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Lula é convidado por Trump para integrar “conselho de paz” sobre Gaza; decisão ainda está em avaliação

Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu um convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um recém-criado “conselho de paz” voltado à Faixa de Gaza. A proposta, anunciada oficialmente por Trump nesta semana, pretende discutir os rumos do território palestino após a guerra, mas ainda não teve a adesão confirmada pelo presidente brasileiro.

Segundo fontes do Palácio do Planalto, Lula deve analisar o convite apenas na próxima semana. O governo brasileiro também não pretende se posicionar publicamente antes que o presidente tome uma decisão definitiva sobre a participação no colegiado.

O conselho foi anunciado por Trump como parte da chamada “segunda fase” do plano americano para encerrar o conflito em Gaza. De acordo com a Casa Branca, o grupo terá como foco temas considerados estratégicos para o futuro da região, como governança local, relações regionais, reconstrução da infraestrutura, atração de investimentos internacionais, financiamento em larga escala e mobilização de capital privado.

Quem faz parte do conselho

Além de Lula, outros nomes de peso foram convidados. O presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou publicamente que recebeu o convite e afirmou que considera “uma honra” participar da iniciativa. Milei compartilhou nas redes sociais a carta enviada por Trump.

Também estão entre os convidados o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair; o empresário bilionário Marc Rowan; e Robert Gabriel, assessor de Trump no Conselho de Segurança Nacional. O próprio Trump presidirá o colegiado.

Ao anunciar a criação do conselho, o presidente americano afirmou que se trata do “maior e mais prestigiado conselho já reunido” para tratar do conflito no Oriente Médio.

Paralelamente, Trump designou o major-general americano Jasper Jeffers para comandar a Força Internacional de Estabilização em Gaza, que terá como missão garantir a segurança no território e treinar uma nova força policial local para substituir o Hamas.

O que está em jogo para Lula

O convite coloca Lula em uma posição diplomática delicada. Desde o início da guerra, em outubro de 2023, o presidente brasileiro tem adotado uma postura crítica às operações militares de Israel na Faixa de Gaza. Lula defende publicamente um cessar-fogo imediato, a proteção de civis e a criação de um Estado palestino, posição reiterada em discursos, entrevistas e fóruns internacionais.

Essa postura histórica contrasta com o protagonismo dos Estados Unidos na iniciativa, país que é o principal aliado político e militar de Israel. Caso aceite participar do conselho, Lula pode ser questionado sobre a coerência entre suas críticas às ações israelenses e a adesão a um grupo liderado por Washington, sem participação direta da Organização das Nações Unidas (ONU).

Outro ponto sensível é justamente a ausência de um vínculo formal do conselho com a ONU, instituição que o Brasil tradicionalmente defende como espaço legítimo para a mediação de conflitos internacionais.

Recusar também tem custo político

Por outro lado, uma eventual recusa ao convite também pode gerar impactos diplomáticos. Trump tem buscado apoio internacional para dar legitimidade política ao conselho, e um “não” do presidente brasileiro pode ser interpretado como distanciamento em um momento em que os dois governos ensaiam uma reaproximação.

Esse movimento ocorre após negociações envolvendo o chamado “tarifaço” sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, tema sensível para a economia nacional.

Assim, Lula se vê diante de uma decisão estratégica: participar de um conselho que pode influenciar diretamente o futuro de Gaza, mas que carrega riscos de desgaste político e diplomático, ou recusar o convite e enfrentar possíveis ruídos na relação com o governo norte-americano.

A decisão, segundo interlocutores do Planalto, será tomada com cautela, levando em conta tanto o posicionamento histórico do Brasil no cenário internacional quanto os impactos geopolíticos de curto e longo prazo.


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Cuiabá-MT 03.02.2026 23:14

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