A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta terça-feira (10) a Operação Arpão, voltada à desarticulação de um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio supostamente ligado a uma facção criminosa que atua no estado. A ação cumpre 18 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares e sequestro de bens considerados de alto valor.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá e estão sendo cumpridas nas cidades de Cuiabá, Chapada dos Guimarães e Barão de Melgaço. Entre os alvos da investigação está um homem apontado como responsável por operar o fluxo financeiro do grupo criminoso e manter o patrimônio da organização oculto.
Segundo as investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o principal investigado, identificado pelas iniciais W.A.F., conhecido como “Tubarão”, possui ligação familiar com um dos líderes da facção no estado, conhecido como “Dandão”. Ele seria responsável por administrar recursos oriundos de atividades ilícitas e estruturar mecanismos para dificultar o rastreamento do dinheiro.
As apurações apontam que o grupo utilizava estratégias típicas de lavagem de capitais, como o registro de imóveis e veículos em nome de terceiros, além da movimentação fracionada de valores e uso de pessoas próximas para ocultar a verdadeira origem do patrimônio. Esposas, parentes e conhecidos aparecem formalmente como proprietários de bens de alto padrão, embora, na prática, os bens fossem utilizados e controlados pelos investigados.
Entre os patrimônios identificados estão imóveis e veículos avaliados em mais de R$ 500 mil, valores considerados incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos. Também foram detectadas movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo depósitos em espécie e pagamentos elevados em curto período de tempo.
De acordo com o delegado responsável pela investigação, Antenor Junior Pimentel Marcondes, as medidas judiciais têm como objetivo impedir que os bens suspeitos sejam transferidos ou ocultados, além de aprofundar a apuração sobre a origem dos recursos utilizados na aquisição do patrimônio.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais buscam apreender documentos, aparelhos celulares, computadores e registros financeiros que possam ajudar a mapear a estrutura financeira do grupo e identificar outros envolvidos no esquema.
A Operação Arpão integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026 dentro da Operação Pharus, inserida no programa Tolerância Zero, que concentra ações de enfrentamento às facções criminosas em Mato Grosso.
O nome da operação faz referência ao instrumento utilizado para capturar grandes peixes e baleias, numa alusão direta ao principal alvo da investigação, conhecido pelo apelido de “Tubarão”.
A ação conta com apoio de diversas unidades da Polícia Civil, incluindo delegacias especializadas e regionais da Diretoria Metropolitana e da Regional de Várzea Grande. A operação também faz parte das iniciativas da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que reúne forças de segurança de todo o país para fortalecer o combate ao crime organizado.
