Carregando...

2026: o ano em que o Brasil escolhe caminhos — e paga a conta das escolhas

Alex Rabelo
Jornalista e analista político

O início de um novo ano sempre carrega expectativas. Mas 2026 não é um ano comum. É um período em que decisões políticas, sinais econômicos e comportamento do mercado se cruzam de forma intensa, afetando diretamente empresas, investidores, trabalhadores e consumidores. Mais do que fazer previsões otimistas ou alarmistas, o momento exige análise, leitura de cenário e reflexão.

Estamos diante de um ano que tende a ser determinante para o futuro do país — e também para quem vive do comércio, do setor imobiliário e da economia real.

Um ano eleitoral que vai além dos nomes

Em 2026, o eleitor brasileiro não escolherá apenas um presidente. Estarão em jogo os governos estaduais, a renovação do Congresso Nacional, com deputados estaduais, deputados federais e dois terços do Senado. Isso significa que o resultado das urnas terá impacto direto sobre orçamento, leis, investimentos, políticas públicas e estabilidade institucional.

Governadores definem prioridades regionais, infraestrutura, segurança e ambiente para novos negócios. Deputados federais e senadores influenciam reformas, regras fiscais, teto de gastos, impostos e o próprio equilíbrio entre os Poderes. Ou seja: o voto de 2026 não é simbólico, é estrutural.

A grande reflexão é se o eleitor fará escolhas baseadas apenas em discursos e emoções ou se olhará para projetos, histórico e capacidade de entrega. Em anos eleitorais, a narrativa costuma ser barulhenta, mas as consequências são silenciosas — e duradouras.

Economia: cautela ainda é a palavra-chave

Do ponto de vista econômico, 2026 começa sob o impacto de juros elevados, que continuam sendo o principal freio do crescimento. A taxa Selic encerrou 2025 em patamar alto, e embora o mercado projete cortes ao longo de 2026, esse movimento tende a ser gradual.

Isso significa que:

  • O crédito continua caro;

  • O consumo cresce com dificuldade;

  • Investimentos exigem mais planejamento e menos impulso.

Há projeções moderadas de crescimento do PIB, algo próximo de 2%, o que indica avanço, mas longe de um cenário de euforia. Em ano eleitoral, existe pressão por medidas que aqueçam a economia, ao mesmo tempo em que o Banco Central e o mercado seguem atentos à inflação e ao risco fiscal. Esse equilíbrio será decisivo para definir se 2026 será apenas um ano de transição ou o início de uma retomada mais consistente.

O varejo em 2026: sobreviver bem é tão importante quanto crescer

Para o varejo e os lojistas, 2026 não deve ser um ano fácil — mas pode ser um ano estratégico. Com juros altos, o consumidor fica mais seletivo, pensa mais antes de comprar e compara mais preços.

Nesse cenário, o crescimento não virá apenas do volume de vendas, mas da qualidade da gestão. Controle de estoque, negociação com fornecedores, campanhas bem planejadas e comunicação eficiente passam a ser diferenciais reais.

Outro ponto relevante é o fator emocional do consumo. Em anos eleitorais, o noticiário político influencia o humor do consumidor. Oscilações no mercado, discursos mais duros e incertezas podem travar decisões de compra. O lojista que entender esse comportamento e trabalhar relacionamento, confiança e posicionamento de marca tende a sair na frente.

Mercado imobiliário: comprar, vender ou esperar?

O setor imobiliário segue diretamente ligado ao comportamento dos juros. Financiamento caro limita o acesso ao crédito e reduz o número de compradores. Ainda assim, 2026 pode apresentar janelas de oportunidade.

Para quem compra, especialmente com entrada maior ou visão de longo prazo, momentos de mercado mais frio costumam gerar melhores negociações. Para quem vende, o desafio será precificar corretamente e entender que o comprador estará mais exigente.

Já para quem pensa em construir, o cenário exige atenção redobrada. O custo do capital elevado pressiona projetos e margens. A tendência é que o setor continue ativo, mas mais seletivo, priorizando imóveis com maior liquidez, planejamento rigoroso e público bem definido.

Se os juros começarem a cair de forma consistente ao longo do ano, o segundo semestre pode trazer sinais mais positivos. Caso contrário, o mercado segue andando, porém com passos curtos e cautelosos.

O que 2026 nos pede como sociedade

Olhando o cenário político, econômico e setorial, 2026 se apresenta como um ano que exige prudência, consciência e responsabilidade. Não será um período de soluções mágicas, mas de escolhas que moldam o médio e longo prazo.

Empresários precisarão planejar mais e arriscar menos. Consumidores tendem a gastar com mais critério. E o eleitor terá nas mãos decisões que vão muito além de um mandato: elas influenciam o ambiente econômico, o crédito, os impostos e a estabilidade do país.

A pergunta que fica é simples, mas profunda:
estamos escolhendo caminhos ou apenas reagindo ao momento?

2026 será, acima de tudo, um teste de maturidade — política, econômica e social.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Cuiabá-MT 03.02.2026 21:30

Tempo Cuiabá MT

Nossos Parceiros

Categorias

Coluna Alex Rabelo

Picture of Alex Rabelo

Alex Rabelo

Sua coluna é leitura obrigatória para quem busca entender os fatos com profundidade!

Posts relacionados

Eleição não é loteria. É ciência, método e estratégia. adquira o livro a arte de ganhar eleições.

Como usar o marketing digital para virar o jogo nas urnas.