Depois de quase cinco meses trabalhando em condições improvisadas na rua sob tendas emprestadas, os 600 lojistas do Shopping Popular de Cuiabá começaram a atender na estrutura provisória, localizada na Avenida Carmindo de Campos. As tendas foram desmontadas na terça-feira (10), marcando o início da transição para os 216 contêineres que compõem o novo espaço. Cada contêiner abriga três bancas de vendas.
De acordo com Misael Galvão, presidente da Associação dos Camelôs de Cuiabá, a inauguração oficial da estrutura provisória está programada para o próximo sábado (14). “A partir de quarta-feira, nossos clientes já podem fazer compras dentro do Shopping Popular. As obras restantes serão realizadas apenas à noite para não interferir nas vendas”, afirmou Misael. Ele também reforçou a importância do mutirão dos lojistas para garantir que o espaço esteja em pleno funcionamento no dia da inauguração.
Desafios e opiniões divergentes
Embora muitos comerciantes já tenham migrado para o novo local, alguns ainda enfrentam dificuldades. Na semana passada, a mudança foi adiada devido a problemas de infraestrutura, como a falta de energia elétrica, que só foi concluída recentemente. A instalação das portas das bancas é de responsabilidade dos próprios lojistas, o que gerou críticas e insatisfação.
Mariano Raphael, que trabalha no Shopping Popular há nove anos, comentou sobre as dificuldades enfrentadas desde o incêndio de julho. “Apesar da temperatura não ser ideal no novo espaço, é muito melhor do que trabalhar na rua. Em dezembro, com o aumento do movimento, seria impossível atender todos os clientes no espaço anterior”, destacou o comerciante.
No entanto, os lojistas cobram mais transparência da associação responsável pela administração. Mariano questionou a aplicação dos valores arrecadados mensalmente e pediu prestação de contas. “Pagamos R$ 1.500 por loja, com 600 lojistas. Isso gera cerca de R$ 900 mil mensais. Queremos saber para onde está indo esse dinheiro e se realmente está sendo investido no Shopping”, disse ele.
A vendedora Midian Oliveira compartilhou a mesma indignação, questionando a ausência de um seguro para a estrutura do Shopping. “Sempre achei que o prédio tivesse seguro. É muito dinheiro envolvido aqui. Espero que a administração melhore, considerando tudo o que já aconteceu”, desabafou.
Relembre o incêndio
O incêndio que destruiu o Shopping Popular ocorreu na madrugada de 15 de julho, começando às 2h30. Em 8 de outubro, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu que o incidente foi causado por um superaquecimento elétrico em um dos boxes do piso inferior.
Em resposta à tragédia, o prefeito Emanuel Pinheiro anunciou, em 23 de julho, uma linha de crédito de R$ 10 milhões para os comerciantes afetados. Cada lojista pode solicitar até R$ 25 mil mediante análise de crédito, mas detalhes sobre a liberação dos recursos ainda não foram divulgados.
Expectativas para o futuro
Com a nova estrutura provisória em operação, os comerciantes esperam melhores condições de trabalho e maior transparência na gestão do Shopping Popular. A inauguração oficial deste sábado é vista como um passo importante para a retomada plena das atividades comerciais, especialmente em um período de alta demanda como o fim do ano.