A manhã desta terça-feira (10) foi marcada por um confronto direto e de alto teor político entre a vereadora Maysa Leão (Republicanos) e o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), dentro da Câmara Municipal. O embate ocorreu na sala de imprensa da Casa e terminou com o encerramento antecipado da coletiva concedida pelo chefe do Executivo.
O episódio ganhou contornos ainda mais duros quando a parlamentar entrou no local após ter seu nome citado pelo prefeito. Visivelmente indignada, Maysa exigiu explicações imediatas e cobrou que Abilio repetisse “na sua cara” tudo o que vinha dizendo sobre ela e pessoas ligadas ao seu mandato.
Durante a discussão, a vereadora partiu para o ataque direto e disparou, em tom elevado:
“Você é cínico”, frase que causou reação imediata entre jornalistas, assessores e servidores presentes.
“Se tem denúncia, vá ao Ministério Público”
Ao rebater as declarações do prefeito, Maysa foi enfática ao afirmar que não aceitará acusações ou insinuações sem provas formais.
“Se você tem alguma denúncia, denuncie. Vá ao Ministério Público. Não fique falando de mim todos os dias. Isso é violência política de gênero”, afirmou a parlamentar.
Ela também reforçou que não permitirá que seu nome seja utilizado de forma recorrente em discursos públicos sem fundamento jurídico.
“Aqui é a minha casa”
Em outro momento tenso do confronto, Maysa destacou o caráter institucional do local e afirmou que o prefeito estava no espaço do Legislativo.
“Você está na minha casa”, disse a vereadora, em referência à Câmara Municipal de Cuiabá, cobrando respeito ao ambiente e ao mandato parlamentar.
Origem do conflito
Antes da interrupção, Abilio comentava a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) relacionada ao caso de assédio sexual que resultou na exoneração do então secretário municipal de Trabalho, William Leite de Campos. O prefeito defendia cautela, alegando que uma investigação poderia expor a suposta vítima, que era servidora do Município.
Durante a fala, Abilio mencionou um episódio ocorrido em 2025, quando uma adolescente relatou abusos durante uma audiência pública convocada por Maysa. A jovem estava acompanhada pelo Instituto Lírios, entidade que atua no acolhimento de mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. O caso, que já havia gerado desgaste político à vereadora no passado, voltou ao centro do debate.
Troca de acusações
Com a presença de Maysa na coletiva, os dois passaram a discutir o papel do Instituto Lírios e quem teria autorizado a exposição da adolescente na tribuna. Abilio afirmou ainda que a presidente da entidade, Muriel Torres, apontada por ele como coordenadora da campanha eleitoral da vereadora em 2022, teria viabilizado o recebimento de cerca de R$ 4 milhões em recursos federais.
A vereadora reagiu imediatamente, classificando as falas como insinuações graves, negou irregularidades e afirmou que irá buscar providências judiciais. Em meio ao bate-boca, voltou a acusar o prefeito de praticar violência política de gênero.
Abilio, por sua vez, negou ter imputado crime à parlamentar e afirmou que a coletiva foi interrompida pela própria vereadora.
Coletiva encerrada e clima político tensionado
A troca de farpas durou cerca de dez minutos. Assessores tentaram retirar Maysa do local, enquanto o prefeito ainda respondeu a algumas perguntas antes de encerrar a entrevista coletiva.
O episódio escancara o clima de tensão entre o Executivo e parte do Legislativo cuiabano, em um momento em que a cidade enfrenta críticas da população por problemas como ruas esburacadas, mato alto, obras que causam transtornos e impactos negativos ao comércio.
O embate verbal, agora marcado pela acusação direta de “cinismo”, adiciona mais um capítulo à crise política na Capital e deve repercutir nos próximos dias.















