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Candidato, artista ou influencer? Quando a política vira palco em 2026

Basta observar com atenção.
O político chega a uma reunião e, antes mesmo do primeiro aperto de mão, a câmera do celular já está ligada.
Entra em um restaurante e alguém está filmando sua entrada.
Participa de um encontro comunitário e há sempre um videomaker acompanhando cada movimento — ajustando o enquadramento, buscando o melhor ângulo, pedindo para repetir a fala porque “o áudio não ficou bom”.
A cena se repete.
A chegada é registrada.
O cumprimento é encenado novamente.
O café vira conteúdo.
O almoço vira cenário.
A visita institucional vira corte de 30 segundos.
Nada parece improvisado.
Tudo parece estrategicamente pensado para a internet.
E a pergunta que começa a ecoar é inevitável:
Estamos elegendo representantes ou personagens?
A política do espetáculo permanente
A comunicação é essencial na democracia. Transparência é necessária. Prestar contas é obrigação.
O problema começa quando a prioridade deixa de ser o conteúdo da reunião e passa a ser a estética do vídeo. Quando o foco sai da solução do problema e vai para o alcance da publicação. Quando o mandato parece mais preocupado com métricas digitais do que com indicadores sociais.
Hoje, muitos acreditam que seguidores se transformam automaticamente em votos. Que visualizações substituem articulação política. Que engajamento substitui competência legislativa.
Mas a sociedade não vive de likes.
Vive de políticas públicas eficazes.
Enquanto câmeras acompanham cada passo, a população enfrenta filas na saúde, dificuldades na educação, insegurança nas ruas e desafios econômicos diários.
O que está sendo resolvido além do feed?
Mandato para servir ou para performar?
Há representantes que encerram seu período com produção legislativa limitada, poucos projetos estruturantes aprovados e impacto modesto na vida da população — mas com forte presença digital e narrativa constante de protagonismo.
Salários continuam sendo pagos.
Verbas indenizatórias continuam sendo recebidas.
A estrutura do mandato permanece funcionando.
Mas o retorno social acompanha essa estrutura?
Está ruim para eles ou está ruim para quem depende de políticas públicas eficientes?
Quando a política assume postura de celebridade, o risco é transformar o eleitor em plateia e o mandato em espetáculo contínuo.
Influencer busca engajamento.
Artista busca aplauso.
Representante público deveria buscar resultado.
A responsabilidade volta para você
E aqui está o ponto central.
Você, eleitor, vai continuar votando em candidatos que aparecem o tempo todo na internet, mas pouco entregam na prática?
Vai escolher quem tem mais visualizações ou quem tem mais preparo?
Vai decidir pelo corte bem editado ou pelo histórico de projetos apresentados e aprovados?
Antes de se impressionar com produção profissional, talvez seja hora de pesquisar:
•Quantos projetos relevantes esse candidato apresentou?
•Quantos foram aprovados?
•Que impacto concreto ele gerou?
•Ele aparece mais em vídeos ou em comissões debatendo soluções?
Em 2026, a decisão será sua.
O voto não é para o melhor editor de vídeo.
Não é para o melhor enquadramento.
Não é para o político mais performático.
O voto é para quem entende que mandato não é palco — é responsabilidade.
E a pergunta final não é sobre eles.
É sobre você.
Como será o seu voto?

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Cuiabá-MT 02.03.2026 15:55

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