O crescimento da população em situação de rua em Mato Grosso deixou de ser apenas um dado estatístico e passou a ser um alerta social, urbano e econômico. Em apenas um ano, o número de pessoas vivendo nas ruas aumentou 19%, segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, com base no CadÚnico.
Em 2024, pelo menos 3.603 pessoas estavam em situação de rua no estado. Metade desse contingente está concentrada nos principais municípios da baixada cuiabana, com destaque para Cuiabá, onde 1.561 pessoas vivem hoje sem moradia fixa.
Os números são preocupantes, mas a realidade nas ruas é ainda mais dura. E o Centro de Cuiabá se tornou o principal termômetro dessa crise.
Centro da Capital vira símbolo de um problema fora de controle
Quem circula pelo Centro percebe que algo mudou — e não para melhor. Comerciantes, empresários e consumidores relatam queda no movimento, fechamento de lojas e um sentimento crescente de insegurança.
O aumento de pessoas em situação de rua, aliado ao uso de drogas em espaços públicos, tem afastado clientes. Muitos preferem evitar o Centro e optam por shoppings ou centros comerciais fechados, considerados mais seguros.
O resultado é um ciclo perigoso:
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Menos clientes
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Menos vendas
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Mais lojas fechadas
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Mais degradação urbana
O Centro de Cuiabá, que sempre foi polo comercial e histórico da Capital, hoje serve de alerta do que pode se espalhar para outras regiões se nada for feito.
Não é só assistência social. É cidade, economia e dignidade
O perfil da população em situação de rua mostra uma exclusão profunda:
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91% são homens
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82% são pessoas negras
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58% não têm escolaridade ou possuem apenas o ensino fundamental incompleto
Para Rúbia Cristina de Jesus, coordenadora do Movimento Nacional da População em Situação de Rua em Mato Grosso, o problema é estrutural:
“Viver na rua hoje não é viver, é sobreviver.”
Ela reforça que sem moradia não existe política pública eficaz:
“A moradia é a porta de entrada. Sem endereço, a pessoa não consegue emprego, não acessa saúde, não consegue sair dessa situação.”
Saúde, segurança e denúncias preocupam
Relatos apontam dificuldades de acesso a postos de saúde, além de doenças graves e negligenciadas que avançam sem tratamento adequado. Há também denúncias de abordagens violentas, constrangimentos e expulsões forçadas de áreas públicas, o que apenas desloca o problema — não resolve.
Segurança pública é necessária, mas sozinha não dá conta. Sem políticas de moradia, saúde mental, tratamento para dependência química e reinserção social, a situação tende a crescer e se agravar.
O alerta está dado
O Centro de Cuiabá mostra, de forma clara, que não dá para continuar como está. Ignorar o problema significa aceitar:
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Mais exclusão social
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Mais insegurança
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Mais prejuízo ao comércio
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Mais degradação urbana
Este não é um debate ideológico. É uma urgência humana, econômica e urbana. Se nada for feito agora, o custo — social e financeiro — será ainda maior no futuro.
O alerta está dado. Algo precisa ser feito, e com urgência.
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News















