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Fim de incentivo do ISS amplia custo do comércio, pressiona empregos e deve chegar ao bolso do consumidor em 2026

O comércio e o setor de serviços de Cuiabá devem enfrentar um novo e significativo aumento de custos a partir de 2026. A decisão da Prefeitura de encerrar a política de isenção e incentivos fiscais do ISS (Imposto Sobre Serviços) para empresas instaladas no Distrito Industrial e em outros segmentos econômicos altera diretamente a estrutura de preços, amplia a carga tributária e tende a impactar empregos, investimentos e o consumo.

Na prática, empresas que antes pagavam 2% de ISS passam a recolher 5%, o que representa um aumento real de até 67% na carga tributária para o setor de serviços — um dos que mais crescem e empregam na Capital.

Como era antes

Até o fim de 2025, empresas instaladas no Distrito Industrial contavam com incentivos fiscais como forma de estimular a atividade econômica, gerar empregos e manter competitividade. O modelo permitia:

  • Redução da carga tributária;

  • Estímulo à formalização;

  • Expansão de serviços;

  • Contratação de trabalhadores;

  • Maior circulação de renda.

O que muda agora

Com a nova legislação homologada pelo prefeito Abilio Brunini no fim de 2025, o incentivo foi encerrado. Além do Distrito Industrial, outros setores também perderam benefícios, entre eles:

  • Corretores de imóveis

  • Loterias

  • Cartórios

  • Empresas de serviços diversos

O impacto não fica restrito às empresas. A tendência é que o aumento seja repassado ao consumidor final, pressionando preços em um momento em que o mercado já enfrenta retração, queda no consumo e margens cada vez mais apertadas.

Comércio já está no limite, avalia setorMidiaNews | CDL: “Nossa concorrência não é local, mas com sites da China”

Em conversa com o MT Urgente, o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam, foi direto ao avaliar o cenário.

“Não sabemos exatamente qual será o impacto final para o consumidor, mas os preços devem subir. O empresário não vai conseguir absorver um aumento de 67% no ISS. Isso afeta diretamente a prestação de serviços e pode gerar outras consequências, como contenção de gastos e até demissões”, afirmou.

Segundo ele, o comércio já atravessa um dos momentos mais difíceis dos últimos anos, pressionado por juros altos, crédito restrito, queda no poder de compra da população e aumento generalizado de custos operacionais.

Impacto vai além dos preços

Além do repasse ao consumidor, o fim dos incentivos pode gerar efeitos em cadeia:

  • Redução de contratações;

  • Demissões no setor de serviços;

  • Menor capacidade de investimento;

  • Recuo na abertura de novos negócios;

  • Perda de competitividade frente a outras cidades.

Macagnam alerta que políticas de incentivo não devem ser vistas como renúncia fiscal, mas como estratégia de desenvolvimento.

“Quanto menor o peso tributário para o empresário, maior o impulso econômico. Isso gera mais empregos, amplia serviços, movimenta a economia e, no final, aumenta a arrecadação”, explicou.

Isenção realocada, mas impacto permanece

A Prefeitura informou que a isenção do ISS será direcionada ao Centro Histórico de Cuiabá, com validade até 2032, como forma de estimular a revitalização da região. No entanto, o setor produtivo avalia que a medida não compensa o impacto causado no restante da cidade, especialmente no Distrito Industrial e no setor de serviços.

Um presente amargo para 2026

Com a economia fragilizada, o comércio em alerta e o consumidor sentindo os reflexos no bolso, o fim da isenção do ISS surge como mais um desafio em um cenário já delicado. Empresários defendem diálogo, revisão gradual e políticas que preservem empregos e a atividade econômica.

Enquanto isso, o mercado tenta se adaptar — e o consumidor, mais uma vez, deve pagar a conta.

Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News

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Cuiabá-MT 04.02.2026 00:43

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