O governador Mauro Mendes (União) gerou repercussão ao classificar como um “equívoco” a recente declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que sugeriu que a população não compre produtos considerados caros como forma de pressionar a redução de preços e controlar a inflação.
Durante entrevista nesta sexta-feira (07), Mendes afirmou que, apesar de haver uma certa lógica na sugestão, essa não é a solução para o problema da inflação e pode trazer consequências negativas para a economia.
“Respeito o presidente Lula, da mesma forma que respeitei o anterior. Mas acredito que é um equívoco. Combater a inflação demanda uma série de medidas. Se você acha caro um produto, pode deixar de comprar, mas isso não resolve o problema macroeconômico. Se essa lógica fosse aplicada a tudo, teríamos um país com serviços e produtos encalhados, menos arrecadação de impostos e um impacto na economia como um todo”, declarou o governador.
A declaração de Lula foi dada durante entrevista às rádios baianas Metrópole e Sociedade da Bahia, na semana passada. Na ocasião, o presidente argumentou que se os consumidores evitassem comprar produtos com preços elevados, os comerciantes seriam obrigados a reduzir os valores para evitar perdas financeiras.
“Uma das coisas mais importantes para que a gente possa controlar o preço é o próprio povo. Se você vai ao supermercado e desconfia que tal produto está caro, você não compra. Se todo mundo tiver essa consciência, quem está vendendo vai ter que baixar o preço para vender, porque senão vai estragar”, disse Lula.
A fala do presidente dividiu opiniões. Enquanto alguns especialistas concordam que o comportamento do consumidor pode influenciar os preços, outros alertam que a inflação é um fenômeno complexo, que envolve fatores como custo de produção, política fiscal e monetária.
Ao rebater a fala do presidente, Mendes levanta uma questão mais ampla: até que ponto a responsabilidade pelo controle da inflação deve ser transferida para o consumidor? A polêmica está lançada.