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Quem merece continuar? A eleição que coloca os mandatos federais à prova em Mato Grosso

Alex Rabelo

Jornalista e analista político

A eleição de 2026 para a Câmara dos Deputados em Mato Grosso não será comum. O cenário aponta para uma disputa técnica, com alto grau de competitividade e pouco espaço para novidades. Diferente de pleitos marcados por grandes viradas, o que se desenha agora é uma eleição de continuidade versus desempenho, em que o eleitor será chamado a avaliar quem entregou resultado e quem apenas ocupou espaço.

Dos oito deputados federais do estado, sete já se posicionam para buscar a reeleição. A única exceção é José Medeiros (PL), que decidiu disputar o Senado. Na prática, isso significa que apenas uma vaga surge naturalmente aberta, tornando a disputa ainda mais dura.

Um dado que chama atenção: quase toda a bancada quer permanecer

Quando 87,5% da bancada tenta a recondução, o recado político é claro. Os atuais parlamentares acreditam que:

  • construíram base eleitoral suficiente,

  • mantiveram visibilidade em Brasília,

  • e têm argumentos para pedir novamente o voto.

Estão no jogo da reeleição:

  • Nelson Barbudo (PL)

  • Rodrigo da Zaeli (PL)

  • Coronel Fernanda (PL)

  • Coronel Assis (União Brasil)

  • Gisela Simona (União Brasil)

  • Juarez Costa (MDB)

  • Emanuelzinho (MDB)

Com esse grupo praticamente fechado, a eleição deixa de ser sobre “quem entra” e passa a ser sobre quem consegue se manter.

Uma bancada que mudou ao longo do mandato

Embora a maioria tente a reeleição, é importante lembrar que a atual composição não é a mesma do início da legislatura. O período foi marcado por fatos relevantes que alteraram o tabuleiro político.

O falecimento da deputada Amália Barros (PL), em maio de 2024, provocou uma das mudanças mais sensíveis. Sua cadeira foi ocupada por Nelson Barbudo, que agora tenta transformar uma suplência em um mandato legitimado pelo voto popular.

Outro movimento importante veio das eleições municipais. A vitória de Abilio Brunini (PL) para a Prefeitura de Cuiabá resultou em sua saída da Câmara Federal e abriu espaço para Rodrigo da Zaeli, que assumiu o mandato e passou a ganhar visibilidade em Brasília.

O peso político de Fábio Garcia no cenário de 2026Fabio Garcia herda confronto de Mauro Mendes com Emanuel Pinheiro - PNB  Online - Portal de Notícias MT

Entre os nomes que orbitam com força essa disputa, Fábio Garcia merece destaque especial. Ele foi eleito deputado federal, mas fez uma escolha estratégica ao aceitar o convite para assumir a Secretaria-Chefe da Casa Civil do Governo do Estado, um dos cargos mais influentes da administração estadual.

Na Casa Civil, Fábio Garcia:

  • tornou-se o principal articulador político do governo;

  • coordenou a relação com a Assembleia Legislativa;

  • teve papel central na construção e aprovação de projetos considerados estratégicos;

  • retornou pontualmente à Câmara dos Deputados para participar de votações relevantes, mantendo presença política em Brasília.

Nos bastidores, a leitura é quase unânime: fez um trabalho consistente, técnico e de bastidor forte, acumulando capital político. Por isso, entra no radar de 2026 como um nome muito competitivo e com reais chances de ficar com uma das vagas da bancada federal.

O contraste com a última eleição

O atual cenário contrasta com o que ocorreu em 2022. Naquele pleito, Mato Grosso registrou uma renovação expressiva de 62,5% na Câmara Federal. Apenas três deputados conseguiram se reeleger: José Medeiros, Emanuelzinho e Juarez Costa.

Ficaram fora nomes tradicionais como Rosa Neide e Neri Geller, este último que deixou a Câmara para disputar o Senado.

Agora, o movimento parece inverso: menos espaço para apostas, mais peso para experiência, articulação e histórico de mandato.

Uma eleição de julgamento político

Tudo indica que 2026 será uma eleição menos emocional e mais racional. O eleitor mato-grossense será chamado a responder uma pergunta direta:
quem, de fato, representou bem o estado em Brasília?

Com poucas vagas disponíveis e muitos nomes consolidados, cada deputado será avaliado por sua presença, posicionamento, articulação política e resultados entregues.

No fim das contas, não será apenas uma eleição de escolha. Será uma eleição de julgamento.

E você: qual deputado federal merece ser reeleito por ter feito um grande mandato e continuar representando Mato Grosso no Congresso Nacional?

Alex Rabelo
Jornalista e analista político

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Cuiabá-MT 04.02.2026 02:31

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