O que parecia ser uma parceria sólida firmada nas urnas virou uma crise política declarada em apenas três meses de mandato. A relação entre a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), e o vice-prefeito Tião da Zaeli (PL) chegou ao limite e o rompimento definitivo já é dado como certo dentro do próprio partido.
O presidente estadual do PL, Ananias Filho, confirmou o racha e admitiu que “não há mais como evitar” o distanciamento entre os dois. A declaração vem após um conflito interno que quase terminou em agressão física na sede da prefeitura.
Segundo relatos de bastidores, durante uma discussão acalorada, a prefeita teria partido para cima do vice e só não houve contato físico graças à intervenção do esposo de Flávia, que conseguiu contê-la.
Silêncio ordenado e tentativa de conter danos
Logo após o episódio, o PL iniciou uma verdadeira operação de contenção de danos. Ananias ordenou que tanto a prefeita quanto o vice evitem declarações à imprensa. A prioridade do partido agora é blindar a gestão e evitar que os acordos de campanha cobrados por Zaeli se tornem públicos — o que pode gerar desdobramentos políticos e até jurídicos.
Na sexta-feira (21), a reportagem tentou contato com Flávia Moretti na sede da prefeitura, mas foi informada que ela não falaria com a imprensa. A gestora permaneceu em reuniões com vereadores e familiares durante toda a tarde.
Origens da crise: nomeações sem consulta e cobrança por espaços
A crise teve início logo após o resultado das eleições, durante a montagem da equipe de governo. Flávia Moretti decidiu escolher os secretários sem consultar o vice-prefeito, rompendo o acordo político feito ainda na campanha.
O ponto final da convivência política foi a demissão de indicados de Zaeli, que reagiu com um ultimato: ou Flávia abre espaço para suas nomeações nos próximos 90 dias, ou ele rompe formalmente com a gestão. Além disso, Zaeli detém apoio da maioria dos vereadores, o que deixa a prefeita em posição vulnerável.
PL tenta evitar que crise afete a governabilidade
O presidente do PL, Ananias Filho, afirmou que está tentando mediar uma solução para que o embate entre os dois gestores não afete a população e nem a imagem do partido.
“Na minha opinião, o acordo que os dois fizeram na campanha precisa ser cumprido. Mas é preciso lembrar que quem governa é a prefeita. Se não há mais convivência entre os dois, que se estabeleça um pacto institucional. Essa briga não pode prejudicar a cidade”, declarou.
Prefeita se isola, Zaeli articula
Nos bastidores, aliados relatam que Flávia Moretti teme uma articulação política na Câmara para um processo de cassação, já que o vice conta com maioria entre os vereadores. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, que apoiou Flávia na campanha, também teria conversado com ela nos últimos dias para tentar conter a crise.
A situação levanta uma série de dúvidas:
➡️ Como um projeto político vitorioso nas urnas se desmancha em tão pouco tempo?
➡️ Quais acordos foram firmados e hoje são ignorados?
➡️ E o que ainda pode vir à tona sobre os bastidores dessa disputa interna?
O que era união virou desconfiança
A eleição de 2024 marcou um momento de renovação em Várzea Grande, com promessas de trabalho conjunto e estabilidade política. Porém, três meses depois da posse, os planos em comum parecem ter ruído, e agora o cenário é de tensão, silêncio forçado e articulações nos bastidores.
A única certeza, por enquanto, é que a crise está longe de terminar — e seus efeitos podem comprometer não apenas a governabilidade local, mas também o desempenho do PL nas eleições de 2026.