Por Alex Rabelo Jornalista e analista político Impacto já vale para 2026 e deve pautar debate eleitoral deste ano O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), sancionou nesta segunda-feira (5) um conjunto de projetos aprovados pela Câmara Municipal que promove mudanças amplas na estrutura administrativa e nos vencimentos do Legislativo. O pacote já entra em vigor em 2026 e autoriza o aumento para até 20 servidores comissionados por gabinete, cria auxílio-alimentação de R$ 1.000 para comissionados e permite que vereadores façam a conversão de férias não usufruídas em pagamento em dinheiro. As propostas foram votadas em dezembro do ano passado e, segundo a justificativa oficial, atendem a uma necessidade de reestruturação administrativa da Casa de Leis, além de correção de distorções salariais acumuladas ao longo dos últimos anos. Críticos, porém, afirmam que as medidas ampliam o custo do Legislativo e levantam dúvidas sobre o retorno prático para o cidadão nos bairros. REESTRUTURAÇÃO DOS GABINETES Cada vereador poderá ter até 20 assessores A nova legislação estabelece que cada gabinete parlamentar conte com até 20 servidores comissionados, conforme a disponibilidade de cargos. A Câmara sustenta que a ampliação tem como objetivo melhorar o atendimento à população, fortalecer a elaboração de projetos de lei e dar suporte técnico às ações de fiscalização dos vereadores. O tema divide opiniões. Para parte da sociedade, mais assessores podem significar gabinetes mais presentes nos bairros. Para opositores, o risco é de inchar a máquina pública sem que haja melhora proporcional em áreas como saúde e educação. AUXÍLIO AOS COMISSIONADOS Benefício de R$ 1 mil será incorporado à folha O auxílio-alimentação de R$ 1.000 mensais passa a ser pago diretamente aos servidores comissionados. Segundo a Mesa Diretora, a intenção é atrair profissionais qualificados e equiparar direitos com outras instituições públicas. A medida, entretanto, não alcança servidores efetivos da prefeitura e amplia a diferença entre modalidades de vínculo dentro do próprio serviço público municipal. CONVERSÃO DE FÉRIAS Venda pode dobrar impacto anual A legislação autoriza que vereadores recebam em dinheiro férias não tiradas, especialmente em casos de término de mandato, renúncia ou impedimento por necessidade do serviço. Conforme estudo divulgado pela própria Câmara: o impacto será de R$ 339 mil por ano se apenas parte utilizar; podendo saltar para R$ 700 mil anuais caso todos os 27 parlamentares adotem a conversão. A média corresponderia a R$ 12,5 mil por vereador, mas quem optar pela conversão integral poderá receber cerca de R$ 26 mil extras em um único mês, valor equivalente a um salário adicional. QUANTO CUSTA UM VEREADOR EM CUIABÁ Remuneração mensal chega a R$ 64,6 mil Atualmente, cada um dos 27 vereadores recebe: R$ 26.000 de salário; R$ 26.400 de verba indenizatória; R$ 9.100 de gratificação por desempenho; R$ 3.100 de auxílio-saúde. Somados, os valores chegam a R$ 64,6 mil mensais por parlamentar, o que representa R$ 839,8 mil por ano para cada vereador e um custo global superior a R$ 22 milhões anuais para os cofres públicos. Com o novo pacote, a remuneração e os benefícios dos cargos comissionados também são atualizados: Secretarias e Procuradoria-Geral: até R$ 16 mil; Natureza Especial: de R$ 3.600 a R$ 8 mil; Mesa Diretora: de R$ 3 mil a R$ 14 mil; Assessores parlamentares: de R$ 1.900 a R$ 14 mil. CONTRAPONTO LEGAL Declaração cita respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal No texto sancionado, a Câmara informou que as propostas foram acompanhadas de estudo de impacto orçamentário e declaração do ordenador de despesas, assegurando que as medidas estariam dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. A fiscalização futura caberá aos órgãos de controle e ao Tribunal de Contas. ANÁLISE POLÍTICA 2026 será ano de escolha e de julgamento O debate ultrapassa o prédio do Legislativo e chega às ruas. Mato Grosso entra em 2026 com temperatura política elevada: eleição geral, disputa por governo estadual, Congresso e Senado. O cidadão se pergunta se o momento econômico comporta ampliação de benefícios aos vereadores ou se a prioridade deveria ser outra. A política é feita de decisões presentes com efeitos futuros. E 2026 será o ano em que o eleitor volta a ser juiz dessas escolhas. E vocês, o que acharam desse pacote sancionado? Na visão de quem acompanha a cidade, qual vereador você reelegeria por entender que fez um grande mandato e merece continuar?
Servidores da ALMT contam com acompanhamento de saúde para a Corrida de Reis 2026
Alex RabeloJornalista e analista político A Assembleia Legislativa de Mato Grosso reforçou a mobilização para a 41ª edição da Corrida de Reis 2026, evento tradicional que abre o calendário esportivo do Centro-Oeste e será realizado no dia 11 de janeiro, no Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá. Dentro dessa mobilização, a Casa de Leis mantém atenção especial aos seus servidores, oferecendo orientação médica e suporte multidisciplinar por meio do programa Saúde e Qualidade de Vida. A iniciativa integra a política institucional de incentivo às práticas esportivas e busca unir dois objetivos: estimular a atividade física no serviço público e garantir participação segura daqueles que representarão a ALMT na prova. Incentivo parte da Mesa Diretora O secretário de Comunicação Social da ALMT, coronel Henrique Correia da Silva, destacou que o apoio ao evento está alinhado à diretriz da atual gestão, comandada pelo presidente Max Russi (PSB), de fortalecer ações voltadas ao bem-estar dos trabalhadores públicos. Correia lembrou que a atividade física é hoje ferramenta preventiva de saúde e que a Corrida de Reis, além do caráter competitivo, representa um grande encontro social já incorporado ao calendário do estado. “Incentivar nossos servidores a participarem de uma corrida tão tradicional fortalece o bem-estar e cria um ambiente mais saudável”, afirmou. Ele ressaltou ainda que a prova atrai atletas e amadores de várias regiões do Brasil e até de outros países, movimentando a cidade e envolvendo diferentes instituições públicas e privadas. Programa Qualivida assegura preparação Para dar suporte aos participantes, a ALMT utiliza a estrutura do projeto Qualivida, coordenado pela área de saúde do Legislativo. A superintendente de Saúde e Qualidade de Vida, Ivana Mattos, explicou que o trabalho começa antes mesmo da largada, com triagem completa dos interessados. A equipe montada é multidisciplinar, composta por: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos. Durante a preparação, são coletadas informações clínicas fundamentais, como histórico cardíaco, diabetes, tipo sanguíneo e condições musculares, permitindo que cada servidor receba orientação individual para o dia da corrida. “Com esse check-list conseguimos estar preparados para qualquer eventualidade e realizar o encaminhamento mais seguro, se necessário”, reforçou Ivana. Servidores aprovam iniciativa O servidor Aparecido Pereira Santana confirmou presença na prova e elogiou o acompanhamento oferecido pela ALMT. Ele já retirou o kit de participação e afirmou que a orientação médica trouxe mais tranquilidade. “Passei pelo Qualivida, fiz os acompanhamentos médicos e agora é só aproveitar”, disse. Segundo a coordenadora do projeto, Ivana Mara, o principal objetivo do programa é orientar, prevenir e estimular hábitos saudáveis, além de contribuir para o melhor desempenho dos atletas da instituição. Esporte como política pública A parceria da ALMT com a Corrida de Reis reforça um debate atual: a necessidade de o esporte ser tratado como componente permanente das políticas públicas. O incentivo institucional demonstra que a maior competição de rua do estado não é apenas uma prova, mas um movimento coletivo de promoção da saúde. Com a largada se aproximando, a expectativa é de recorde de público e participação expressiva dos servidores do Legislativo, que entram no evento com suporte técnico e estrutura profissional. 📌 Não perca tempo!Entre nos grupos exclusivos do MT Urgente no WhatsApp e receba as últimas notícias da região na palma da sua mão. Próxima folga e calendário da ALMT Após o evento, muitos servidores já perguntam: quando será a próxima folga do calendário de 2026? A ALMT informou que as pausas institucionais seguirão o cronograma oficial definido pelo estado e pela administração da Casa, com divulgação interna prevista para os próximos dias.
Abono salarial muda em 2026 e regras mais rígidas começam a reduzir público
Alex RabeloJornalista e analista político O governo federal inicia, em fevereiro de 2026, o pagamento do abono salarial do PIS/Pasep já sob um novo conjunto de regras que altera de forma gradual o acesso ao benefício. A mudança central está no critério de renda e a previsão oficial é de que milhões de trabalhadores deixem de ser elegíveis ao programa ao longo da próxima década. Para 2026, o teto de renda mensal para ter direito ao abono passa a ser limitado a R$ 2.640. Dados apresentados pela equipe econômica indicam que cerca de 3 milhões de pessoas deverão sair do benefício até 2030. Como o limite será corrigido apenas pela inflação, enquanto o salário mínimo tende a crescer acima desse índice, o público elegível será progressivamente menor, até que, por volta de 2035, apenas trabalhadores com renda de até 1,5 salário mínimo permaneçam dentro do alcance. Diferença entre inflação e salário mínimo cria exclusão silenciosa Até 2025, o abono alcançava quem recebia até dois salários mínimos, acompanhando os reajustes do mínimo nacional. A nova regra modifica essa lógica: o limite de renda passa a ser atualizado somente pelo IPCA. Se o mínimo continuar tendo ganho real acima da inflação, parte dos trabalhadores ultrapassará o teto e perderá o direito ao benefício mesmo sem melhora proporcional no poder de compra. O Ministério da Fazenda sustenta que a transição integra o pacote fiscal aprovado pelo Congresso em 2024 e que o objetivo é concentrar recursos nas faixas de menor renda e reduzir o ritmo de crescimento das despesas obrigatórias. Critérios para 2026 permanecem semelhantes, com exigências formais Apesar do início das mudanças, as condições para receber o abono em 2026 seguem definidas: Ter recebido, em média, até dois salários mínimos por mês no ano-base; Ter trabalhado com carteira assinada por pelo menos 30 dias; Estar inscrito no PIS/Pasep há no mínimo cinco anos; Ter os dados informados corretamente pelo empregador na Rais ou no eSocial. O valor do abono não sofre alteração e continuará sendo calculado de forma proporcional aos meses trabalhados, com base no salário mínimo vigente no ano do pagamento. Calendário escalonado começa em 15 de fevereiro O pagamento será realizado conforme o mês de nascimento do trabalhador. Os nascidos em janeiro serão os primeiros, a partir de 15 de fevereiro, e os depósitos seguem até agosto, quando recebem os aniversariantes de novembro e dezembro. O saque poderá ser feito até o último dia útil bancário de 2026. A consulta ao valor, data e local de pagamento estará disponível a partir de 5 de fevereiro pelos canais oficiais, como: aplicativo da Carteira de Trabalho Digital; portal Emprega Brasil; telefone 158. Previsão oficial é de 26,9 milhões de beneficiados O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) aprovou as regras para 2026 com a estimativa de que 26,9 milhões de trabalhadores recebam o benefício, totalizando R$ 33,5 bilhões em pagamentos. O governo afirma que, mesmo com a restrição gradual do público, quem continuar dentro do critério de renda seguirá recebendo o abono normalmente, sem mudança no valor ou na forma de cálculo. Reflexo na economia real ainda é tema de debate Especialistas e representantes do comércio lembram que o abono salarial funciona como injeção direta no consumo, com efeito relevante no varejo, nas obras e no mercado imobiliário. A alteração das regras ocorre em um momento de juros elevados e crédito pressionado, o que amplia o debate sobre o impacto para as famílias que dependem do complemento anual. Com 2026 sendo também um ano eleitoral, o tema tende a entrar na agenda dos candidatos e na discussão pública: qual deve ser o limite entre ajuste fiscal e proteção ao trabalhador do mercado formal?