Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
O vereador Daniel Monteiro (Republicanos), de 30 anos, encerrou em 2025 seu primeiro ano de mandato na Câmara Municipal de Cuiabá. O parlamentar é o mais jovem entre os 27 vereadores da Casa e avalia o período como um misto de aprendizado, surpresas positivas e frustrações, especialmente no relacionamento entre o Legislativo e o Executivo municipal.
Estreante na política institucional, Daniel afirma que encontrou colegas comprometidos com a cidade, mas se decepcionou com o nível dos debates travados no plenário. Segundo ele, a Câmara deveria discutir temas estruturais da administração pública, como gestão, organograma da Prefeitura, número de cargos e tamanho da folha de pagamento — fatores que, na sua avaliação, impactam diretamente a qualidade dos serviços prestados à população.
“A gente acaba discutindo questões muito pequenas, quando deveria estar debatendo os grandes problemas da cidade”, avaliou.
Relação com o Executivo gera frustração
Um dos pontos mais críticos levantados pelo vereador é a relação entre a Câmara Municipal e a Prefeitura de Cuiabá. Daniel afirma que entrou no mandato acreditando em uma atuação mais harmônica e institucional, mas diz que a prática tem sido outra.
Segundo ele, o Executivo exerce uma influência excessiva sobre o Legislativo, inclusive utilizando estratégias de pressão política.
“Vejo com péssimos olhos o prefeito indo à Câmara para constranger vereador. Ele deveria estar administrando a cidade”, criticou.
Daniel compara a atual gestão com práticas do passado e afirma que a lógica de troca de apoio político por cargos ainda persiste. Ele destaca que, por não concordar com esse modelo, não possui nenhum cargo indicado na Prefeitura.
Críticas diretas ao prefeito Abilio Brunini
O vereador também não poupou críticas ao prefeito Abilio Brunini (PL). Segundo ele, houve quebra de expectativa, já que Abilio se elegeu prometendo mudar a forma de relacionamento entre os poderes, mas estaria reproduzindo práticas que antes criticava.
Daniel afirma que mantém uma relação institucional com o prefeito, mas deixa claro que não abre mão do papel fiscalizador.
“Quando ele acertar, eu vou aplaudir. Quando errar, vou criticar. Cercar-se de quem só elogia é o pior cenário para quem governa”, declarou.
O parlamentar ainda afirmou que o prefeito tem dificuldade em lidar com críticas e falta humildade para rever decisões, o que, segundo ele, prejudica a cidade.
Avaliação do líder do governo
Questionado sobre o desempenho do líder do prefeito na Câmara, vereador Dilemário, Daniel atribuiu nota cinco.
“Nem vai tão bem, nem tão mal. Poderia fazer mais se tivesse mais autonomia”, resumiu.
Convite recusado para a Secretaria de Educação
Durante 2025, Daniel Monteiro foi convidado pelo prefeito para assumir a Secretaria Municipal de Educação, uma de suas principais áreas de atuação. Ele recusou o convite e explicou os motivos.
Segundo o vereador, além de ter sido eleito para exercer o mandato legislativo, ele não se vê trabalhando sem autonomia.
“É difícil trabalhar com um chefe que não dá liberdade aos secretários. Eu não sirvo para trabalhar sem autonomia”, afirmou.
Apoio a Otaviano Pivetta
Apesar de descartar candidatura nas eleições deste ano, Daniel reafirmou apoio ao vice-governador Otaviano Pivetta, a quem atribui papel decisivo em sua trajetória política.
“Se não fosse o Pivetta, eu não teria entrado na vida pública em Mato Grosso. Tenho gratidão e admiração pelo que ele construiu”, destacou.
Atuação em CPIs e produtividade no mandato
Daniel Monteiro também destacou sua atuação como relator de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs): a das Fraudes Fiscais e a dos Fios Abandonados. Segundo ele, é um feito raro para um vereador em primeiro mandato.
Na CPI dos fios e cabos, o relatório resultou em uma nova lei que elevou as multas de até R$ 5 mil para R$ 100 mil. Já na CPI das fraudes fiscais, Daniel afirma ter identificado descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal superior a R$ 300 milhões, envolvendo a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro.
“Toda CPI contraria interesses. Eu contrariei empresas de energia e a antiga gestão municipal. Inclusive, indiciei o ex-prefeito e secretários”, afirmou.
Influência do Executivo preocupa
Ao final, Daniel Monteiro reforça sua principal crítica: o peso excessivo do Executivo sobre a Câmara Municipal.
“O Executivo exerce uma influência maior do que deveria. Isso enfraquece o Legislativo e prejudica o debate democrático”, concluiu.
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News















