Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
O mercado de veículos elétricos e híbridos no Brasil, que vinha registrando crescimento acelerado nos últimos anos, deve enfrentar um novo freio a partir do segundo semestre de 2026. A partir de julho, o imposto de importação sobre esses modelos chegará à alíquota máxima de 35%, encerrando o cronograma de elevação gradual iniciado pelo governo federal em 2024.
Na prática, a medida deve encarecer os veículos eletrificados, impactar diretamente o volume de vendas e mudar o comportamento do consumidor, especialmente em um momento em que o setor ainda busca se consolidar no país.
Como era e como vai ficar
Até junho de 2026, ainda vigoram as alíquotas intermediárias:
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30% para veículos híbridos;
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28% para híbridos plug-in;
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25% para carros totalmente elétricos.
Com a nova etapa do cronograma, todos os modelos passam a ser taxados em 35%, o teto permitido. Isso significa que veículos importados, especialmente os de entrada e médio porte, devem sofrer reajustes significativos no preço final.
Impacto direto no bolso do consumidor
Na prática, especialistas apontam que o aumento do imposto pode representar reajustes que variam de R$ 15 mil a mais de R$ 40 mil, dependendo do modelo, da origem e da margem de cada montadora.
Esse aumento tende a afastar parte do público que vinha migrando para os elétricos motivado principalmente por preço competitivo, economia no uso diário e benefícios ambientais. Com valores mais altos, o consumidor pode voltar a optar por modelos a combustão ou adiar a troca do veículo.
Mercado aquecido pode esfriar
O setor vinha registrando uma das maiores expansões da última década, impulsionado principalmente pela entrada de marcas chinesas, como BYD e GWM, que chegaram ao Brasil com preços agressivos e ampla oferta de modelos.
Com a nova carga tributária, o cenário muda. Analistas avaliam que o crescimento acelerado das vendas pode dar lugar a um período de acomodação ou retração, especialmente nos modelos que continuarão sendo importados integralmente.
Estratégia do governo: proteger a indústria nacional
A elevação do imposto faz parte da estratégia do governo federal para estimular a produção local e reduzir a dependência de veículos importados. O argumento é que o encarecimento dos importados deve incentivar montadoras a instalar ou ampliar fábricas no Brasil, gerando empregos e fortalecendo a cadeia produtiva nacional.
Esse movimento já começou a se materializar. A chinesa BYD iniciou a montagem nacional de modelos como Dolphin Mini, King e Song Pro, além de anunciar a produção do Song Plus na fábrica de Camaçari (BA). A GWM já produz o SUV Haval H6 em Iracemápolis (SP), enquanto a Chevrolet confirmou a fabricação do Spark no Ceará.
Produção local ajuda, mas não elimina aumentos
Apesar da nacionalização de parte da produção, especialistas alertam que isso não significa estabilidade de preços. Mesmo os modelos montados no Brasil ainda dependem de componentes importados, que também sofrem influência do câmbio e da carga tributária.
Além disso, veículos de categorias superiores ou com menor escala de produção devem continuar chegando ao país via importação, sendo diretamente afetados pela nova alíquota.
Novo cenário para o segundo semestre
Com o imposto em 35%, o mercado de eletrificados entra em uma nova fase. O consumidor tende a ser mais seletivo, as montadoras devem ajustar portfólios e a produção nacional passa a ter papel ainda mais estratégico.
O que antes era um mercado em franca expansão pode se tornar mais restrito, competitivo e dependente de incentivos locais para manter ritmo de crescimento.















