Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
A nova pesquisa da Percent Brasil, divulgada nesta segunda-feira (23), traz o primeiro retrato consistente da corrida ao Senado Federal em Mato Grosso — e indica um favoritismo claro do governador Mauro Mendes, mas também revela que a segunda vaga está longe de estar definida.
No cenário estimulado para o primeiro voto, Mauro aparece com 40,5% das intenções, abrindo mais de 17 pontos de vantagem sobre a deputada estadual Janaina Riva, que soma 23,4%.
O dado mais relevante, porém, não está apenas na liderança — mas na estrutura da disputa.
O retrato detalhado do primeiro voto
Mauro Mendes – 40,5%
Janaina Riva – 23,4%
Carlos Fávaro – 4%
José Medeiros – 3,8%
Pedro Taques – 3,3%
Antônio Galvan – 1,7%
Indecisos: 17,1%.
Brancos e nulos: 5,7%.
Mauro aparece com quase o dobro da soma dos principais concorrentes diretos. A vantagem é construída sobre três pilares evidentes:
Alta visibilidade institucional
Forte presença no interior
Narrativa de gestão marcada por obras estruturantes
Pontes, rodovias, hospitais regionais, escolas reformadas e investimentos em infraestrutura criaram percepção de gestão eficiente — elemento que costuma pesar em disputas majoritárias.
A segunda vaga é o verdadeiro campo de batalha
A eleição de 2026 terá duas vagas ao Senado. E é no segundo voto que a disputa se intensifica.
No segundo voto estimulado:
Janaina Riva – 14,9%
Mauro Mendes – 13,4%
Carlos Fávaro – 7,3%
Pedro Taques – 7%
José Medeiros – 5%
Antônio Galvan – 2,2%
Indecisos: 32,3%.
Esse número é decisivo. Mais de 30% do eleitorado ainda não definiu o segundo voto.
Historicamente, em eleições com duas vagas, o eleitor tende a dividir escolhas entre campos ideológicos diferentes ou optar por nomes mais conhecidos no primeiro voto e avaliar alternativas no segundo.
Ou seja: a segunda cadeira está completamente aberta.
O fator esquerda: Fávaro pode herdar esse campo?
Quando se observa o desempenho do ministro Carlos Fávaro, surge uma questão estratégica.
Mato Grosso tradicionalmente registra algo em torno de 25% a 30% do eleitorado com perfil mais alinhado à esquerda.
A pergunta é inevitável:
Esse eleitorado migraria de forma orgânica para Fávaro?
O PT lançará candidatura própria ao Senado?
Ou haverá apoio formal ao ministro como nome viável do campo progressista?
Sem definição partidária clara, Fávaro ainda não consolida esse segmento.
Medeiros e o campo conservador
José Medeiros aparece com 3,8% no primeiro voto.
Ele deve assumir o papel de candidato identificado com a direita bolsonarista.
Mas há duas variáveis:
Se houver polarização ideológica nacional forte, pode crescer.
Se a disputa estadual dominar o debate, pode ficar restrito ao eleitorado mais fiel.
A direita mato-grossense ainda pode se reorganizar dependendo da candidatura ao Governo.
Janaina no Senado ou no Governo?
Nos bastidores políticos, um movimento chama atenção: especulações de que Janaina Riva poderia compor como vice em eventual chapa de Otaviano Pivetta ao Governo.
Se isso se confirmar:
A disputa ao Senado sofre impacto imediato.
A segunda vaga se reabre completamente.
O cenário de alianças muda.
Se permanecer na corrida ao Senado, Janaina hoje apresenta base consolidada, recall eleitoral forte e presença ativa no interior.
Mauro consolida uma vaga?
Com 40,5% no primeiro voto, Mauro Mendes aparece tecnicamente muito próximo de consolidar uma das duas vagas.
Se mantiver avaliação positiva e ritmo de entregas até o período eleitoral, tende a sustentar vantagem.
Mas há um fator decisivo:
A eleição ao Governo pode influenciar diretamente o Senado.
Se o candidato governista ao Executivo estadual tiver desempenho forte, pode impulsionar o nome de Mauro.
Se houver fragmentação no campo aliado, o cenário pode se reequilibrar.
A fotografia pode mudar?
A pesquisa foi realizada entre 9 e 17 de fevereiro, com 1.200 entrevistas presenciais.
Margem de erro: 2,83 pontos percentuais.
Confiança: 95%.
Registro no TSE: BR 08543/2026.
Registro no TRE-MT: MT 06846/2026.
É um retrato consistente do momento.
Mas ainda faltam:
Definição oficial das candidaturas ao Governo
Decisão de nomes tradicionais como Jayme Campos sobre eventual reeleição
Formação de chapas
Consolidação de palanques regionais
Entrada formal da campanha
A pergunta que começa a circular
Diante dos números atuais, muitos já questionam:
A eleição pode terminar com Mauro Mendes e Janaina Riva eleitos?
Hoje, os dados indicam esse caminho.
Mas política é dinâmica.
A definição do candidato ao Governo, o posicionamento da esquerda, o comportamento do eleitor no segundo voto e os acordos partidários ainda podem alterar o jogo.
A corrida ao Senado de 2026 começa com favorito — mas está longe de estar decidida.
E você, eleitor:
Se a eleição fosse hoje, manteria esses nomes ou ainda espera as próximas movimentações?
















