Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
A indefinição do União Brasil em Mato Grosso sobre o cenário eleitoral de 2026 deixou de ser apenas um incômodo restrito aos bastidores e passou a gerar pressão aberta dentro do partido. Deputados estaduais, federais, prefeitos e lideranças regionais cobram uma posição clara da sigla, principalmente em relação à disputa pelo Governo do Estado.
O desconforto envolve diretamente a condução estadual do partido, hoje sob forte influência do governador Mauro Mendes, que tem defendido publicamente o nome do vice-governador Otaviano Pivetta como seu sucessor natural. Por outro lado, cresce dentro do próprio União Brasil um movimento que defende protagonismo partidário, com decisão construída de forma coletiva, reunindo todas as lideranças da sigla.
Direção nacional pressiona por candidatura própria
A pressão não vem apenas do cenário local. Segundo o deputado estadual Júlio Campos, a direção nacional do União Brasil tem defendido que o partido apresente candidato próprio ao Palácio Paiaguás, condizente com o tamanho da legenda e com a estrutura administrativa e política que hoje comanda em Mato Grosso.
Essa posição reforça o incômodo interno, já que, até o momento, não houve nenhuma reunião formal para discutir nem mesmo as chapas proporcionais, muito menos a candidatura majoritária ao governo.
Jayme Campos se colocou como candidato desde o início
Um dos nomes centrais desse debate é o do senador Jayme Campos. Desde o início das conversas sobre a sucessão de Mauro Mendes, Jayme deixou claro, em diversas entrevistas, que tem interesse em disputar o governo e que está à disposição do partido.
Com trajetória consolidada — ex-governador, ex-prefeito, ex-senador e uma das principais lideranças políticas do Estado — Jayme tem intensificado visitas ao interior, dialogado com prefeitos e lideranças locais e buscado ampliar sua musculatura política dentro e fora do União Brasil.
Em entrevistas recentes, o senador tem sido cuidadoso ao afirmar que respeita a decisão pessoal de Mauro Mendes em apoiar Otaviano Pivetta, mas faz questão de frisar que esse apoio não representa, necessariamente, a posição oficial do partido.
Para Jayme, a definição do candidato ao governo precisa ser coletiva, construída com a participação de deputados, prefeitos, vereadores e da direção nacional do União Brasil, e não fruto de uma decisão individual.
Risco de divisão preocupa bastidores
Nos bastidores, aliados avaliam que Jayme Campos reúne experiência administrativa, trânsito político amplo e apoio que extrapola o União Brasil. A leitura interna é de que ignorar esse peso político pode gerar consequências eleitorais.
Entre as hipóteses levantadas, está a possibilidade de Jayme Campos buscar outro caminho partidário, o que poderia fragmentar o grupo governista, retirar votos do projeto apoiado por Mauro Mendes e, em um cenário mais extremo, abrir espaço para o avanço de adversários, como o senador Wellington Fagundes, pré-candidato ao governo pelo PL.
Há ainda quem avalie que, em um eventual segundo turno, alianças cruzadas poderiam redesenhar completamente o tabuleiro político, enfraquecendo o candidato do atual governo.
Prefeitos do interior cobram protagonismo
A pressão também cresce no interior do Estado. Prefeitos eleitos pelo União Brasil, especialmente após o desempenho expressivo da sigla nas eleições municipais de 2024, defendem que o partido lidere a disputa em 2026, apresentando candidato próprio ao governo.
Para esses gestores, abrir mão do protagonismo após conquistar capilaridade administrativa e política seria um erro estratégico.
Falta de diálogo incomoda deputados
Apesar da pressão nacional, da disposição de Jayme Campos e da cobrança dos prefeitos, deputados estaduais relatam falta de diálogo interno. Segundo eles, nenhuma reunião oficial foi convocada para discutir o cenário eleitoral, o que começa a afetar, inclusive, a formação das chapas proporcionais.
“O partido precisa sentar, reunir todo mundo e decidir em grupo. Não dá para deixar isso na mão de uma pessoa só. O tempo está passando”, afirmou um parlamentar ouvido pela reportagem.
Janela partidária aperta o prazo
A preocupação aumenta com a aproximação da janela partidária, que se encerra em março. A avaliação interna é de que a indefinição pode resultar na perda de quadros, dificultar a atração de novos nomes e enfraquecer o projeto eleitoral da legenda.
“Se não houver reunião até o fim de janeiro, o União Brasil corre o risco de perder espaço político. O projeto precisa ser apresentado agora”, resumiu outra liderança.
Decisão coletiva ou desgaste interno
Nos bastidores, a leitura é direta: o União Brasil, mesmo controlando o governo estadual e tendo forte presença institucional, avança lentamente na organização eleitoral. A paciência da bancada começa a se esgotar.
Se depender de deputados e prefeitos, o debate sobre 2026 não ficará restrito a decisões individuais. A expectativa é que o partido seja forçado a tomar uma decisão coletiva, reunindo todas as lideranças, para definir o rumo da disputa ao Governo de Mato Grosso.
Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News















