A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (26), a Operação Via Paralela com o objetivo de desarticular um esquema criminoso de entrada e comercialização de aparelhos celulares dentro do Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos, em Várzea Grande. A investigação aponta a participação de reeducandos e também de policiais penais no esquema.
Ao todo, foram cumpridas 10 ordens judiciais expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, sendo seis mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão domiciliar. As diligências foram conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Segundo as investigações, o grupo atuava de forma estruturada e contínua, facilitando a entrada ilegal de celulares na unidade prisional. Policiais penais se aproveitariam do acesso ao presídio para introduzir os aparelhos, que posteriormente eram revendidos aos detentos. O inquérito apura crimes de associação criminosa, corrupção passiva qualificada e ingresso irregular de aparelho telefônico em estabelecimento prisional. Pelo menos seis pessoas são investigadas, entre elas dois policiais penais, internos da unidade e a esposa de um dos presos.
As apurações indicam que um reeducando exercia função central no esquema, coordenando a venda interna dos celulares e organizando o repasse de valores aos servidores envolvidos. De acordo com a polícia, os aparelhos eram buscados fora da unidade pelos policiais penais, inclusive em dias de folga, e levados para o presídio, onde eram deixados em pontos previamente combinados. Outro detento, com circulação facilitada na unidade, recolhia os celulares e os entregava aos compradores.
Cada aparelho era vendido aos presos por valores entre R$ 400 e R$ 800, e, em algumas ocasiões, até oito celulares teriam sido introduzidos de uma só vez.
A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT), por meio da Corregedoria Geral, acompanha o cumprimento dos mandados relacionados aos servidores investigados e informou que adotará as medidas administrativas cabíveis.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, as medidas judiciais visam interromper a continuidade das práticas ilícitas, além de aprofundar a coleta de provas e identificar outros possíveis envolvidos. Ele destacou que o combate à entrada de celulares em presídios é estratégico, já que os aparelhos são utilizados por detentos para coordenar crimes fora das unidades prisionais.
O nome da operação faz alusão ao fornecimento clandestino de benefícios a presos, por meio de um caminho alternativo e ilegal dentro do sistema prisional.















