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Lula lidera, mas o recado das urnas é claro: crise, desgaste e um Brasil em alerta para 2026

Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News

A primeira pesquisa Genial/Quaest de 2026 não deve ser lida apenas como um levantamento de intenção de voto. Ela funciona como um termômetro do humor social e ajuda a compreender como o eleitor está enxergando o país neste momento — em meio à crise econômica, à polarização política e à busca por alternativas de poder.

A fotografia atual mostra o presidente Lula na liderança, mas também revela um governo pressionado, uma oposição em reorganização e um eleitor cada vez mais crítico, menos fiel e mais influenciado pelo que sente no dia a dia.

Um governo que lidera, mas é avaliado com cautela

A avaliação do governo segue travada em empate técnico: 47% aprovam e 49% desaprovam. O dado isolado já indica equilíbrio, mas o recorte mais importante está nos eleitores independentes, grupo decisivo em qualquer eleição presidencial.

Entre esses eleitores, a desaprovação chega a 53%, enquanto a aprovação recua para 38%. Esse movimento ajuda a explicar um fenômeno central do momento político: Lula lidera a corrida eleitoral, mas não empolga a maioria da população.

A leitura que se faz é que parte do eleitorado separa o “voto possível” do “governo ideal”. O presidente aparece como nome conhecido, testado e com capital político, mas enfrenta desgaste acumulado.

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O pano de fundo desse desgaste está na economia do cotidiano. Mesmo com discursos técnicos e indicadores macroeconômicos, o eleitor reage ao que sente no bolso: preços elevados, crédito caro, consumo travado e incerteza.

Outro fator que influencia diretamente esse sentimento é a frustração de categorias estratégicas, como o funcionalismo público. O reajuste linear de 9% concedido pelo governo federal foi visto por muitos servidores como insuficiente para recompor perdas inflacionárias acumuladas. Professores, em especial, manifestaram sensação de desprestígio, o que ajuda a explicar a perda de apoio em segmentos historicamente próximos ao PT.

Esse contexto se reflete em um dado simbólico da pesquisa: 56% afirmam que Lula não merece um novo mandato, mesmo com o presidente liderando todos os cenários de intenção de voto.

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Nas simulações de primeiro turno, Lula aparece com 35% a 40% das intenções de voto, liderando com relativa folga. Já no segundo turno, vence todos os adversários testados, porém com diferenças que começam a diminuir.

O cenário mais apertado é contra Tarcísio de Freitas, com apenas cinco pontos de vantagem. Em relação a Flávio Bolsonaro, a diferença é maior, mas também caiu em comparação a levantamentos anteriores.

Isso indica que, embora Lula seja favorito hoje, o cenário está longe de estar definido.

A oposição começa a se organizar — mas ainda busca um caminho claro

A pesquisa mostra que Flávio Bolsonaro se consolidou como o principal nome da oposição no primeiro turno. Ele aparece de forma consistente em segundo lugar e começa a avançar inclusive entre eleitores da direita não bolsonarista.

Ao mesmo tempo, Flávio ainda enfrenta alta rejeição, o que limita sua competitividade em um segundo turno mais amplo.

Já Tarcísio surge como o nome que melhor dialoga com eleitores fora do campo ideológico mais duro. Seu crescimento entre independentes e na direita não bolsonarista indica que parte do eleitorado busca uma alternativa menos polarizadora, capaz de disputar o centro político.

O fator Bolsonaro e o peso da polarização

Um dado importante da pesquisa ajuda a entender o tabuleiro: a maioria dos eleitores acredita que Lula venceria com mais facilidade se o adversário for alguém da família Bolsonaro. A rejeição ao bolsonarismo ainda funciona como um freio para parte do eleitorado.

Por outro lado, quando a oposição é representada por um nome fora do núcleo familiar Bolsonaro, a disputa passa a ser vista como mais equilibrada. Isso explica por que governadores como Tarcísio ganham relevância estratégica nos bastidores.

O cenário hoje — e o que pode acontecer

O que se desenha neste início de ano eleitoral é um país:

  • cansado da polarização, mas ainda preso a ela;

  • crítico em relação ao governo, mas sem uma alternativa amplamente consensual;

  • atento à economia real e menos tolerante a promessas.

Lula lidera, mas governa sob cobrança constante.
A oposição cresce, mas ainda não decidiu quem será seu rosto definitivo.

A eleição de 2026, portanto, está aberta. E mais do que definir o próximo presidente, ela pode reposicionar forças políticas e projetar o cenário até 2030.

Hoje, este é o retrato do momento. Amanhã, com mudanças econômicas, alianças e narrativas, o cenário pode se transformar rapidamente — porque, em política, a percepção do povo muda antes dos números.


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Cuiabá-MT 04.02.2026 00:43

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