Lei orçamentária passa a valer com efeitos retroativos a 1º de janeiro e autoriza remanejamentos de até 20% ao Executivo
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
Governador sanciona principal peça financeira do Estado
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), sancionou nesta terça-feira (6) a Lei Orçamentária Anual (LOA) para o exercício de 2026. A norma estima a receita e fixa a despesa do Estado em R$ 40.792.580.503,00, montante que orientará todos os gastos públicos e investimentos ao longo do ano.
Apesar de ter sido oficializada apenas agora, a LOA entra em vigor com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2026, início do ano fiscal. Na prática, todas as despesas executadas desde essa data já estão amparadas pelo novo planejamento.
A lei é o instrumento central de planejamento financeiro do Estado e define quanto o governo pretende arrecadar e quanto poderá gastar em áreas como saúde, segurança pública, educação, infraestrutura, previdência e assistência social.
Entenda a divisão do orçamento
Orçamento Fiscal
Abrange os Poderes do Estado, seus fundos, órgãos, autarquias, fundações e empresas públicas. É nessa frente que estão previstos pagamentos de servidores, custeio da máquina e recursos para obras e programas.
Orçamento da Seguridade Social
Destina-se exclusivamente às ações de saúde, previdência e assistência social, contemplando secretarias e entidades da Administração Indireta ligadas a esses setores.
Do total de R$ 40,7 bilhões, cerca de R$ 3,3 bilhões são classificados como receitas e despesas intraorçamentárias – operações contábeis entre órgãos do próprio Estado. Esse valor não integra a base de cálculo para o repasse mensal do duodécimo aos Poderes e instituições como Assembleia, Judiciário, Tribunal de Contas, Ministério Público e Defensoria.
Margem de 20% gerou polêmica
Dentro da LOA, o Executivo está autorizado a abrir créditos suplementares de até 20% da despesa fixada. Essa margem permite ajustes ao longo do ano para atender demandas urgentes ou flutuações econômicas, desde que o governo informe mensalmente à Assembleia Legislativa quais unidades foram beneficiadas.
Aprovação foi marcada por tensão institucional
O processo de votação da peça orçamentária expôs um clima de forte tensão entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O ponto central da discórdia foi o Artigo 4º, justamente o dispositivo que autoriza o governo a realizar remanejamentos de até 20% do orçamento total.
Parlamentares da oposição classificaram o mecanismo como “cheque em branco”, alegando que a medida poderia comprometer o controle do Legislativo sobre o destino das verbas. As discussões se estenderam por semanas em sessões acaloradas.
O orçamento acabou sendo aprovado com a mesma margem de 20%, após um acordo político costurado entre líderes partidários e o Governo. Críticos afirmam que a redação final resultou de uma negociata que atendeu interesses de ambos os lados; a base governista sustenta que o texto garante governabilidade e equilíbrio fiscal.
Desafios para 2026
Com a LOA sancionada, o Estado passa a ter segurança jurídica para executar:
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grandes obras de infraestrutura;
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ampliação de serviços de saúde regionalizada;
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fortalecimento da segurança pública;
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manutenção de ações sociais e previdenciárias.
O desafio agora será transformar o orçamento bilionário em resultados concretos nas cidades, mantendo diálogo permanente com a ALMT e com os setores produtivos para evitar novas crises.















