Viajar de avião em Mato Grosso continua pesando no bolso. Passageiros que embarcam nos aeroportos do estado pagam, em média, 15,16% a mais do que pagadores do restante do Brasil, segundo dados atualizados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Enquanto a tarifa média nacional de outubro de 2025 ficou em R$ 630,33, o valor médio pago em Mato Grosso alcançou R$ 725,90 — quase R$ 100 a mais por bilhete.
Centro-Oeste segue entre as regiões mais caras para voar
A Anac reforça que o comportamento não é isolado: historicamente, as regiões Centro-Oeste e Norte apresentam tarifas mais altas devido a:
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menor oferta de voos;
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longas distâncias percorridas;
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custos operacionais elevados;
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baixa competitividade entre companhias.
O comparativo por empresa aérea mostra que todas as principais companhias cobram mais caro em Mato Grosso:
🔹 Azul — média nacional: R$ 720,36 | MT: R$ 807,26
🔹 GOL — nacional: R$ 720,36 | MT: R$ 858,40
🔹 Latam — nacional: R$ 720,36 | MT: R$ 884,07
Em todas elas, o aumento ultrapassa os R$ 100 em relação à média brasileira.
Menos tarifas promocionais para quem embarca em MT
Outro dado preocupante do painel tarifário:
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No Brasil, 51,9% das passagens são vendidas por até R$ 500.
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Em Mato Grosso, esse índice cai para apenas 44%.
Ou seja, os passageiros mato-grossenses têm menos acesso a promoções.
O custo por quilômetro voado também mostra desequilíbrio:
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Brasil: R$ 0,4975/km
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Mato Grosso: R$ 0,5154/km
Preço alto e serviço falho: passageiros relatam transtornos
Apesar de pagarem mais caro, usuários relatam problemas frequentes em voos envolvendo o Aeroporto Marechal Rondon, como atrasos, cancelamentos e extravios.
“Cheguei de madrugada com as malas destruídas”, relata empresário
O empresário Gustavo Oliveira enfrentou quase 12 horas de atraso para chegar de volta a Cuiabá, após uma conexão alterada no Rio Grande do Sul. Ele deveria desembarcar na terça (9), mas só chegou às 3h da madrugada do dia seguinte — e ainda teve as malas danificadas.
“Descaso total. O passageiro precisa exigir documentação de atraso, como determina a Resolução 400 da Anac”, criticou.
Família perde viagem inteira após mudança repentina de voo
A empresária Camila Zanotto Surian Marchiore, 45 anos, também enfrentou prejuízos. A companhia alterou o horário do voo poucas horas antes do embarque, fazendo com que ela e a família chegassem ao destino somente à noite do dia 12 — inviabilizando um evento empresarial previsto em Barra de São Miguel (AL).
Sem alternativas de voo e com reservas já pagas, a família não conseguiu viajar.
“Foi um prejuízo enorme. Programamos tudo ao longo do ano. Perdemos hospedagem, deslocamentos e o compromisso”, relatou.
Mercado é livre, diz Anac, mas fatores locais elevam preço
A Anac explica que o mercado é livre desde 2001 e que vários fatores determinam as tarifas, incluindo:
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concorrência entre empresas;
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demanda local;
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infraestrutura aeroportuária;
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custo do QAV (querosene de aviação).
Ainda assim, Mato Grosso segue entre os estados mais caros para voar — e com os passageiros mais insatisfeitos.















