O Terminal do CPA 3, uma das principais estruturas de transporte coletivo da região norte de Cuiabá, voltou ao centro do debate após o prefeito Abilio Brunini (PL) afirmar que a obra não estava adequada e anunciar o rompimento do contrato com a empresa responsável. A decisão, no entanto, reacende uma discussão que vai além de questões técnicas e expõe um impasse político-administrativo que continua impondo ônus direto à população.
A estrutura atende bairros densamente povoados como CPA 1, CPA 2, CPA 3, Morada da Serra, Jardim Vitória, Novo Paraíso, Novo Horizonte e Altos da Serra, além de comunidades do entorno. Juntos, esses bairros concentram um grande fluxo diário de trabalhadores e estudantes. A estimativa é de que cerca de 40 mil passageiros utilizem o terminal todos os dias.
Obra iniciada em 2022 permanece inacabada
A construção do terminal teve início em 2022, com investimento estimado em R$ 2,5 milhões e previsão de conclusão dentro do cronograma contratual. No entanto, a obra foi paralisada em junho de 2024 e, até hoje, não foi entregue de forma definitiva.
No último sábado (10), o prefeito afirmou que a estrutura apresentava falhas graves de projeto e execução, como área de embarque mal posicionada e dificuldade de visualização da chegada dos ônibus.
“A qualidade da obra não estava adequada. Tudo estava errado. Decidimos romper o contrato, refazer o projeto e executar pela própria prefeitura”, declarou.
Decisão política transfere impacto à população
Embora o discurso oficial aponte problemas técnicos, a medida adotada não ocorre sem consequências. Ao romper o contrato e reiniciar o projeto, a prefeitura impõe novo atraso, ausência de prazo definitivo e mantém milhares de usuários do transporte coletivo dependentes de soluções improvisadas.
O próprio prefeito reconheceu que decidiu liberar o uso emergencial do terminal após visitar o local em dia de chuva e presenciar passageiros aguardando ônibus sem cobertura adequada. Ainda assim, a liberação parcial não resolve o problema estrutural e reforça o caráter provisório de uma obra que já deveria estar concluída.
Mais de 375 dias de gestão e foco ainda no passado
Após mais de 375 dias à frente do Executivo municipal, Abilio Brunini segue adotando um discurso fortemente ancorado na responsabilização da gestão anterior, comandada por Emanuel Pinheiro. Na prática, a insistência em revisitar decisões passadas acaba funcionando como justificativa recorrente para obras paradas, contratos rompidos e recomeços administrativos.
Enquanto isso, o impacto recai diretamente sobre a população, que continua enfrentando chuva, sol, insegurança e incerteza quanto à conclusão de um terminal considerado essencial para a mobilidade urbana da capital.
Uso emergencial não substitui solução definitiva
A prefeitura reforça que a abertura atual do terminal não é inauguração, mas apenas uma permissão de uso emergencial, com passagens provisórias, presença de agentes de trânsito e promessa de ajustes futuros, como rampas definitivas de acessibilidade.
No entanto, a decisão de refazer todo o projeto indica que a conclusão definitiva do terminal ainda está distante, sem cronograma claro ou prazo público estabelecido.
População segue aguardando respostas
Enquanto o debate político se mantém no campo das responsabilidades passadas, moradores da região norte de Cuiabá seguem aguardando uma solução concreta. O Terminal do CPA 3, que deveria representar avanço na mobilidade urbana, tornou-se símbolo de atrasos, decisões administrativas custosas e da dificuldade de romper com o discurso do retrovisor para avançar com entregas efetivas.
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News















