Por: Alex Rabelo — jornalista e analista político | MT Urgente News
A realidade na Avenida do CPA tem se tornado cada vez mais preocupante. O que antes era visto como um espaço de convivência, lazer e forte atividade comercial hoje é marcado por uma escalada contínua da violência, que se intensifica ano após ano e amplia o sentimento de medo entre moradores, comerciantes e motoristas que circulam pela região.
Furtos, roubos, arrombamentos de estabelecimentos e de veículos passaram a fazer parte da rotina. Vidros quebrados, pertences levados de dentro dos carros, bolsas, documentos e até estepes de caminhonetes furtados se tornaram relatos frequentes. A insegurança não atinge apenas quem sofre diretamente o crime, mas também quem presencia, convive ou trabalha ao lado de quem já passou por essas situações.
Bairros do entorno, como o Bosque da Saúde, também sentem os reflexos. Moradores relatam noites mal dormidas, receio constante e a sensação de que a violência deixou de ser um episódio isolado para se tornar um problema permanente. O medo, segundo eles, não termina quando o dia amanhece — ele acompanha quem sai de casa, estaciona o carro ou fecha o comércio no fim do expediente.
Durante o dia, o movimento intenso causado pelas obras do BRT mantém a avenida cheia. À noite, porém, o cenário muda. A redução do fluxo de pessoas, aliada à pouca presença ostensiva do poder público, transforma a região em um ambiente vulnerável. Nesse contexto, cresce também o número de usuários de drogas circulando livremente pela avenida, ocupando calçadas, entradas de prédios e áreas próximas a bancos e comércios fechados.
A ausência de políticas efetivas de acolhimento, tratamento e acompanhamento desses usuários agrava o problema. A dependência química, sem suporte adequado, acaba se misturando ao aumento da criminalidade, criando um ciclo que gera prejuízos materiais, desgaste emocional e sensação de abandono.
A cada novo caso, o sentimento de insegurança se espalha. Quem já foi vítima passa a viver em estado de alerta constante; quem ainda não foi teme ser o próximo. O medo tira o sono de quem sofreu na pele — e também de quem está ao lado, compartilhando a angústia, a preocupação e a sensação de impotência.
O policiamento da região é atribuição do 10º Batalhão da Polícia Militar, mas comerciantes e moradores defendem que a resposta precisa ir além da repressão. Eles cobram ações integradas que envolvam segurança pública, assistência social e saúde, com presença constante do Estado, tanto para proteger quem trabalha e mora na região quanto para oferecer tratamento e suporte aos usuários de drogas.
Enquanto medidas efetivas não são adotadas, a percepção é de que a violência segue avançando, silenciosa e constante, transformando uma das principais avenidas de Cuiabá em símbolo de medo, insegurança e incerteza sobre o futuro.















