A elevação recente do preço do óleo diesel em diversas regiões do país acendeu um alerta entre produtores rurais de Mato Grosso. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) manifestou preocupação com o impacto da alta do combustível em um momento considerado delicado para o setor agrícola, marcado por custos de produção elevados, crédito mais caro e alto nível de endividamento no campo.
De acordo com a entidade, o diesel é um dos principais insumos da cadeia produtiva agropecuária, utilizado desde o preparo do solo e operação das máquinas até o transporte de insumos e o escoamento da produção. Por isso, qualquer aumento no valor do combustível tende a provocar efeito em cadeia, pressionando os custos da produção rural e impactando toda a logística de transporte no país.
A Aprosoja MT ressalta que, embora o preço do diesel esteja ligado a fatores técnicos como as oscilações do petróleo no mercado internacional, especialmente do tipo Brent, preocupa a rapidez com que essas variações externas são repassadas ao consumidor. Segundo a entidade, em alguns momentos há percepção de que determinados segmentos da cadeia de distribuição antecipam reajustes ou ampliam margens, intensificando a pressão sobre os preços internos.
Outro ponto destacado é a dependência do Brasil em relação à importação de diesel. Mesmo sendo um dos grandes produtores de petróleo do mundo, o país ainda precisa importar parte significativa do combustível consumido internamente, o que torna a economia vulnerável a crises internacionais e tensões geopolíticas que influenciam o mercado de energia.
Diante desse cenário, a Aprosoja defende que o país avance em políticas estruturais que reduzam essa dependência. Entre as alternativas apontadas está o fortalecimento da produção de biocombustíveis, especialmente com o aumento da mistura de biodiesel ao diesel convencional. Atualmente, o debate nacional já discute a ampliação da mistura para o B17, mas produtores avaliam que, diante da grande oferta de óleo vegetal e da capacidade da indústria, é possível avançar para metas mais ambiciosas, como o B20.
A entidade também considera legítima a discussão de medidas emergenciais para amenizar os impactos de aumentos abruptos do combustível. Entre elas, a utilização temporária de instrumentos tributários para reduzir a carga sobre o diesel, a exemplo do que ocorreu em 2022, quando tributos federais foram zerados e estados reduziram a alíquota do ICMS para conter a alta dos preços.
Segundo a Aprosoja, a elevação do diesel não afeta apenas o setor produtivo. O encarecimento do combustível pressiona o transporte de cargas, impacta o preço de alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais, além de contribuir para o aumento da inflação em um momento em que a economia já convive com juros elevados.
Para a entidade, enfrentar esse cenário exige rapidez nas decisões e planejamento estratégico por parte do poder público. A adoção de políticas que fortaleçam a produção nacional de energia, reduzam a vulnerabilidade externa e garantam maior estabilidade ao setor produtivo é considerada essencial para preservar a competitividade da economia brasileira e evitar que os custos cheguem ainda mais pesados ao consumidor final.
