Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi, afirmou que o verdadeiro cenário da eleição para deputado estadual só ficará claro após o encerramento da janela partidária, no fim de março e início de abril. Segundo ele, é somente a partir desse momento que será possível identificar, com mais precisão, quais partidos terão chapas viáveis e candidatos realmente definidos para a disputa.
Reconhecido nos bastidores como um estrategista experiente na montagem de chapas competitivas, Max Russi destacou que, neste momento, o cenário ainda está confuso, com muitos pré-candidatos sendo citados simultaneamente em diferentes legendas.
“Hoje você vê os mesmos nomes aparecendo em várias chapas. Só depois do fechamento da janela partidária é que vamos conseguir enxergar com mais clareza onde cada candidato realmente vai ficar e quem, de fato, vai disputar a eleição”, avaliou.
Para o presidente da ALMT, esse período será decisivo porque nem todos os partidos conseguirão atingir o coeficiente eleitoral, que deve girar em torno de 84 mil votos para eleger um deputado estadual. Segundo ele, apenas chapas bem estruturadas, com grandes lideranças, base consolidada e organização partidária, terão reais condições de alcançar esse número.
Max Russi afirmou ainda que trabalha diretamente na construção de chapas fortes e competitivas, apostando em nomes com densidade eleitoral, presença regional e capacidade de articulação política. A avaliação, nos bastidores, é de que essa estratégia pode resultar na formação de uma das maiores bancadas da próxima legislatura, repetindo um modelo de organização partidária que ele já utilizou em outros momentos da política estadual.
Análise MT Urgente: por que tudo indica uma eleição com pouca renovação
Na avaliação do MT Urgente, a leitura feita por Max Russi ajuda a explicar por que a próxima eleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso tende a trazer poucas novidades.
Nas últimas eleições, uma das palavras mais repetidas por candidatos e eleitores foi “renovação”. De fato, diversos municípios importantes do Estado elegeram novos prefeitos, apostando em mudanças. No entanto, passado o primeiro ano de mandato, parte dessas gestões enfrenta avaliações negativas, com dificuldades administrativas, desgaste precoce e frustração da população.
Esse cenário tem influenciado diretamente o comportamento do eleitor. Em conversas com parlamentares e com a própria população, o MT Urgente identificou um crescimento da rejeição a candidatos que vivem apenas do discurso fácil ou de vídeos nas redes sociais, sem grupo político, sem base sólida e sem histórico concreto de trabalho prestado.
Com o mundo digital cada vez mais presente no dia a dia, o eleitor passou a comparar mais, questionar mais e cruzar informações, escolhendo com maior cuidado quem realmente entrega resultados ou apresenta propostas viáveis — e não apenas promessas genéricas.
Outro ponto recorrente nas críticas ouvidas pelo MT Urgente é a insatisfação com políticos que se elegem para um cargo e, antes de concluir o mandato, já articulam novas disputas, muitas vezes lançando esposas, filhos ou familiares. Para parte da população, esse comportamento enfraquece o discurso de compromisso com a gestão e gera desconfiança.
Nesse contexto, o eleitor tende a valorizar mais a experiência política e a capacidade de articulação, especialmente no Legislativo, onde o resultado prático do mandato costuma pesar mais do que o discurso de novidade.
Além disso, os deputados em exercício contam com vantagens estruturais expressivas, como acesso a emendas parlamentares, visibilidade institucional, presença constante nos municípios, articulação política e bases eleitorais consolidadas. Esses fatores colocam quem já ocupa mandato vários passos à frente de candidatos que tentam ingressar pela primeira vez na ALMT.
Outro elemento decisivo é a dificuldade de muitos partidos em atingir o coeficiente eleitoral. Com isso, a tendência é de concentração de votos em chapas mais fortes, reduzindo ainda mais o espaço para candidaturas isoladas ou pouco estruturadas.
Leitura política – MT Urgente
Com o fim da janela partidária se aproximando, o cenário tende a ficar mais nítido a partir de abril. Ainda assim, todos os sinais indicam que a eleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso será marcada por ajustes pontuais, e não por uma renovação ampla.
A estratégia defendida por Max Russi, aliada à análise do MT Urgente, aponta para uma disputa em que organização partidária, força de chapa e densidade eleitoral farão a diferença — e onde, mais uma vez, quem já está no jogo larga em vantagem.















