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Entre aplausos e vaias: desfile que homenageou Lula termina em rebaixamento e expõe o Brasil dividido entre política e idolatria

Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News

O que era para ser um momento de consagração, aplausos e celebração acabou se transformando em um dos episódios mais controversos do Carnaval de 2026. A escola de samba Acadêmicos de Niterói entrou na Marquês de Sapucaí com um enredo que homenageava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, levando à avenida sua trajetória, sua origem humilde e sua ascensão ao comando do país. Mas o desfile que começou sob aplausos e emoção terminou sob vaias, críticas e, ao final, com o rebaixamento da escola para a Série Ouro.

A apresentação, intitulada “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, foi acompanhada pelo próprio presidente, que assistiu ao desfile de um camarote oficial. Para apoiadores, o momento representava o reconhecimento de uma história de superação e liderança. Para críticos, simbolizava a politização de um espaço cultural que deveria representar o povo, e não uma figura política em exercício do poder.

O que era celebração virou frustração

A expectativa da escola era alta. O enredo foi construído com forte apelo emocional, destacando a caminhada de Lula desde o chão de fábrica até o Palácio do Planalto. A comunidade entrou na avenida acreditando que aquele seria um desfile histórico, capaz de marcar o nome da agremiação entre as grandes do Carnaval.

Mas o resultado foi outro. Com apenas duas notas máximas no quesito samba-enredo e uma pontuação final de 264,6 pontos, a Acadêmicos de Niterói terminou em último lugar e acabou rebaixada do Grupo Especial.

O que era para ser um ato de vitória e alegria acabou se transformando em um dos momentos mais difíceis da história recente da escola.

Aplausos de um lado, comemoração do outro

O rebaixamento não foi interpretado apenas como uma decisão técnica. Ele rapidamente ganhou dimensão política.

De um lado, apoiadores do presidente lamentaram o resultado, exaltaram o desfile e trataram a apresentação como um ato histórico, defendendo que a arte tem o direito de contar a trajetória de figuras públicas importantes.

Do outro lado, críticos comemoraram o rebaixamento, interpretando o resultado como uma rejeição simbólica ao uso do Carnaval para homenagear um presidente em exercício.

O episódio deixou claro um retrato do Brasil atual: um país dividido, onde o político é tratado não apenas como gestor, mas como ídolo ou adversário, dependendo da posição ideológica de quem observa.

O debate que vai além do Carnaval

Outro ponto que ampliou a discussão foi o uso de recursos públicos. A escola recebeu cerca de R$ 1 milhão dentro de um pacote de incentivo cultural destinado às agremiações do Grupo Especial.

Isso levantou um questionamento que ultrapassa o desfile:

é correto utilizar recursos públicos para homenagear um político que está no exercício do mandato ou que poderá disputar futuras eleições?

Para alguns, trata-se de incentivo à cultura e à liberdade artística. Para outros, abre espaço para uma promoção indireta de figuras políticas com dinheiro público.

Quando a política vira torcida, o debate perde qualidade

O episódio expôs uma realidade cada vez mais presente no país: a política deixou de ser apenas um espaço de debate sobre propostas e passou a ser tratada como uma disputa emocional.

Aplausos de um lado. Vaias do outro.
Celebração de um lado. Comemoração da queda do outro.

Nesse ambiente, o foco deixa de ser quem tem preparo, quem tem propostas e quem tem capacidade de governar.

A política vira torcida.

E quando isso acontece, quem perde é o eleitor — que deixa de analisar o gestor e passa a defender ou atacar a figura política como se fosse um ídolo ou um inimigo.

No fim, fica a reflexão

O desfile da Acadêmicos de Niterói entrou para a história. Não pelo resultado esperado, mas pelo debate que provocou.

Entre aplausos e vaias, o episódio revelou algo maior do que o Carnaval: mostrou o nível de polarização que domina o país e como a política passou a ocupar todos os espaços — inclusive os culturais.

E diante disso, fica a pergunta que cada eleitor precisa responder:

você está escolhendo um ídolo… ou está escolhendo um gestor preparado para governar?


Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News

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Cuiabá-MT 19.02.2026 15:35

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