Nos bastidores da Câmara Municipal de Cuiabá, o presidente atual, Chico 2000 (PL), está articulando sua permanência à frente do Legislativo. Embora tenha inicialmente apoiado a candidatura do vereador Jefferson Siqueira (PSD) à presidência, o movimento é visto como uma estratégia para ganhar tempo e abrir caminho para sua própria candidatura. A disputa coloca Chico em rota de colisão direta com a novata Paula Calil (PL), favorita do prefeito eleito Abílio Brunini (PL) e irma do coordenador de sua campanha, Faissal Calil (Cidadania).
A decisão de Jefferson Siqueira em recuar da disputa e a rápida ascensão de Chico como líder da chapa opositora levantam questionamentos: será que Chico estaria “comendo quieto”, como diz o ditado popular, em busca de enfraquecer a articulação de Abílio e Faissal? Fontes internas apontam que a desistência de Jefferson foi apenas uma peça no tabuleiro, permitindo a Chico ganhar fôlego e costurar alianças estratégicas com vereadores descontentes.
“É público que fui inviabilizado. Não foi algo que eu escolhi, mas resultado de articulações que desconsideraram os critérios que considero republicanos e possíveis de serem cumpridos”, desabafou Chico 2000. O desabafo vem após Abílio Brunini declarar apoio aberto a Paula Calil, uma decisão que Chico critica pelo favoritismo à vereadora de primeiro mandato.
Chico questiona abertamente a falta de experiência parlamentar de Paula, afirmando que as últimas gestões comandadas por novatos foram “mal-sucedidas” e mancharam a imagem da Câmara. “Eu não voto em vereador de primeiro mandato. Isso não tem relação com a pessoa dela, mas com a vivência dentro desta Casa”, reforçou o presidente.
Nos corredores da Câmara, o clima é de incerteza. Enquanto o grupo ligado a Paula Calil tenta consolidar sua candidatura e reafirmar o controle do PL sobre a presidência, Chico 2000 segue aglutinando apoio na oposição, com a promessa de uma gestão independente do Executivo. A chapa encabeçada por Jefferson Siqueira foi o primeiro passo; agora, com o recuo do vereador, Chico avança silenciosamente para consolidar sua posição.
confirmou que a desistência ocorreu devido à interferência direta do prefeito eleito, mas sinalizou apoio irrestrito à candidatura de Chico. “Não temos vaidade por cargo. A decisão é pela independência da Casa”, justificou Jefferson, ao prever que o grupo já soma o apoio de pelo menos 15 vereadores.
O movimento de Chico 2000 expõe não apenas um racha interno no PL, mas também um embate entre o Legislativo e o Executivo cuiabano. Comendo pelas beiradas, o atual presidente vai tecendo alianças e ganhando força no xadrez político. Enquanto Abílio e Faissal apostam na vitória de Paula Calil, Chico 2000 avança no silêncio e pode surpreender, virando o jogo na reta final.
Será que a articulação discreta do atual presidente pode frustrar os planos do prefeito eleito? Nos bastidores, a sensação é de que Chico 2000 ainda tem cartas na manga e pode levar a melhor.