O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (7) que o ex-presidente Jair Bolsonaro fosse encaminhado ao Hospital DF Star para a realização de exames médicos de maior complexidade após ter sofrido uma queda enquanto dormia na madrugada de terça-feira (6). A queda ocorreu dentro da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde Bolsonaro está preso após condenação na trama golpista.
A autorização acontece após pedido formal da defesa, que apontou para a necessidade urgente de exames como tomografia computadorizada de crânio, ressonância magnética de crânio e eletroencefalograma. Os advogados alertaram para o risco de complicações neurológicas e agravamento do quadro clínico em função da demora na realização de avaliações mais profundas.
No pedido, a defesa argumentou que a falta desses exames poderia agravar a saúde do ex-presidente, visto que apenas a observação inicial feita na Superintendência não permitiria descartar lesões internas ou riscos neurológicos mais sérios.
Diante disso, Moraes autorizou que Bolsonaro seja levado pela PF ao hospital, de forma discreta e sob vigilância dos agentes federais, inclusive para o retorno à Superintendência após os exames. Na decisão, o ministro determinou que o desembarque ocorra pelas garagens da unidade de saúde, como forma de resguardar a segurança e a ordem.
Queda e atraso no atendimento
No laudo médico encaminhado pela PF ao gabinete do ministro, Bolsonaro afirmou que caiu da cama enquanto dormia, relatando “leve traumatismo craniano e contusão em braços e pés”, além de ter sofrido soluços e tontura ao longo da segunda-feira, 5.
O exame inicial feito na própria Superintendência apontou que o ex-presidente estava consciente, orientado e sem déficit neurológico evidente naquele momento. Segundo o relatório, ele apresentava:
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Pupilas isocóricas e reativas
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Motricidade e sensibilidade preservadas
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Hemodinâmica estável
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Leve desequilíbrio ao ficar em pé
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Lesões superficiais na face e no pé, com presença de sangue
Apesar desse primeiro atendimento, médicos ouvidos pela defesa sustentam que exames de imagem são cruciais para descartar complicações internas no cérebro ou traumatismos que não se manifestam de imediato, especialmente em pacientes com relato de tontura e desequilíbrio.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou a queda nas redes sociais na manhã de terça-feira, afirmando que o incidente ocorreu após uma “crise” e que o atendimento só teria sido feito quando ele foi chamado para a visita dela, o que sugere uma **demora no atendimento emergencial imediato à queda.
Contexto da prisão
Bolsonaro retornou à detenção na Superintendência da Polícia Federal em Brasília no dia 1º de janeiro, após passar uma semana internado para procedimentos médicos. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado.
Em nota, a PF informou que Bolsonaro recebeu atendimento médico após relatar a queda e que, naquele momento, o médico da corporação constatou apenas ferimentos leves e indicou observação, sem reconhecer necessidade imediata de hospitalização. A autorização para os exames foi concedida apenas após o novo pedido da defesa ao STF.















