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A era Campos chegou ao fim ou o grupo prepara um novo capítulo para 2026?

Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News

As eleições municipais de 2024 deixaram marcas profundas no grupo político ligado à família Campos em Mato Grosso. Derrotas em redutos históricos, perda de espaço em municípios estratégicos e o enfraquecimento de alianças tradicionais sinalizaram que um ciclo político entrou em zona de alerta.

Desde então, o grupo passou a se movimentar com mais intensidade. Visitas ao interior, conversas com lideranças locais e reposicionamento estratégico indicam uma tentativa clara de reconstrução política mirando as eleições de 2026.

A pergunta que domina os bastidores é direta: a família Campos vive o fim de uma era ou o início de um recomeço político?

Mais movimento e menos dependência do grupo governista

Nos últimos meses, ficou evidente que não há mais espaço político para a família Campos dentro do grupo liderado pelo governador Mauro Mendes. A relação, antes de convivência estratégica, deu lugar ao distanciamento e à quebra de confiança.

Aliados avaliam que o apoio do grupo governista a um nome de outro partido para a sucessão estadual selou esse rompimento. A partir daí, a família Campos passou a atuar de forma mais independente, buscando reconstruir seu próprio campo político.

Jayme Campos: experiência, força em Brasília e discurso mais duro

No centro desse reposicionamento está o senador Jayme Campos. Mesmo fora do núcleo político do Palácio Paiaguás, Jayme tem reforçado sua principal credencial: experiência e força em Brasília.

Jayme é reconhecido como o senador que mais destinou emendas parlamentares para Mato Grosso em 2025, alcançando praticamente todas as prefeituras do Estado. Prefeitos, inclusive de diferentes espectros políticos, reconhecem que sua atuação garantiu recursos para áreas essenciais como saúde, infraestrutura e serviços públicos.

Esse histórico fortalece o discurso de que, mesmo fora do grupo governista, Jayme segue relevante, ativo e com capacidade real de articulação nacional.

Críticas públicas e tom de enfrentamento

O novo momento ficou ainda mais evidente nesta semana, quando Jayme Campos fez uma dura crítica a um dos principais aliados do governo, o empresário e ex-ministro Blairo Maggi.

Em tom claramente eleitoral, Jayme cobrou uma suposta dívida de cerca de R$ 2 bilhões relacionada a contribuições não pagas por grandes grupos do agronegócio, afirmando que o valor seria suficiente para resolver problemas como a RGA dos servidores públicos.

A declaração marcou um divisor de águas. Pela primeira vez, Jayme adotou um discurso frontal contra figuras centrais do grupo que hoje sustenta o governo estadual, deixando claro que o alinhamento político foi rompido.

Menos vaidade, mais viabilidade

Internamente, Jayme tem adotado um discurso pragmático. Ele próprio já afirmou que não haverá imposição de candidatura e que a decisão passará por critérios objetivos, especialmente pesquisas eleitorais.

Nesse contexto, cresce a especulação sobre uma possível composição com o senador Wellington Fagundes, hoje bem posicionado nas pesquisas. O entendimento seria simples: quem estiver melhor avaliado lidera a chapa.

Esse movimento reforça a leitura de que o grupo Campos busca sobrevivência política com base em viabilidade, e não apenas em tradição ou sobrenome.

Júlio Campos e o desafio da continuidade

Outro ponto sensível é o futuro do deputado Júlio Campos, que avalia a possibilidade de disputar mais uma reeleição. O cenário, porém, é desafiador.

O eleitor mato-grossense se mostra mais atento, menos tolerante à repetição de nomes tradicionais e mais exigente quanto a resultados concretos. Isso torna qualquer projeto de continuidade mais complexo e dependente de estratégia, comunicação e alianças sólidas.

O eleitor mudou — e o jogo também

A política de Mato Grosso vive um novo momento. O eleitor está mais conectado, acompanha bastidores, cobra coerência e observa com atenção as alianças que se formam. O ambiente digital e a comunicação direta passaram a ter peso decisivo.

Nesse cenário, experiência pesa — mas não garante vitória. É preciso traduzir trajetória em projeto de futuro.

Fim ou recomeço?

Diante desse contexto, a família Campos vive talvez seu momento mais decisivo em décadas. O rompimento com o grupo governista é um fato. A força política em Brasília, especialmente de Jayme Campos, também é inegável.

Se esse movimento representará o encerramento de um ciclo histórico ou o início de um recomeço político, dependerá da capacidade do grupo de se reorganizar, formar novas alianças e dialogar com um eleitorado cada vez mais atento e exigente.

Uma coisa é certa: 2026 não será apenas mais uma eleição — será um teste definitivo de sobrevivência política para a família Campos em Mato Grosso.

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Cuiabá-MT 03.02.2026 21:31

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