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Abilio avalia oposição, se compara ao próprio passado e expõe vaidade política na relação com a Câmara

Ao alfinetar vereadores da oposição, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), foi além da crítica política e acabou expondo um traço recorrente de seu estilo: a necessidade constante de se colocar como régua de avaliação do Legislativo e de reforçar, publicamente, a própria atuação passada.

A declaração, feita no último sábado (10), teve como alvo os vereadores Daniel Monteiro, Maysa Leão (Republicanos), Dídimo Vovô (PSB) e Jefferson Siqueira (PSD), que vêm encabeçando críticas à atual gestão municipal.

Ao afirmar que os oposicionistas “precisam trabalhar muito” para chegar ao nível que ele próprio teve como vereador, Abilio não apenas confronta a oposição, como também reafirma sua imagem de protagonista absoluto do debate político, mesmo agora ocupando o cargo de prefeito.

O prefeito que ainda se mede como vereador

O embate ocorre em meio à aprovação de leis sensíveis, como o reajuste do IPTU, do ISSQN e a revisão dos incentivos fiscais do Distrito Industrial. Abilio criticou a ausência de parlamentares em votações consideradas estratégicas, mas fez isso a partir de uma comparação direta com sua própria atuação no passado.

“Eles têm que trabalhar muito para serem o ‘Abilio da atual gestão’”, afirmou.

A frase, embora dita em tom crítico, revela mais do que uma cobrança política. Ela mostra um prefeito que ainda se coloca como referência central do confronto, reforçando uma postura de vaidade política e de constante autoafirmação.

“Quem cala, consente”… e quem compara, se exalta

Ao citar nominalmente Daniel Monteiro, Abilio reconheceu a boa oratória do vereador, mas voltou a insistir na comparação direta com sua própria trajetória.

“Ele fala muito bem, mas precisa melhorar muito. Não participou da votação do ISS. Quem cala, consente”, disse.

Nos bastidores, a avaliação é de que o prefeito gosta de medir adversários pelo espelho do próprio passado, criando um contraste que sempre termina com ele mesmo em posição superior. A crítica deixa de ser apenas institucional e passa a carregar um componente pessoal e simbólico.

Sessões longas, memória seletiva e protagonismo

Abilio também relembrou que, durante seu mandato como vereador, as sessões se estendiam até a madrugada, com debates longos e intensos. A lembrança reforça a narrativa de que “antes era melhor porque ele estava lá”, discurso que agrada sua base, mas gera incômodo entre parlamentares.

“Hoje são perfis de atuação totalmente diferentes”, afirmou.

A frase resume bem o tom: diferente, aqui, não significa necessariamente pior — mas é apresentada como tal a partir da régua do próprio prefeito.

Respeito no discurso, cobrança no ego

Embora tenha dito respeitar o estilo de cada vereador, Abilio não deixou de pontuar quem, na visão dele, “começou a trabalhar agora” ou ainda “não chegou lá”. O respeito aparece no discurso, mas a cobrança vem acompanhada de autoexaltação constante.

Um prefeito que ainda disputa o plenário

Abilio Brunini construiu sua trajetória política como opositor ferrenho do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD), foi vereador entre 2017 e 2020, deputado federal em 2022 e venceu a eleição municipal em 2024. No entanto, suas falas indicam que, mesmo sentado na cadeira de prefeito, ele ainda disputa simbolicamente o plenário da Câmara.

Mais do que avaliar a oposição, Abilio parece precisar reafirmar, a cada embate, que continua sendo o principal personagem da cena política — agora não mais como vereador, mas como prefeito que ainda gosta de se olhar no retrovisor… e se aplaudir.


Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News

 

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Cuiabá-MT 03.02.2026 23:14

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