A Câmara Municipal de Cuiabá decidiu, nesta terça-feira, não abrir comissão processante para apurar possível quebra de decoro do vereador Chico 2000, citado em investigações da chamada Operação Gorjeta. Por 15 votos contrários e 7 favoráveis, o plenário rejeitou a instauração do procedimento que poderia, em última instância, resultar na cassação do mandato.
O resultado confirmou o cenário que já vinha se desenhando nos bastidores, diante da dificuldade de reunir votos suficientes para autorizar a investigação interna. O parlamentar está afastado por determinação relacionada ao inquérito conduzido pela Polícia Civil, que apura suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas a atividades esportivas e culturais. Entre os indícios analisados estão possíveis fraudes, superfaturamento e movimentações financeiras consideradas atípicas.
Durante a discussão, vereadores contrários à abertura da comissão afirmaram que não tiveram acesso completo ao conteúdo das apurações e que, por isso, não haveria base para iniciar um processo político-administrativo. Já os parlamentares favoráveis sustentaram que a comissão serviria justamente para permitir esclarecimentos formais e garantir transparência, sem representar julgamento antecipado.
A presidente da Câmara, Paula Calil, afirmou que levou o pedido à votação seguindo o que determina o regimento. Segundo ela, a Procuradoria apontou a existência dos requisitos formaais para análise, mas a palavra final caberia ao plenário. A dirigente declarou ainda que vê com bons olhos a criação desse tipo de instrumento por entender que ele abre espaço para a defesa pública do investigado, embora tenha frisado que deve respeitar a decisão da maioria.
Com a deliberação, o Legislativo municipal não fará, por ora, apuração própria sobre o caso. As investigações continuam na esfera policial, enquanto a decisão dos vereadores alimenta discussões sobre transparência e a postura da Câmara diante de denúncias envolvendo recursos públicos.















