A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), a Operação Gorjeta, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares destinadas ao município de Cuiabá.
A ação ocorre dentro da Câmara Municipal de Cuiabá e também envolve a Secretaria Municipal de Esporte de Cuiabá. Entre os alvos estão dois servidores públicos, um vereador — que foi afastado do mandato —, além de um instituto sem fins lucrativos, empresas e um empresário.
O que a polícia está investigando
De acordo com a Deccor, a investigação apura a prática de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Os investigadores apuraram que o grupo teria se organizado para direcionar emendas parlamentares a um instituto e a empresas específicas.
Segundo os elementos reunidos no inquérito, parte do dinheiro público retornava de forma irregular ao vereador responsável pela indicação da emenda, caracterizando o desvio dos recursos.
Em termos simples, o dinheiro que deveria ser usado para projetos públicos acabava sendo desviado parcialmente, em um esquema de “devolução” ilegal, popularmente conhecido como rachadinha de emendas.
Mandados e medidas judiciais
Durante a operação, a polícia cumpre:
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12 mandados de busca e apreensão
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12 ordens de acesso a dados armazenados em celulares e dispositivos eletrônicos
A Justiça também determinou:
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Afastamento de um vereador do mandato
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Suspensão do exercício da função pública de dois servidores da Câmara
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Aplicação de medidas cautelares contra seis investigados, como:
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Proibição de contato entre os envolvidos e com testemunhas
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Proibição de acesso à Câmara Municipal e à Secretaria de Esportes
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Proibição de deixar a comarca
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Entrega obrigatória de passaportes
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Bloqueio de bens e valores
Como parte da decisão judicial, foi determinado:
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Bloqueio de R$ 676.042,32 em contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas
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Sequestro de bens, incluindo:
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Sete veículos
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Uma motocicleta
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Uma embarcação
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Um reboque
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Quatro imóveis
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Além disso, o Poder Executivo e o Poder Legislativo de Cuiabá estão proibidos de contratar, nomear ou realizar qualquer pagamento a pessoas ou empresas investigadas.
Instituto e empresas têm atividades suspensas
A Justiça também determinou:
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Suspensão das atividades do instituto investigado
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Realização de auditorias pela Controladoria-Geral do Município em todos os termos de parceria firmados entre o instituto e a Prefeitura
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Proibição de novas contratações ou pagamentos às duas empresas investigadas
Por que a operação é considerada grave
O caso chama atenção porque envolve desvio de emendas parlamentares, recursos que deveriam ser usados diretamente em políticas públicas, como esporte e projetos sociais.
Para os investigadores, o esquema não apenas desviou dinheiro público, mas também fraudou a finalidade das emendas, comprometendo serviços e ações que deveriam beneficiar a população.
A Polícia Civil segue com as investigações para identificar todos os envolvidos, o montante total desviado e a responsabilidade individual de cada investigado.
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News















