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Os “ursos” da política: acordam tarde, mas com pressa de escolher partido e garantir sobrevivência eleitoral

De olho em 2026, políticos que estavam em “hibernação” por quase todo o mandato começam a despertar — movidos não pelo povo, mas pelo instinto da reeleição

Assim como os ursos, que passam meses em hibernação e despertam apenas quando o clima muda e o instinto de sobrevivência fala mais alto, muitos políticos de Mato Grosso parecem ter seguido o mesmo ciclo natural.
Depois de longos períodos em silêncio, afastados das bases e alheios aos problemas do dia a dia da população, vários agora começam a sair da toca, reabrindo agendas, gravando vídeos, visitando bairros e, principalmente, buscando abrigo em novos partidos.

O calendário eleitoral de 2026 ainda nem começou oficialmente, mas o movimento dos “ursos políticos” já é visível: saem do isolamento, se espreguiçam diante das câmeras e voltam a rugir discursos ensaiados sobre “trabalho”, “projetos” e “escuta das demandas”.
Na prática, o que se vê é uma corrida não por resultados, mas por sobrevivência.

Hibernaram durante o mandato — e agora despertam com o faro político aguçado

Durante quase quatro anos, muitos desses nomes permaneceram invisíveis, trancados em gabinetes, distantes da população e com aparições pontuais em momentos de conveniência.
Mas bastou a temperatura política subir, que o instinto eleitoral voltou a funcionar.

Agora, as perguntas que se repetem em corredores e bastidores são outras:

“Pra qual partido eu vou?”
“Quem vai montar a melhor chapa?”
“Onde terei mais chances de me reeleger?”

Enquanto o povo aguarda ações concretas nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e segurança, muitos parlamentares estão mais preocupados em garantir o ninho partidário certo para sobreviver ao próximo inverno eleitoral.

Do conforto da toca ao jogo das conveniências

Oficialmente, dizem que estavam “trabalhando muito”, “ouvindo a população” e “planejando projetos”.
Mas o eleitor já aprendeu a diferenciar trabalho real de discurso reciclado.
Esses reaparecimentos súbitos acontecem sempre quando o tabuleiro político começa a se reorganizar, e o “quem vai com quem” se torna mais importante do que o “quem fez o quê”.

É o ciclo da hibernação política: dormem quando deveriam agir, acordam quando sentem o cheiro das urnas.
Enquanto isso, o cidadão comum — que não pode se dar ao luxo de hibernar — segue enfrentando os mesmos problemas, sem a presença efetiva de quem prometeu representá-lo.

A metamorfose dos aliados: quando o urso troca de pele

Outro comportamento recorrente nessa fase pré-eleitoral é o dos políticos que mudam de lado conforme a estação.
Aqueles que até ontem estavam na base governista, defendendo gestões e cargos, agora rompem, apontam falhas e se autoproclamam oposição.
Aparentemente, não por convicção, mas por cálculo.

Essas críticas seletivas nunca aparecem quando o povo mais precisa.
Elas surgem quando as pesquisas começam a ser encomendadas, os partidos a se articular e as fichas de filiação a circular discretamente.

O foco não é o povo — é o abrigo certo

Nos bastidores, a conversa é sempre a mesma:

“Qual partido vai ter uma chapa forte?”
“Com quem é melhor ficar pra garantir espaço?”

Em vez de compromisso com a cidade, o estado ou o eleitor, o que se observa é um movimento de autopreservação política.
A prioridade deixou de ser o mandato — e passou a ser o abrigo partidário.
A pergunta não é “o que fiz pelo povo?”, mas “onde estarei mais protegido na próxima eleição?”.

Mas o eleitor não está dormindo

O cidadão, diferente dos políticos que despertam só de tempos em tempos, está acordado o ano inteiro.
Com as redes sociais, os portais de notícias e a vigilância constante, o eleitor sabe exatamente quem trabalhou, quem sumiu e quem tenta agora correr atrás do prejuízo.

Em 2026, quando as urnas voltarem a rugir, muitos desses ursos políticos podem descobrir que o inverno foi longo demais — e que o povo, cansado de aparições sazonais, já aprendeu a reconhecer quem serve o povo e quem apenas serve a si mesmo.


📰 Por Alex Rabelo
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Cuiabá-MT 03.02.2026 15:57

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