Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
Dois anos após os deslizamentos de fragmentos rochosos no paredão do Portão do Inferno, na MT-251, o problema segue sem uma solução definitiva. O impasse técnico e a indefinição das obras continuam gerando apreensão, especialmente às vésperas do Carnaval, período estratégico para a economia de Chapada dos Guimarães, que tradicionalmente recebe milhares de turistas, em grande parte vindos de Cuiabá.
À época dos deslizamentos, o Governo de Mato Grosso iniciou intervenções cerca de oito meses depois do ocorrido, com a promessa de conclusão em 120 dias. No entanto, o cronograma não foi cumprido e, até agora, a situação permanece em aberto.
Inicialmente, a solução proposta foi o retaludamento — corte e reconfiguração do paredão rochoso —, mas durante a execução a alternativa acabou considerada inviável do ponto de vista técnico. Com isso, as obras foram paralisadas e o governo publicou um novo edital para a contratação de empresa responsável pela construção de um túnel, solução considerada mais segura e definitiva. A previsão é que o processo licitatório ocorra no início de março.
Enquanto a obra estrutural não sai do papel, novos pontos de atenção surgiram no local. Uma rachadura vertical, com cerca de 30 metros de extensão, passou a ser visível no meio da pista e está sendo acompanhada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística.
A equipe do jornal A Gazeta esteve no trecho nesta semana e constatou a fissura. Apesar de a Sinfra afirmar que não há risco iminente, especialistas alertam para a necessidade de vedação das trincas como medida preventiva, evitando infiltração de água — fator que pode acelerar o desgaste do pavimento e ampliar as rachaduras, sobretudo durante o período chuvoso.
Em nota, a Sinfra esclareceu que as trincas observadas fazem parte de juntas de dilatação, estruturas previstas em grandes obras de engenharia, e não representam, neste momento, risco de colapso. No caso específico do Portão do Inferno, as fissuras surgem na transição entre o viaduto, uma estrutura rígida de concreto armado, e o pavimento apoiado diretamente sobre o solo.
Segundo a secretaria, como esses dois elementos possuem comportamentos estruturais distintos, é esperado que ocorram pequenas aberturas no asfalto, consideradas normais e controladas. Técnicos que acompanham o local afirmam que as medições não indicam movimentações atípicas ou instabilidade fora dos padrões previstos.
Ainda assim, a indefinição prolongada gera reflexos além da engenharia. Próximo ao Carnaval, o cenário preocupa empresários do turismo, comerciantes e moradores de Chapada dos Guimarães. A cidade depende fortemente do fluxo de visitantes, e qualquer insegurança na principal via de acesso pode desestimular viagens, impactando hotéis, pousadas, restaurantes e serviços.
A Sinfra reforça que o trecho segue sob monitoramento técnico contínuo desde o início das intervenções e que, até o momento, não há indícios que exijam novas medidas emergenciais além das já adotadas. Enquanto isso, a expectativa se concentra na licitação do túnel, vista como a solução definitiva para um problema que, ano após ano, continua influenciando não apenas a mobilidade, mas também a economia e o turismo da região.















