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“Política 5.0: o voto, o WhatsApp e a inteligência artificial na era dos lobos digitais”

Por Alex Rabelo — Jornalista e Analista Político

Há pouco mais de uma década, a política brasileira era dominada por grupos. Campanhas milionárias, alianças costuradas nos bastidores e coligações partidárias decidiam quem teria espaço e quem ficaria de fora. Para chegar a cargos como deputado, senador, governador ou presidente, era preciso pertencer a um grupo político forte, com base consolidada e recursos para viajar, montar comitês e financiar estruturas em dezenas de municípios.

A velha política se mantinha firme com o peso das coligações — alianças entre partidos que somavam tempo de TV, força eleitoral e controle estratégico sobre as candidaturas. Isso dificultava a chegada dos novos nomes e limitava o acesso de quem não fazia parte do sistema. A regra era clara: sem grupo, não havia vitória.

Mas, de repente, um novo fenômeno começou a surgir, e com ele, a política começou a mudar de lado — do palanque para o celular.

O nascimento da era digital e dos “lobos solitários”

Com o avanço da internet e das redes sociais, a política passou a caber na palma da mão. Surgiram os chamados “lobos solitários”, candidatos independentes que falavam diretamente com o povo — sem precisar pedir espaço aos grandes líderes ou depender de cabos eleitorais.

Esses políticos começaram a usar as redes sociais para construir autoridade, mostrar suas ideias e dialogar com uma população cansada da velha política. As pessoas, antes acostumadas a ver política só durante as eleições, começaram a acompanhar o dia a dia dos mandatos, as opiniões e até os bastidores.

A internet abriu as portas para o discurso espontâneo, sem intermediários, e o eleitor passou a enxergar o político mais próximo, humano e real.

O voto de protesto e o início da virada

O primeiro grande símbolo dessa mudança foi o humorista Tiririca, eleito em 2010 deputado federal mais votado do Brasil, com 1.348.295 votos.
Com o bordão “Pior do que tá, não fica”, ele deu voz à insatisfação popular e mostrou que o eleitor buscava algo diferente — autenticidade, simplicidade e coragem de falar o que muitos pensavam.

Ali nascia o voto de protesto, o prenúncio de uma nova geração de políticos e de eleitores — mais críticos, conectados e dispostos a romper com o modelo tradicional.

A revolução Bolsonaro: o poder do celular e da conexão direta

Mas o verdadeiro divisor de águas veio com Jair Bolsonaro. O então deputado federal, até então um político de discurso firme e presença discreta, entendeu antes de todos o poder das redes.

Com um celular, um tripé e uma internet simples, Bolsonaro falava diretamente com milhões de brasileiros. Suas lives, vídeos curtos e discursos diretos atravessaram o país, sem precisar de marqueteiros tradicionais, tempo de TV ou grandes grupos partidários.

Ele quebrou paradigmas e mostrou que era possível vencer a maior eleição do país apenas com comunicação digital.
Sua campanha de 2018 foi um marco na história: a primeira eleição presidencial do Brasil vencida pela força das redes sociais.

E o resultado foi avassalador — Bolsonaro criou um novo modelo político, inspirando dezenas de novos líderes que hoje seguem a mesma fórmula: falar com o povo, pelo povo e para o povo, através do celular.

A força do WhatsApp: o “boca a boca digital” que move a política

Se o Facebook e o Instagram deram voz aos políticos, o WhatsApp deu poder à população.
Hoje, o aplicativo é a principal ferramenta de disseminação de informações políticas no Brasil. Em segundos, mensagens, vídeos, prints e áudios percorrem o país inteiro, chegando aos grupos de família, trabalho e comunidade.

É o novo “boca a boca” da era digital — capaz de impulsionar um candidato ou destruir uma reputação em poucas horas.
A força do WhatsApp é tão grande que mudou completamente a dinâmica das campanhas: o eleitor não espera mais ser convencido; ele é impactado o tempo todo, de forma rápida, emocional e direta.

Essa velocidade da informação trouxe poder e risco: ajuda candidatos a se conectarem, mas também amplia o alcance das fake news, exigindo responsabilidade e estratégia.
O WhatsApp se tornou o campo de batalha invisível da política moderna, onde o conteúdo certo, no momento certo, pode decidir uma eleição.

A nova era: estratégia, IA e a política dos algoritmos

Hoje, nenhuma campanha vence sem presença digital.
O político precisa entender que comunicação é poder, e o marqueteiro político se transformou em o novo general de campanha — o estrategista capaz de alinhar discurso, imagem e emoção.

A chegada da inteligência artificial promete mudar ainda mais esse cenário. Com ela, imagens, vozes e vídeos podem ser criados com realismo assustador, o que abre espaço para um novo desafio: a manipulação de informações.
O que antes era ficção, agora é realidade — e pode tanto fortalecer quanto comprometer uma campanha.

O futuro da política exigirá estratégia, ética e autenticidade. A tecnologia será apenas a ferramenta; o diferencial continuará sendo quem entende o povo e fala a sua língua.

Política, a arte da estratégia

A política é, e sempre será, a arte da estratégia.
Antes eram os palanques e os grupos; hoje são as câmeras e os algoritmos.
O que não mudou é a essência: vencer exige leitura de cenário, narrativa e conexão humana.

Aqueles que entenderem isso — que política é feita de presença, verdade e inteligência — continuarão escrevendo a história.
Os demais ficarão presos no passado, enquanto o eleitor segue, rápido, para o futuro digital.


Alex Rabelo
Jornalista e Analista Político

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Cuiabá-MT 03.02.2026 21:34

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