Em um momento de profunda dor pela morte de Maria Benedita Martins de Oliveira, aos 104 anos, matriarca da família do ex-governador Dante de Oliveira, familiares se viram surpreendidos por outra situação sensível: a retirada de peças que compunham o memorial em homenagem ao líder das Diretas Já, instalado na Praça Rachid Jaudy, em Cuiabá. O espaço fica em frente à residência onde Maria Benedita viveu por mais de seis décadas e onde construiu, junto à família, uma trajetória marcada por memória, afeto e história. Justamente por isso, a retirada repentina do acervo causou indignação entre os familiares, que alegam não terem sido previamente comunicados sobre a mudança. Em nota pública, o Instituto Dante de Oliveira, presidido por Leonardo de Oliveira, neto da matriarca, repudiou o desmonte da exposição, inaugurada em 2024, nos últimos atos da gestão do então prefeito Emanuel Pinheiro. Segundo o comunicado, a decisão foi tomada em um dos momentos mais delicados para a família, o que tornou a situação ainda mais dolorosa. “A memória de Dante de Oliveira não pertence a gestões ou mandatos, mas ao povo cuiabano e à história nacional. A retirada do acervo, sem diálogo prévio, foi sentida como um desrespeito à família, aos admiradores de sua trajetória e à memória coletiva da cidade”, diz um trecho da nota. A família reconhece que a destinação de espaços públicos cabe ao Poder Executivo, mas avalia que a forma como a mudança foi conduzida desconsiderou o valor simbólico do local. A Praça Rachid Jaudy foi escolhida justamente por estar ligada à história da família Oliveira, tornando-se um ponto de referência não apenas físico, mas afetivo e histórico para Cuiabá. Antes de abrigar o memorial, o espaço funcionava como Centro de Atendimento ao Turista (CAT), implantado para a Copa do Mundo de 2014, mas que, ao longo dos anos, acabou abandonado, tornando-se alvo de reclamações constantes por insegurança e degradação. O que diz a Prefeitura Em resposta às críticas, a Prefeitura de Cuiabá negou qualquer tentativa de apagamento da memória de Dante de Oliveira e afirmou que a retirada das peças foi uma medida técnica, necessária para garantir a preservação do acervo histórico. Segundo a gestão municipal, o espaço onde o memorial estava instalado apresentava sérias deficiências estruturais, sem condições adequadas para conservação dos materiais, o que já estaria causando deterioração das peças. Por isso, o acervo foi removido de forma cuidadosa para passar por limpeza, manutenção e proteção. A prefeitura informou ainda que houve diálogo com representantes da família e que, após os reparos, o material fará parte de uma exposição temporária no Museu do Morro da Caixa d’Água Velha, espaço considerado mais apropriado para preservar e valorizar o legado histórico de Dante de Oliveira. Após esse período, o acervo deverá retornar ao prédio atualmente ocupado pela Secretaria Municipal de Trabalho, desta vez em um ambiente mais estruturado, organizado e adequado tanto para a conservação quanto para a visitação pública. Em nota oficial, a gestão do prefeito Abilio Brunini reforçou que a iniciativa não representa desrespeito, mas sim uma ação voltada à proteção do patrimônio histórico. “A gestão municipal reafirma seu compromisso com a história, com a memória coletiva e com o respeito às personalidades que ajudaram a construir a democracia brasileira. Preservar o legado de Dante de Oliveira é garantir que sua luta e seus valores continuem acessíveis às atuais e futuras gerações, com dignidade e responsabilidade”, afirmou a prefeitura. O episódio expõe a sensibilidade que envolve a preservação da memória histórica, especialmente quando se cruza com o luto familiar, e reacende o debate sobre diálogo, cuidado e simbolismo na gestão dos espaços públicos dedicados à história de Cuiabá. Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
Onde a Dor Vira Arte: Projeto Plenitude une Saúde Mental e Audiovisual em MT
Série documental sobre arte e saúde mental está disponível no canal do Youtube do Instituto Brasil. Onde o silêncio da dor encontra o grito da expressão, nasce o Projeto Plenitude. Através de uma sensível série audiovisual composta por quatro mini documentários poéticos, a iniciativa mergulha no universo da saúde mental para revelar como a arte – em suas formas de dança, literatura, música e artes visuais – atua como bússola na reabilitação psicossocial e no resgate da autoestima. A série completa já está disponível para o público e pode ser acessada em plataforma digital, no canal oficial do Instituto Brasil no YouTube. Executado ao longo de dois meses, o projeto transformou o palco do Teatro Zulmira Canavarros em um santuário de vivências. A série entrelaça o olhar clínico de profissionais da rede psicossocial de Cuiabá com depoimentos latentes de mulheres que encontraram na criação artística o fôlego necessário para atravessar os labirintos da ansiedade e da depressão. Quatro Atos de Resiliência A narrativa é conduzida pelas histórias de quatro mulheres (personagens que personificam a força do coletivo), cujas trajetórias são marcadas pela transformação. Entre as protagonistas desta jornada estão: Episódio 1 | Bruna Maciel – O que a escuta transforma: A jornalista e gestora de projetos sociais explora como o acolhimento molda novas realidades. Episódio 2 | Elka Victorino – Corpo em Movimento: A bailarina e pesquisadora de dança traduz em gestos a libertação das tensões da alma. Episódio 3 | Cida Silva – As cores da escuta: A enfermeira aposentada e artista plástica revela como as tintas podem colorir o cinza dos dias difíceis. Episódio 4 | Rita Cássia – A voz que cura: A cantora e servidora pública utiliza o canto e a vibração da voz como ferramenta de cura e harmonização interior. A Voz por Trás da Obra Idealizado pela poeta e escritora Dani Paula, o projeto não é apenas um registro documental, mas um manifesto sobre a capacidade individual e coletiva de lidar com os condicionantes da saúde. Com narração da própria Dani Paula, roteiro e direção de Loriane Villar, e a estética visual e sonora assinada por Henrique Santian, “Plenitude” é um convite à empatia. “A arte não é apenas um adorno da vida; ela é o remédio que não precisa de prescrição, mas de coragem para se sentir”, reflete Dani Paula. “No Plenitude, buscamos mostrar que o bem-estar mental floresce quando damos voz ao que está guardado. Essas mulheres não apenas superaram dores; elas transmutaram o estresse e a angústia em beleza e autoconsciência. Ouvir esses processos foi como assistir ao renascimento de cada uma delas.” Apoio e Realização A série “Plenitude” é uma produção mato-grossense realizada pelo Instituto Brasil, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) através do deputado Carlos Avallone. O projeto reforça a importância de políticas públicas que unam cultura e saúde como pilares fundamentais da cidadania. Veja os vídeos:
Polícia Civil prende quatro pessoas e apreende mais de 140 quilos de drogas em Tangará da Serra
A Polícia Civil prendeu, nessa quinta-feira (15.1), quatro homens, com idades entre 33 e 42 anos, e apreendeu 144 kg de drogas, em uma ação realizada no Distrito de Progresso, em Tangará da Serra. A investigação teve início após a Polícia Civil receber uma denúncia anônima de que um caminhão com câmara fria Ford Cargo estava descarregando algumas caixas de papelão em um lava-jato. O denunciante desconfiou ser algo ilícito por ver que o condutor do caminhão estava bastante apreensivo enquanto descarregava as caixas. Diante da denúncia, a equipe de Combate a Narcóticos e o Núcleo de Inteligência da Delegacia Regional de Tangará da Serra iniciaram as investigações e encontraram o endereço. Os policiais se posicionaram próximo ao local e iniciaram uma campana. Após um tempo, um Fiat Strada chegou e o três homens colocaram as caixas na carroceria do veículo. O motorista saiu com o carro e foi parado pela equipe policial no Distrito de Progresso, quando ia entrar em uma residência. Questionado, o suspeito confessou que as caixas com entorpecentes seriam guardadas em sua casa e que as teria pegado em um lava-jato em frente a uma empresa. A equipe foi até o lava-jato indicado e encontrou os suspeitos vistos anteriormente carregando as caixas para o Fiat Strada. Todos foram presos em flagrante. Um deles era o proprietário do estabelecimento, outro o motorista da Strada e um o ajudante do motorista do caminhão. Os suspeitos descreveram as características do caminhão utilizado para transportar a droga e os policiais o encontraram e apreenderam. O motorista foi preso. Os veículos, a droga e os suspeitos foram encaminhados para a Delegacia de Tangará da Serra. Foram apreendidos 15 kg de cocaína, 114 kg de maconha e 15 kg de pasta base de cocaína, totalizando 144 kg de drogas. As drogas estavam em quatro caixas de papelão e nestas estavam escritas o nome das cidades: “Campo Novo, Sapezal e Juara”. “A apreensão representa um significativo prejuízo às atividades do crime organizado”, afirmou o delegado regional de Tangará da Serra, Ivan Albuquerque.
Mato Grosso redefine incentivo fiscal à soja beneficiada e impõe novos critérios às operações
Foi publicado o Decreto nº 1.794 que regulamenta e detalha as condições para a concessão de incentivo fiscal às operações com soja beneficiada no Estado, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic). A nova regra permite a extensão do benefício fiscal às operações com soja a granel, desde que sejam atendidos critérios específicos voltados à industrialização, à ampliação da capacidade de armazenagem e ao controle fiscal das operações. O objetivo é estimular a agregação de valor à produção agrícola e assegurar que o incentivo não gere desequilíbrios no mercado interno nem prejuízos à arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviço (ICMS). Para ter acesso ao benefício, a soja deverá ser produzida em Mato Grosso e submetida a processo de beneficiamento em estabelecimento próprio do contribuinte. Além disso, a empresa deverá comprovar que o beneficiamento ocorre em unidade armazenadora localizada no Estado, sendo admitida a utilização de armazéns em regime de condomínio, desde que devidamente regularizados. O decreto ainda estabelece que a concessão do incentivo estará condicionada a credenciamento específico e à realização de vistoria técnica in loco pela Secretaria de Estado de Fazenda. Caberá à Sefaz definir o limite global de fruição do benefício por período, enquanto o Conselho de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Condeprodemat) fixará o limite individual para cada empresa beneficiária. A norma também veda a concessão do incentivo caso a extensão do benefício provoque desabastecimento de soja destinada à indústria instalada no Estado, preservando o equilíbrio da cadeia produtiva e a competitividade do setor industrial mato-grossense. Segundo o secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, o decreto reforça o papel do incentivo fiscal como instrumento de desenvolvimento, com regras claras e acompanhamento permanente. “Esse ajuste no Prodeic tem um foco muito claro: estimular a industrialização e a armazenagem dentro do Estado, mas com controle rigoroso do ICMS. O benefício só será concedido mediante vistoria, limites bem definidos e acompanhamento técnico, garantindo segurança jurídica, equilíbrio fiscal e retorno econômico para Mato Grosso”, afirmou. Já o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, destaca que a regulamentação fortalece a política industrial do Estado ao alinhar incentivo fiscal, produção e investimento em infraestrutura. “Essa regulamentação dá previsibilidade ao setor produtivo e reforça a estratégia do Governo de Mato Grosso de incentivar a industrialização no próprio Estado. Estamos criando um ambiente seguro para que as empresas invistam em beneficiamento, armazenagem e geração de valor, garantindo competitividade à indústria local e desenvolvimento econômico sustentável”, ressaltou. fonte: SECOM-MT
Carne bovina de Mato Grosso chega a mais de 90 países em 2025
EXPORTAÇÃO EM ALTA A carne bovina de Mato Grosso chegou a mais de 90 países em 2025. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), foram exportadas 978,4 mil toneladas da proteína, com uma receita de US$ 4,1 bilhões, consolidando o estado como um dos principais players globais do setor. Em um ano histórico, no qual Mato Grosso bateu seu próprio recorde de exportação de carne bovina, foram abatidas 7,4 milhões de cabeças de gado. Com um produto cada vez mais competitivo no mercado internacional, o estado tem se beneficiado tanto da abertura de novos mercados — como o Marrocos, em 2024 — quanto do crescimento da demanda de mercados já consolidados, especialmente na Ásia. Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números refletem um trabalho consistente de toda a cadeia produtiva. “Mato Grosso vem colhendo os resultados de anos de investimentos em sanidade, qualidade e profissionalização da pecuária. Estamos preparados para atender mercados cada vez mais exigentes, com volume, eficiência e responsabilidade”. A China segue como o maior comprador da carne bovina mato-grossense e importou, em 2025, 536,9 mil toneladas da proteína, o que corresponde a 54,8% do total exportado. Em segundo lugar aparece a Rússia, com 58,8 mil toneladas, representando 6% das vendas externas do estado. A lista dos dez países que mais importaram carne bovina de Mato Grosso em 2025 inclui ainda Chile, Estados Unidos, Filipinas, Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Itália e Holanda, demonstrando a diversificação dos destinos e a presença da proteína mato-grossense em mercados estratégicos da Europa, Oriente Médio, América e Ásia. De acordo com o diretor do Imac, a tendência é de manutenção desse ritmo de crescimento. “A diversificação de mercados é fundamental para dar segurança ao setor. Quanto mais destinos abertos, menor a dependência e maior a estabilidade para o produtor, para a indústria e para a economia do estado”. Para 2026, as perspectivas seguem positivas, impulsionadas especialmente pela abertura de novos mercados, como o da Guatemala, em dezembro. Com cerca de 18 milhões de habitantes, o país da América Central vem ampliando sua demanda por proteína bovina, o que reforça o potencial de expansão das exportações mato-grossenses nos próximos anos e consolida Mato Grosso como referência mundial na produção de carne bovina. Fonte: Instituto Mato-grossense da Carne
Imposto sobe para 35% e deve frear avanço dos carros elétricos no Brasil a partir de julho
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News O mercado de veículos elétricos e híbridos no Brasil, que vinha registrando crescimento acelerado nos últimos anos, deve enfrentar um novo freio a partir do segundo semestre de 2026. A partir de julho, o imposto de importação sobre esses modelos chegará à alíquota máxima de 35%, encerrando o cronograma de elevação gradual iniciado pelo governo federal em 2024. Na prática, a medida deve encarecer os veículos eletrificados, impactar diretamente o volume de vendas e mudar o comportamento do consumidor, especialmente em um momento em que o setor ainda busca se consolidar no país. Como era e como vai ficar Até junho de 2026, ainda vigoram as alíquotas intermediárias: 30% para veículos híbridos; 28% para híbridos plug-in; 25% para carros totalmente elétricos. Com a nova etapa do cronograma, todos os modelos passam a ser taxados em 35%, o teto permitido. Isso significa que veículos importados, especialmente os de entrada e médio porte, devem sofrer reajustes significativos no preço final. Impacto direto no bolso do consumidor Na prática, especialistas apontam que o aumento do imposto pode representar reajustes que variam de R$ 15 mil a mais de R$ 40 mil, dependendo do modelo, da origem e da margem de cada montadora. Esse aumento tende a afastar parte do público que vinha migrando para os elétricos motivado principalmente por preço competitivo, economia no uso diário e benefícios ambientais. Com valores mais altos, o consumidor pode voltar a optar por modelos a combustão ou adiar a troca do veículo. Mercado aquecido pode esfriar O setor vinha registrando uma das maiores expansões da última década, impulsionado principalmente pela entrada de marcas chinesas, como BYD e GWM, que chegaram ao Brasil com preços agressivos e ampla oferta de modelos. Com a nova carga tributária, o cenário muda. Analistas avaliam que o crescimento acelerado das vendas pode dar lugar a um período de acomodação ou retração, especialmente nos modelos que continuarão sendo importados integralmente. Estratégia do governo: proteger a indústria nacional A elevação do imposto faz parte da estratégia do governo federal para estimular a produção local e reduzir a dependência de veículos importados. O argumento é que o encarecimento dos importados deve incentivar montadoras a instalar ou ampliar fábricas no Brasil, gerando empregos e fortalecendo a cadeia produtiva nacional. Esse movimento já começou a se materializar. A chinesa BYD iniciou a montagem nacional de modelos como Dolphin Mini, King e Song Pro, além de anunciar a produção do Song Plus na fábrica de Camaçari (BA). A GWM já produz o SUV Haval H6 em Iracemápolis (SP), enquanto a Chevrolet confirmou a fabricação do Spark no Ceará. Produção local ajuda, mas não elimina aumentos Apesar da nacionalização de parte da produção, especialistas alertam que isso não significa estabilidade de preços. Mesmo os modelos montados no Brasil ainda dependem de componentes importados, que também sofrem influência do câmbio e da carga tributária. Além disso, veículos de categorias superiores ou com menor escala de produção devem continuar chegando ao país via importação, sendo diretamente afetados pela nova alíquota. Novo cenário para o segundo semestre Com o imposto em 35%, o mercado de eletrificados entra em uma nova fase. O consumidor tende a ser mais seletivo, as montadoras devem ajustar portfólios e a produção nacional passa a ter papel ainda mais estratégico. O que antes era um mercado em franca expansão pode se tornar mais restrito, competitivo e dependente de incentivos locais para manter ritmo de crescimento.
Entre promessas e abandono, antiga Escola Nilo Póvoas segue tomada pelo mato após seis anos fechada
Seis anos depois de ter suas portas fechadas, a antiga Escola Estadual Nilo Póvoas, uma das mais tradicionais de Cuiabá, continua em completo estado de abandono. Localizada em uma área privilegiada do bairro Bandeirantes, a unidade — que já formou gerações de cuiabanos — hoje está cercada por tapumes, coberta pelo mato alto e sem qualquer sinal concreto de revitalização. Cinco meses após visitas oficiais, gravação de vídeos e anúncios públicos da Prefeitura de Cuiabá prometendo transformar o espaço em um centro de referência para atendimento a pessoas com neurodiversidades, a realidade no local segue exatamente a mesma: portões fechados, estrutura deteriorada e silêncio. À época, o projeto foi apresentado como a futura Casa do Autista, um centro voltado ao acolhimento e atendimento especializado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias, integrando serviços de saúde, educação e assistência social. No papel, a proposta despertou esperança. Na prática, nada saiu do lugar. Estrutura pronta, tempo perdido O prédio da antiga escola é considerado ideal para o projeto. São dois andares, mais de 40 salas, anfiteatro, quadra esportiva e amplo espaço externo, capazes de concentrar diversos atendimentos em um único local. Ainda assim, o imóvel permanece fechado, se deteriorando a cada mês. Recentemente, a Prefeitura anunciou uma parceria com o Governo do Estado e informou que as intervenções devem começar “na próxima semana”. O anúncio, porém, soa repetido para quem acompanha o caso há anos. Tristeza e frustração da comunidade Para moradores do bairro e famílias que aguardam atendimento especializado, o sentimento é de tristeza e descrédito. A cada novo anúncio sem execução, cresce a sensação de abandono. “É muito triste ver uma escola que fez parte da história da cidade nesse estado. Aqui estudaram nossos pais, nossos avós. Hoje, o que a gente vê é mato, abandono e promessa atrás de promessa”, relata Eduardo Lima, morador da região. A frustração é ainda maior entre famílias de pessoas com autismo, que convivem diariamente com a escassez de atendimento especializado na rede pública. “Quando falaram da Casa do Autista, gravaram vídeos, fizeram visita, a gente acreditou. Mas nada mudou. O prédio continua abandonado. É desesperador para quem precisa de atendimento e vê um espaço desses sendo desperdiçado”, afirma Maria Cecília, mãe de uma criança autista de cinco anos. Uma escola histórica esquecida Mais do que um prédio abandonado, a Nilo Póvoas simboliza hoje o contraste entre discurso e realidade. Uma escola histórica, bem localizada, com estrutura ampla e potencial social enorme, que segue entregue ao tempo, ao mato e à degradação. Enquanto anúncios se repetem e prazos são empurrados, a comunidade segue esperando — e a sensação que fica é a de que o abandono pesa mais do que a urgência. Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News