Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
Em meio ao aquecimento do debate eleitoral em Mato Grosso, o deputado estadual Eduardo Botelho (União Brasil) fez um alerta direto e público ao grupo governista: a falta de unidade pode custar a eleição de 2026.
Para Botelho, caso o senador Jayme Campos (União Brasil) e o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) insistam em projetos individuais, o centro político corre o risco de perder espaço para a polarização já instalada no estado.
“Se quiserem ganhar, Jayme e Pivetta precisarão se unir e deixar a vaidade de lado”, resumiu o parlamentar.
Jayme no jogo, mas sem diálogo interno
Botelho reconheceu a legitimidade de Jayme Campos em se colocar como pré-candidato ao governo, mas fez uma observação crítica sobre a forma como o movimento vem sendo conduzido.
Segundo ele, Jayme optou por iniciar sua construção política de forma isolada, sem diálogo interno com o partido neste primeiro momento.
“Eu conversei com o Jayme e perguntei se ele iria chamar o partido. Ele foi claro: ‘Não, Botelho. Vou consolidar meu nome com a base no interior. A partir de abril, reúno o partido e apresento viabilidade política’”, relatou.
Pivetta também tem legitimidade
Ao mesmo tempo, Botelho ressaltou que Otaviano Pivetta também possui legitimidade dentro do grupo, especialmente por ter exercido dois mandatos consecutivos como vice-governador.
“Dentro desse grupo tem o vice-governador Otaviano Pivetta, que ficou todo esse tempo como vice. Eu tenho defendido que esse grupo não pode dividir”, afirmou.
Para o deputado, a divisão interna seria um erro estratégico grave, especialmente diante do cenário que se desenha para 2026.
Polarização já tem nomes definidos
Na avaliação de Botelho, a eleição estadual caminha para uma forte polarização. Segundo ele, os extremos ideológicos já estão organizados e com nomes postos.
“Vamos ter uma eleição dificílima. De um lado, a extrema-direita, que não está fraca, nem morta. Do outro, a esquerda. Os dois lados já têm candidatos: Wellington Fagundes, pela direita, e Natascha Slhessarenko, pela esquerda”, analisou.
Nesse cenário, Botelho alerta que um centro fragmentado pode simplesmente desaparecer do jogo.
“Se não tiver meio de campo e centroavante, a gente corre sério risco de perder a eleição”, disse.
Experiência própria como alerta
O deputado usou sua própria experiência eleitoral como exemplo dos riscos da falta de unidade. Ele lembrou que a divisão interna foi determinante para sua derrota na disputa pela Prefeitura de Cuiabá, em 2024.
“A divisão levou à minha derrota. Quando tentamos colar quem apoiou outro candidato, não deu liga. Isso dificultou a vitória”, afirmou.
Lideranças nacionais e risco de isolamento
Botelho também chamou atenção para o peso das lideranças nacionais no processo eleitoral e o risco de o grupo governista ficar isolado.
“Se racharmos, quando Flávio Bolsonaro declarar apoio ao Wellington, os extremistas vão todos com ele. Da mesma forma, se o Lula vier e declarar apoio à Natasha, todos vão com ela. E o nosso grupo? Marcha rachado?”, questionou.
Decisão precisa ser técnica, não pessoal
Por fim, Botelho ponderou que ainda não é possível apontar quem deveria abrir mão da disputa, mas defendeu que a escolha seja feita com base em viabilidade eleitoral, e não em projetos individuais.
“Quem deve desistir eu não consigo visualizar agora. Mas é preciso conversar, analisar quem tem condições reais e deixar vaidades pessoais de lado, se o interesse for manter o projeto do grupo”, concluiu.
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News















