A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro procurou, nesta semana, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O apelo, segundo relatos de bastidores, tem como principal argumento o estado de saúde do ex-chefe do Executivo.
Aliados do ex-presidente afirmam que Bolsonaro não teria condições clínicas de continuar preso e que a situação exige uma reavaliação humanitária por parte do Judiciário. Atualmente, ele cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão na superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, após condenação por tentativa de golpe de Estado.
Tentativa de sensibilização no STF
Nos bastidores do Supremo, interlocutores relatam que Michelle tem buscado diálogo com ministros da Corte na tentativa de abrir espaço para uma revisão da decisão do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que já negou pedidos anteriores da defesa para a conversão da pena em prisão domiciliar.
A estratégia, segundo fontes próximas ao ex-presidente, seria sensibilizar outros ministros para que conversem com Moraes sobre a situação de Bolsonaro, especialmente diante do histórico recente de internações e procedimentos médicos.
Procurado, Gilmar Mendes confirmou o encontro, mas não comentou o teor da conversa nem se houve qualquer encaminhamento institucional após a audiência.
Histórico recente de problemas de saúde
No fim de dezembro, Bolsonaro deixou temporariamente a sede da PF para realizar uma cirurgia de correção de hérnia inguinal bilateral, além de procedimentos médicos relacionados às crises recorrentes de soluço. No entanto, no dia 1º de janeiro, Alexandre de Moraes negou novo pedido de prisão domiciliar, mesmo diante das intervenções médicas.
Na semana passada, o ex-presidente voltou a passar mal dentro da unidade prisional e sofreu uma queda na sala onde cumpre pena. A defesa solicitou atendimento hospitalar, e Bolsonaro foi levado para exames, retornando à PF na sequência.
Prisão preventiva e início do cumprimento da pena
Bolsonaro havia permanecido em prisão domiciliar até novembro, sob monitoramento eletrônico, mas acabou tendo a medida revogada após violar determinações judiciais. Em 22 de novembro, foi preso preventivamente por ordem de Moraes, após tentativa de danificar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.
Três dias depois, o STF concluiu o processo relacionado à tentativa de golpe e determinou o início do cumprimento da pena em regime fechado.
Caso ainda gera movimentação política e jurídica
Apesar das decisões já tomadas, o caso segue mobilizando aliados políticos, familiares e advogados do ex-presidente, que insistem na tese de que a condição de saúde de Bolsonaro justificaria a concessão de prisão domiciliar. Até o momento, no entanto, o Supremo mantém a execução da pena nos moldes definidos pelo relator.
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News















