Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
Com as eleições para o Governo de Mato Grosso marcadas para 5 de outubro deste ano, o cenário político estadual deixou definitivamente o campo das especulações e entrou na fase mais sensível do jogo: quem tem projeto, quem tem estrutura e quem tem tempo.
Nos bastidores, prefeitos, vereadores, deputados e lideranças partidárias já fazem contas, medem riscos e avaliam um fator decisivo: quem chega competitivo no início da campanha tende a impor o ritmo da disputa.
Hoje, quatro nomes ocupam o centro do tabuleiro — mas em estágios bem diferentes de maturação política.
Wellington Fagundes (PL): o único com candidatura consolidada até agora
O senador Wellington Fagundes, do PL, é, neste momento, o único pré-candidato com candidatura claramente definida.
Foi o primeiro a se colocar no jogo, tem discurso afinado, agenda intensa pelo interior e aval explícito da direção nacional do partido. Além do apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, Wellington também foi citado publicamente pelo senador Flávio Bolsonaro como o nome do PL para o governo de Mato Grosso, com compromisso de apoio político.
Outro ponto observado pelos analistas é a força municipal do PL. Na última eleição, o partido venceu em cidades estratégicas como Cuiabá, Rondonópolis, Várzea Grande e Sinop, além de dezenas de outros municípios. Em uma eleição estadual, essa capilaridade pesa — e muito.
Nas pesquisas já divulgadas, Wellington aparece na liderança, o que reforça a percepção de que ele larga na frente em um calendário curto e competitivo.
Jayme Campos (União Brasil): força eleitoral, mas decisão ainda em aberto
O senador Jayme Campos, do União Brasil, segue como um nome forte e com alto recall eleitoral. Em declarações recentes, afirmou que “só Deus o tira da disputa”, sinalizando disposição para concorrer.
Na prática, porém, Jayme mantém uma postura estratégica: observa pesquisas, avalia alianças e mede o cenário antes de uma decisão definitiva. Seu capital político é inegável, mas o tempo para definição começa a se tornar um fator relevante.
Otaviano Pivetta (Republicanos): candidatura do grupo governista sob avaliação interna
Vice-governador e nome apontado como sucessor natural do governador Mauro Mendes, Otaviano Pivetta, do Republicanos, já colocou equipe nas ruas e intensificou investimentos em comunicação digital, buscando ampliar visibilidade e presença política no estado.
Nos bastidores, porém, avaliações mais críticas circulam entre prefeitos, deputados e vereadores, que demonstram cautela em relação à viabilidade da candidatura. Parte dessas lideranças aponta dificuldades de penetração política em algumas regiões e questiona a capacidade de Pivetta de construir um projeto próprio, sem depender diretamente do capital político do atual governador.
Há, inclusive, quem avalie que o vice-governador ainda atua sob o “guarda-chuva” de Mauro Mendes, o que gera preocupação dentro do grupo governista. O receio expresso por essas lideranças não se limita apenas ao risco de derrota eleitoral, mas à possibilidade de perda do comando político do Estado, caso a sucessão não se consolide de forma competitiva.
Esse cenário acende um sinal de alerta no grupo, que acompanha atentamente pesquisas, reações regionais e a capacidade de articulação do vice-governador antes de uma definição definitiva sobre a estratégia de sucessão.
Natascha Slhessarenko (PSD): tentativa de viabilização ainda em construção
Pelo PSD, a deputada Natascha Slhessarenko busca consolidar sua pré-candidatura. O principal desafio, neste momento, é o alinhamento interno da federação partidária, especialmente com o ministro Carlos Fávaro.
Sem alianças definidas e com estratégia ainda em construção, sua candidatura segue em fase embrionária, aguardando definições nacionais e estaduais.
O peso das chapas e o novo comportamento do eleitor
Mais do que nomes, a eleição de 2026 em Mato Grosso será decidida pela força das chapas, pela capacidade de construir alianças regionais e pelo discurso que dialogue com um eleitor mais atento e crítico.
O eleitor acompanha quem se antecipa, quem tem coerência e quem apresenta projeto. Em um cenário fragmentado, tempo, organização e base municipal podem ser o diferencial entre chegar forte ou correr atrás.
O jogo está aberto — mas, neste momento, nem todos jogam no mesmo ritmo.















