em Bolsonaro não apenas um candidato, mas alguém que simbolizava resistência contra um sistema que eles rejeitavam. Em outubro de 2018, Jair Bolsonaro foi eleito Presidente da República, com mais de 57 milhões de votos. Presidente do Brasil (2019–2022) Bolsonaro assumiu a Presidência em 1º de janeiro de 2019, liderando um governo marcado por rupturas com práticas tradicionais. Seu mandato foi caracterizado por: Defesa aberta de pautas conservadoras Valorização da liberdade econômica Autonomia do Banco Central Avanços em infraestrutura e logística Reformas estruturais, como a Reforma da Previdência Redução do tamanho do Estado em diversos setores Reforço ao discurso de soberania nacional Foi também um governo de enfrentamentos intensos: com a imprensa tradicional, com o Judiciário, com setores da política e durante a pandemia da Covid-19 — um período que acentuou ainda mais a polarização nacional. O slogan que virou identidade nacional Poucos líderes conseguiram transformar um slogan em símbolo cultural. “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” A frase ultrapassou campanhas eleitorais. Virou grito de torcida, refrão de músicas, palavra de ordem em manifestações, presença constante em shows, estádios, carreatas, eventos religiosos e atos cívicos. O verde e amarelo, antes restrito à Copa do Mundo, voltou às ruas. A bandeira nacional passou a ser exibida com orgulho em fachadas de lojas, sacadas de prédios, residências, carros e espaços públicos. Bolsonaro resgatou o patriotismo, algo que havia sido esvaziado ao longo de décadas. Ele devolveu ao brasileiro comum o sentimento de pertencimento à nação. A eleição de 2022 e a consolidação de um legado Em 2022, Jair Bolsonaro disputou a reeleição e foi derrotado por margem apertada. Ainda assim, saiu do processo como o líder político com a maior base popular organizada da direita brasileira. Mesmo fora da Presidência, Bolsonaro permaneceu como principal referência política de milhões de brasileiros. Seu nome segue presente no debate público, em manifestações, nas redes sociais e no imaginário popular. Saúde fragilizada, resistência intacta Desde a facada de 2018, Bolsonaro enfrentou uma sequência de problemas de saúde, incluindo obstruções intestinais, cirurgias complexas e internações recorrentes. Ainda assim, manteve agenda pública, viagens, atos políticos e participação direta no debate nacional. Um líder que transcende cargos Jair Bolsonaro pode ser analisado sob muitas óticas, mas há um ponto incontestável:ele mudou a relação do povo com a política. Fez o brasileiro entender que política define rumos. Que votar importa. Que escolher representantes é decisivo. Que símbolos nacionais têm valor. Que amar o país não é vergonha. Esse legado não se encerra em mandatos, decisões judiciais ou eleições.Ele transcende gerações. A direita brasileira, antes fragmentada e silenciosa, ganhou voz, identidade e organização. E isso, goste-se ou não, é um fato histórico. O Brasil pós-Bolsonaro é um país politicamente desperto.E esse despertar não tem volta.
Buscas entram no 4º dia por piloto e turista desaparecidos após naufrágio no Lago do Manso
As equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso retomaram, na manhã desta quarta-feira (31), as buscas pelo piloto Vando Celso de Almeida, de 64 anos, e pelo turista Lucas Yerdliska, desaparecidos após o naufrágio de uma lancha no Lago do Manso, ocorrido na noite de domingo (28). A operação chega ao quarto dia consecutivo sem localização das vítimas. Os trabalhos haviam sido interrompidos ao anoitecer de terça-feira (30), devido às condições de visibilidade, e foram retomados nas primeiras horas da manhã. De acordo com o major Sabóia, do Corpo de Bombeiros, a área de busca está concentrada em um raio de aproximadamente um quilômetro a partir da margem, onde ocorreu o acidente. A força-tarefa mobiliza helicópteros, embarcações, mergulhadores especializados e equipamentos de sonar, utilizados para varredura subaquática. Durante a tarde de terça-feira, um ponto identificado pelo sonar chegou a levantar a hipótese de ser a embarcação naufragada, mas a possibilidade foi descartada após mergulhos no local. “Pela imagem do sonar, dava a entender que poderia ser uma embarcação, mas após a verificação subaquática isso não se confirmou”, explicou o major. Dificuldades nas buscas O Lago do Manso possui profundidade média de cerca de 20 metros, mas em alguns trechos o fundo é ainda mais profundo, com grande concentração de sedimentos. Segundo os bombeiros, quanto maior a profundidade, pior é a visibilidade, devido à baixa incidência de luz solar e à suspensão de lama e resíduos no fundo, o que dificulta o trabalho dos mergulhadores. Com aproximadamente 470 km² de área, o lago é formado pela Usina Hidrelétrica de Manso, nos rios Manso e da Casca. Apesar de ser um importante ponto turístico entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, o local não possui unidade fixa do Corpo de Bombeiros, o que exige deslocamento de equipes especializadas para operações desse porte. O acidente O naufrágio ocorreu por volta das 19h30 de domingo, quando a lancha foi atingida por um vendaval repentino, que provocou ondas fortes e instabilidade na embarcação. Além do piloto e do turista desaparecidos, estavam na lancha um casal e dois filhos pequenos. A mãe, Camila Mazzaron, e um bebê de menos de dois anos foram resgatados ainda na noite do acidente. Já o filho mais velho, que utilizava colete salva-vidas, conseguiu nadar até a margem e pedir ajuda a moradores da região. Moradora de Arapongas (PR), Camila relatou que as condições climáticas mudaram de forma abrupta. “O céu estava limpo e a água calma quando saímos. De repente, veio muito vento, muita onda, e o barco virou. Foi tudo muito rápido”, contou. As buscas seguem sem previsão de encerramento, e o Corpo de Bombeiros reforça que os trabalhos continuarão enquanto houver condições técnicas e operacionais.