Escolhida para representar simbolicamente as demais entidades esportivas durante o Fórum Estadual de Formação Esportiva de Mato Grosso, realizado em Cuiabá pelo Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), a Organização da Sociedade Civil (OSC) Futsal sem Drogas consolidou-se como um dos principais exemplos de transformação social por meio do esporte no estado.
Criado pelo gestor Vanderlei Benedito Souza, o projeto atua há 15 anos no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, atendendo crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Nos últimos cinco anos, a iniciativa tem sido contemplada pelo edital Pontos de Esporte e Lazer, política pública do Governo de Mato Grosso que destina recursos a organizações que desenvolvem atividades esportivas em comunidades periféricas.
Somente no último ano, o programa investiu mais de R$ 3,3 milhões em 82 instituições, com repasse individual de R$ 40 mil. Ao longo de cinco anos, o total aplicado ultrapassa R$ 9,8 milhões. Para o Futsal sem Drogas, o apoio representou um divisor de águas. Vanderlei relembra que, no início, manter o projeto era um desafio constante por falta de recursos. A virada começou ainda em 2016, quando a equipe masculina conquistou uma premiação de R$ 500 mil em uma competição disputada em Rondonópolis. O valor foi investido na regularização e estruturação da entidade.
Em 2021, já com o projeto formalizado, a OSC participou do primeiro edital dos Pontos de Esporte e Lazer e recebeu R$ 15 mil. A partir daí, a iniciativa ganhou estrutura, contratou professores e ampliou o atendimento a estudantes da Escola Estadual Salim Nadaf. Os resultados vieram dentro e fora das quadras. A equipe masculina quebrou um jejum de 25 anos sem títulos escolares para Várzea Grande ao conquistar competições municipais e regionais e vencer o Estadual em Lucas do Rio Verde, garantindo vaga nos Jogos da Juventude, em Aracaju.
Em 2023, foi a vez da equipe feminina brilhar. As atletas conquistaram os títulos municipal, regional em Cáceres e estadual em Água Boa, encerrando um jejum de 15 anos sem que um time feminino de futsal de Várzea Grande alcançasse o topo em Mato Grosso.
Com a consolidação do projeto, novas modalidades foram incorporadas, como futebol de campo, artes marciais, reforço escolar e balé. Atualmente, cerca de 120 alunos participam das atividades. Apenas o balé reúne 50 meninas, que já realizaram oito apresentações em eventos ao longo de 2025.
Além do esporte, o projeto também desenvolve ações sociais. Em parceria com o programa Mesa Brasil, do Sesc, e com a Central de Abastecimento de Mato Grosso (Ceasa), foram distribuídas cinco toneladas de alimentos a famílias em situação de vulnerabilidade no último ano.
O nome Futsal sem Drogas reflete a proposta central da iniciativa: utilizar o esporte como ferramenta de prevenção ao aliciamento de jovens pelo tráfico, realidade enfrentada por comunidades socialmente fragilizadas.
O reconhecimento estadual veio com a participação no Fórum Estadual de Formação Esportiva, realizado no Teatro Zulmira Canavarros, em Cuiabá. O encontro reuniu representantes do esporte brasileiro, entre eles a ex-jogadora de basquete Magic Paula, o medalhista olímpico Lars Grael e o campeão olímpico André Heller.
Financiado com recursos da Lei nº 13.756/2018, que destina parte da arrecadação das loterias federais ao esporte, o CBC mantém atualmente 1.995 clubes integrados à rede nacional de formação esportiva. Em Mato Grosso, 59 instituições fazem parte do sistema, recebendo apoio logístico, capacitações e incentivos para aquisição de materiais e participação em competições. O Futsal sem Drogas está entre elas e, segundo Vanderlei, a qualificação em gestão esportiva tem sido essencial para garantir sustentabilidade e ampliar o impacto social da iniciativa.















