O deputado estadual Eduardo Botelho (União Brasil) avaliou que a eleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso deve resultar em baixa renovação parlamentar, com a permanência da maioria dos atuais deputados. Segundo ele, o cenário político e eleitoral indica que poucos nomes devem ficar fora da próxima legislatura.
“Eu acredito que a renovação vai ser bem baixa, muito baixa. Os deputados estão muito bem posicionados”, afirmou Botelho, ao comentar o momento político do Estado.
O parlamentar destacou que, mesmo com a decisão da deputada Janaína Riva de não disputar a reeleição, o número de concorrentes competitivos continua elevado. “Considerando que a deputada Janaína não vai disputar, nós teríamos 23 deputados concorrendo. Desses, acredito que no máximo três ou quatro possam perder a eleição, e isso mais por escolha partidária”, avaliou.
Botelho reforçou ainda que as pesquisas de intenção de voto já refletem esse cenário, apontando que a maioria dos deputados possui base eleitoral consolidada e bom desempenho junto ao eleitorado. “Hoje é possível observar, inclusive nas pesquisas, que os deputados têm votos, estão bem avaliados e com bases eleitorais firmes”, completou.
Para o deputado, a força política construída ao longo do mandato pesa de forma decisiva no processo eleitoral, reduzindo significativamente as chances de uma renovação expressiva na Assembleia.
Análise MT Urgente: por que os deputados eleitos largam em vantagem na disputa
A avaliação feita por Eduardo Botelho encontra sustentação em fatores estruturais que, na leitura do MT Urgente, explicam por que os deputados em exercício entram na eleição vários passos à frente dos novos candidatos.
Cada parlamentar dispõe, ao longo do mandato, de aproximadamente R$ 25,7 milhões em emendas impositivas, além das emendas não impositivas, que ampliam o poder de articulação política junto a prefeitos, vereadores e lideranças regionais. Esses recursos viabilizam obras, investimentos em saúde, educação, infraestrutura e ações sociais nos municípios, fortalecendo vínculos eleitorais.
A isso se soma uma estrutura robusta de gabinete, que pode envolver mais de 60 assessores diretos e indiretos, além de veículos oficiais, combustível, passagens aéreas, diárias e suporte logístico permanente, garantindo presença constante nos municípios e participação frequente em agendas institucionais.
Outro fator relevante é a visibilidade pública contínua. Deputados participam regularmente de inaugurações, eventos culturais, festas populares, rodeios, exposições agropecuárias e ações sociais que atendem diretamente a população, mantendo contato permanente com o eleitorado.
Na prática, esse conjunto de fatores cria uma disputa eleitoral desigual, dificultando o avanço de candidatos sem mandato, que precisam construir nome, base e presença política sem acesso à mesma estrutura e recursos.
Mesmo com a eventual saída de um ou outro parlamentar da disputa, a análise do MT Urgente aponta que o número real de cadeiras em disputa é reduzido, o que reforça a projeção de baixa renovação feita por Botelho.
Leitura política – MT Urgente
O cenário traçado pelo deputado Eduardo Botelho não se resume a uma percepção individual, mas reflete um modelo político que favorece quem já ocupa mandato. Estrutura, recursos, visibilidade e articulação institucional criam uma vantagem significativa para os atuais deputados, tornando a renovação um desafio cada vez maior.
Assim, a próxima eleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso tende a promover ajustes pontuais, e não uma mudança profunda no perfil da Casa.
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News















