Seis anos depois de ter suas portas fechadas, a antiga Escola Estadual Nilo Póvoas, uma das mais tradicionais de Cuiabá, continua em completo estado de abandono. Localizada em uma área privilegiada do bairro Bandeirantes, a unidade — que já formou gerações de cuiabanos — hoje está cercada por tapumes, coberta pelo mato alto e sem qualquer sinal concreto de revitalização.
Cinco meses após visitas oficiais, gravação de vídeos e anúncios públicos da Prefeitura de Cuiabá prometendo transformar o espaço em um centro de referência para atendimento a pessoas com neurodiversidades, a realidade no local segue exatamente a mesma: portões fechados, estrutura deteriorada e silêncio.
À época, o projeto foi apresentado como a futura Casa do Autista, um centro voltado ao acolhimento e atendimento especializado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias, integrando serviços de saúde, educação e assistência social. No papel, a proposta despertou esperança. Na prática, nada saiu do lugar.
Estrutura pronta, tempo perdido
O prédio da antiga escola é considerado ideal para o projeto. São dois andares, mais de 40 salas, anfiteatro, quadra esportiva e amplo espaço externo, capazes de concentrar diversos atendimentos em um único local. Ainda assim, o imóvel permanece fechado, se deteriorando a cada mês.
Recentemente, a Prefeitura anunciou uma parceria com o Governo do Estado e informou que as intervenções devem começar “na próxima semana”. O anúncio, porém, soa repetido para quem acompanha o caso há anos.
Tristeza e frustração da comunidade
Para moradores do bairro e famílias que aguardam atendimento especializado, o sentimento é de tristeza e descrédito. A cada novo anúncio sem execução, cresce a sensação de abandono.
“É muito triste ver uma escola que fez parte da história da cidade nesse estado. Aqui estudaram nossos pais, nossos avós. Hoje, o que a gente vê é mato, abandono e promessa atrás de promessa”, relata Eduardo Lima, morador da região.
A frustração é ainda maior entre famílias de pessoas com autismo, que convivem diariamente com a escassez de atendimento especializado na rede pública.
“Quando falaram da Casa do Autista, gravaram vídeos, fizeram visita, a gente acreditou. Mas nada mudou. O prédio continua abandonado. É desesperador para quem precisa de atendimento e vê um espaço desses sendo desperdiçado”, afirma Maria Cecília, mãe de uma criança autista de cinco anos.
Uma escola histórica esquecida
Mais do que um prédio abandonado, a Nilo Póvoas simboliza hoje o contraste entre discurso e realidade. Uma escola histórica, bem localizada, com estrutura ampla e potencial social enorme, que segue entregue ao tempo, ao mato e à degradação.
Enquanto anúncios se repetem e prazos são empurrados, a comunidade segue esperando — e a sensação que fica é a de que o abandono pesa mais do que a urgência.
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News















