Desde a campanha, o atual prefeito de Cuiabá construiu sua imagem política baseado em um discurso firme de fiscalização, combate à corrupção e crítica direta à antiga gestão. Ainda como vereador e depois deputado federal, foi conhecido por enfrentar publicamente contratos, obras e decisões da Prefeitura. Eleição vencida, o cenário mudou: saiu do papel de fiscal e assumiu a cadeira mais cobrada da cidade.
Agora, a pergunta que cresce nas ruas é simples e direta: Cuiabá começou a mudar?
Durante a campanha, o então candidato prometeu objetivo claro: modernizar a cidade, melhorar o asfalto, fortalecer a saúde pública, reorganizar a educação e garantir uma gestão mais eficiente. Em diversas falas, afirmou que o problema da capital não era falta de dinheiro, mas má gestão e corrupção.
Passados os primeiros meses de administração, o MT Urgente foi às ruas ouvir quem realmente sente os impactos das decisões: a população.
“A sensação é que a cidade parou”, diz morador
Em entrevista à reportagem, o empresario Marcelo, avaliou com sinceridade o momento atual da cidade.
“Cuiabá está feia. Buraco pra todo lado, mato alto, lixo acumulado… a gente não vê aquela mudança que foi prometida. A cidade não passa aparência de capital”, afirmou.
Segundo ele, o discurso político ainda domina o tom da gestão.
“Eu vejo muita explicação, muita internet, muito vídeo… mas pouca solução prática. Parece que o prefeito ainda está preso no Emanuel Pinheiro. Tudo que não faz é porque o ex-prefeito deixou assim”, disse.
Marcelo reconhece que problemas foram herdados da gestão anterior, mas cobra mudança de postura.
“Chega uma hora que o povo cansa de desculpa. Já está na hora de virar a página. Se houve erro, deixa pra Justiça. Agora tem que focar na cidade, resolver o que está errado e trabalhar.”
O que foi prometido
Entre as principais promessas de campanha estavam:
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Melhoria do asfalto e da infraestrutura urbana;
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Agilidade nos atendimentos de saúde;
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Redução das filas nas unidades básicas;
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Uso de tecnologia para gestão de filas e prontuários;
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Revitalização de espaços públicos;
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Transparência nos contratos públicos.
O discurso sempre foi o mesmo: Cuiabá não era mal atendida por falta de recursos, mas por má administração.
O que a população vê hoje
Na rua, no entanto, o retrato ainda é de insatisfação para parte dos moradores.
“Posto lotado, rua esburacada, poeira quando não é lama. A gente não vê força de gestão. Cuiabá parece estar vivendo de justificativa”, completou Marcelo.
O comerciante também questiona o foco da administração.
“Prefeitura não pode ser feita de internet. Tem que estar na rua, gerenciando equipe, cobrando resultado e resolvendo problema. O povo quer resultado, não guerra política.”
Gestão em teste
Especialistas ouvidos pelo MT Urgente avaliam que o início de gestão é o momento mais crítico politicamente. É quando o discurso precisa virar prática. E é justamente nessa fase que o desgaste começa, caso os resultados não apareçam.
Apesar das críticas, o espaço segue aberto para que a Prefeitura de Cuiabá apresente balanços, metas, cronogramas de obras e esclarecimentos sobre os avanços da gestão.
O sentimento que ecoa nas ruas
O resumo do pensamento popular, segundo Marcelo, é direto:
“A gente vota esperando mudança. Não quer briga política eterna. Cuiabá precisa de cuidado, gestão de verdade e menos desculpa. A cidade é maior que disputa política.”
Alex Rabelo
Jornalista e Analista Político















