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Acordo Mercosul–União Europeia é ratificado e entra em fase final de aprovação; veja os próximos passos

Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News

A União Europeia ratificou nesta sexta-feira (9) o acordo de livre comércio com o Mercosul, durante reunião realizada em Bruxelas. A decisão marca um novo avanço em um tratado negociado há mais de três décadas entre os dois blocos.

O acordo envolve os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — e os 27 Estados-membros da União Europeia. Em comunicado oficial, a UE afirmou que o tratado representa um marco na relação entre os blocos, criando um novo quadro para o diálogo político, a cooperação e o comércio.

Assinatura prevista e etapas restantes

Após a ratificação desta sexta-feira, o próximo passo será a assinatura formal do acordo, prevista para o dia 17 de janeiro, no Paraguai. A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, em publicação nas redes sociais.

Apesar disso, o acordo ainda não entra em vigor imediatamente. Para que seja oficialmente validado, o texto precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu, onde é exigida maioria simples dos votos.

Somente após a aprovação do Parlamento Europeu e a ratificação por todos os países da União Europeia e pelos membros do Mercosul é que o tratado passará a valer integralmente. Até lá, permanecem em vigor as regras comerciais atuais.

O que muda com o acordo

Considerado o maior acordo comercial já firmado pela União Europeia, o tratado tem potencial para provocar uma das maiores reconfigurações no comércio agrícola e industrial global das últimas décadas.

Pelo texto acordado:

  • O Mercosul eliminará tarifas sobre 91% das exportações da União Europeia, incluindo automóveis, ao longo de até 15 anos;

  • A União Europeia eliminará tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul, de forma progressiva, em um período de até 10 anos.

O acordo também prevê facilitação de comércio, regras comuns, maior previsibilidade jurídica e estímulo ao intercâmbio entre empresas dos dois blocos.

Interesse estratégico da União Europeia

Dentro da União Europeia, o tratado é visto como uma estratégia para reduzir a dependência da China, especialmente no acesso a minerais críticos, como o lítio, essencial para a produção de baterias e tecnologias ligadas à transição energética. O acordo garante isenção de impostos para a exportação da maior parte desses materiais.

Durante as negociações finais, o aval da Itália foi decisivo para que o Conselho da União Europeia formasse maioria favorável à ratificação.

Impactos e benefícios para o Brasil

Para o Brasil, o acordo representa não apenas uma ampliação de mercado, mas também uma diversificação das exportações, em um momento em que a China — principal destino da carne bovina brasileira — começa a impor limites ao ritmo das importações.

Além disso, o tratado abre espaço para:

  • Exportação de produtos com maior valor agregado;

  • Acesso ampliado a um mercado sofisticado e previsível;

  • Maior integração do Brasil às cadeias globais de comércio e investimento.

Com a ratificação desta sexta-feira, o acordo entra em sua fase decisiva. A expectativa agora se concentra no trâmite político e legislativo necessário para que o tratado se torne definitivo e passe a valer na prática.

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Cuiabá-MT 03.02.2026 16:00

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