A Marquês de Sapucaí viveu uma noite de emoção, ancestralidade e grandes espetáculos entre segunda-feira (16) e a madrugada de terça (17), na segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Quatro escolas cruzaram a avenida com enredos que exaltaram ícones da música, da literatura e da cultura popular brasileira. As informações são da CNN Brasil.
Mocidade Independente de Padre Miguel
Primeira a desfilar, a escola levou para a avenida o enredo em homenagem à cantora Rita Lee. A apresentação celebrou o espírito irreverente e libertário da artista, com alegorias e alas que faziam referência a fases marcantes da carreira e da vida da roqueira.
Um dos momentos mais simbólicos foi a comissão de frente, que trouxe uma cela com a palavra “censurada”, remetendo ao período da ditadura militar, transformando-se em nave espacial — numa clara alusão ao universo criativo e contestador da cantora.
Entre os destaques esteve o carro “Lança Perfume”, que contou com a presença de Roberto de Carvalho, viúvo de Rita. Também chamou atenção a homenagem ao cachorro Orelha, símbolo da militância da artista pela causa animal.
A escola concluiu o desfile dentro do tempo regulamentar, mas um espaçamento entre alas pode impactar na avaliação dos jurados.
Beija-Flor de Nilópolis
A azul e branco da Baixada Fluminense apresentou um enredo inspirado no Bembé do Mercado, tradicional manifestação religiosa do Recôncavo Baiano. O desfile teve assinatura do carnavalesco João Vitor Araújo.
Logo no início, o público ovacionou Neguinho da Beija-Flor, em seu primeiro Carnaval após a aposentadoria como intérprete oficial da escola. A Beija-Flor trouxe como novidade os intérpretes Jéssica Martin e Nino do Milênio.
A comissão de frente surpreendeu ao apresentar um barco que se transformava em Mãe D’água, enquanto figuras de Oxum e Iemanjá reforçavam a ancestralidade africana na narrativa.
Apesar de encerrar o desfile antes do limite de 80 minutos, um detalhe no carro abre-alas apresentou problema técnico e pode ser considerado na apuração.
Unidos do Viradouro
A Viradouro apostou na emoção ao homenagear em vida o Mestre Ciça, comandante da bateria Furacão Vermelho e Branco. A escola reviveu momentos históricos da agremiação, incluindo a releitura do icônico carro do xadrez, que marcou o Carnaval de 2007.
O desfile também marcou o retorno de Juliana Paes ao posto de rainha de bateria após 17 anos. Em entrevista à CNN Brasil, a atriz destacou a importância do homenageado em sua trajetória.
O próprio Mestre Ciça se emocionou ao falar sobre ser enredo em vida. A escola cumpriu o tempo regulamentar, mas enfrentou problema técnico em um dos carros alegóricos, cujo elevador não funcionou como previsto.
Unidos da Tijuca
Encerrando a noite, a Tijuca levou para a avenida um tributo à escritora Carolina Maria de Jesus, reconhecida como uma das vozes mais potentes da literatura brasileira.
O enredo reforçou a identidade da autora, valorizando sua trajetória como escritora que viveu na favela, e não apenas como personagem social. A atriz Juliana Alves desfilou em posição diferente neste ano, participando de dois momentos distintos na avenida.
Durante a apresentação, três integrantes da ala das baianas passaram mal e precisaram ser retiradas, conforme confirmado à CNN Brasil pela assessoria da escola. A Tijuca concluiu o desfile com 77 minutos, dentro do limite permitido.
A segunda noite do Grupo Especial foi marcada por emoção, inovação e reverência à cultura brasileira. Entre homenagens a ícones da música, da literatura e do samba, as escolas transformaram a Sapucaí em palco de memória, resistência e celebração.















